Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010
Ética, Sexualidade, Erotismo e Religião
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
Pornografia e Prostituição
HENRY, Michel – Encarnação: uma filosofia da carne. Lisboa: Círculo de Leitores, 2000, p. 243.
Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
Apologia da Ternura
Perguntei ao Padre Jesuíta e bioeticista Juan Mesiá Clavel sobre temas de sexualidade, relações pré-matrimoniais, virgindade de Maria, etc…
Ele escreveu-me assim:
«Cuando se habla de sexualidad, nuestra sociedad se polariza entre dos extremos: la permisividad y el moralismo; el desmadre o la represión; la genitalidad pura y dura o el espiritualismo desencarnado. Entre los olvidos de la cultura actual, uno de los mayores es el de la ternura, la capacidad para enternecerse, tratar tiernamente y vivir en la ternura. Se tiende a minusvalorarlo como romanticismo de “historietas de amor”. Por eso se desenfocan fácilmente, tanto el tema de las relaciones de intimidad marital como el de las renuncias que conllevan las opciones de celibato.
En el símbolo de María (ambigüedad del “no conozco varón” en dialéctica con el “hágase en mí eso que tu dices, ocurra eso para lo que he de unirme a un varón”) tenemos una clave para la recuperación de la ternura perdida. Algo que se llevará su tiempo, es más larga la búsqueda de la ternura perdida que la recuperación del tiempo pasado y Proust necesitaría para desarrollarlo otros cuantos volúmenes más…
Recuperar la ternura olvidada es un proceso que comienza por la vivencia de ser querida la persona y dejarse querer, que la capacita para ser y dar ternura.
Dicho esto, respondo a México y Coimbra . A la pregunta desde México, por el matrimonio virginal, respondo así: Se puede ser virgen a la vez que se engendra y alumbra una criatura, siendo madre y padre como todo padre y madre, es decir, dejando que se diluya la virginidad física, como en el caso de María engendrando tiernamente con José a Jesús y sus hermanos y hermanas.
A la pregunta desde Coimbra, por las relaciones prematrimoniales, respondo así: Una boda es una ceremonia de una hora. Un matrimonio es obra de mucho tiempo. En la relación concebida como proceso, la intimidad puede comenzar mucho antes, pero el cultivo y mimo de la relación para que madure en ternura es tarea de aprendizaje largo. El criterio ético (no la receta) no es puntual, no se rige por un antes o un después de una ceremonia. Los obispos japoneses, en su carta del 83 sobre la vida, ponían el criterio en forma de tres preguntas: 1) ¿Me respeto? 2) ¿Respeto a la pareja? 3) ¿Nos responsabilizamos del posible engendrar nueva vida? La respuesta ha de darla cada pareja en conciencia y autenticidad.
Pero en los extremos se pierde la ternura. En un extremo, la idolatría de la genitalidad hace un absoluto del coito; por otra parte, en el otro extremo, la mentalidad puntual (no procesual) hace un absoluto del trazado de líneas o fronteras entre el antes y el después de una ceremonia. Ambas pueden desembocar en coitos sin ternura. Ninguna de las dos ha descubierto que un beso con ternura puede fundir en penetración mutua dos personas mucho más hondamente que un coito sin ternura, obsesionado por la idolatría del climax sexual.
Un psicólogo social (no tengo a mano el fichero y a mi edad ya no cita uno de memoria), allá por los años setenta, criticaba la que él llamaba “sociedad y cultura an-orgasmo-fóbicas”, es decir, obsesionadas por el miedo a no alcanzar el orgasmo utópico vehiculado por los macrogenitales de Playboy…
Pero volvamos al símbolo de la Anunciación, que invita a recuperar la ternura. La clave en la Anunciación es el “Hágase”, “Fiat”: Que no lo haga yo, sino que se haga y ocurra, más que “hacer el amor” (donde no acaba de desaparecer el yo), es dejar que el amor ocurra como acontecimiento que desborda a quienes se dejan hacer por él, ella, ello…y por eso pueden llegar a decirse mutuamente “yo soy tú”.
Y esto se aplica en los casos siguientes:
- 1) En las relaciones esponsales como la de María y José engendrando tiernamente, como auténticos progenitores, a Jesús y a sus hermanos y hermanas.
- 2) En las relaciones en proceso de ir haciéndose y dejándose hacer; primero, de cara a una boda; después, construyendo poco a poco una comunidad de vida y amor (así la define el Concilio yle Nuevo Código de Derecho Canónico, no como un mero contrato… siglos ha tardado la Iglesia en reconocerlo…).
- 3) También en relaciones célibes de ternura, que no idolatran la genitalidad y asumen la cuádruple renuncia:
- a) renuncia a la distancia o no posesividad espacial y física,
- b) renuncia a la distancia o no posesividad temporal,
- c) renuncia a la no posesividad polarizada en el sexo,
- d) y, sobre todo, a la cuarta y más fuerte renuncia, la renuncia a la procreación y formación de familia.
Pero esta cuádruple renuncia no equivale a renuncia a amar, sino apertura para amar más y mejor, abriéndose al aprendizaje de la ternura universal. De lo contrario, si se quedasen en la represión, ¿de qué les serviría haber hecho opciones de virginidad, si ésta no fructifica en capacidad de ternura?
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Nota final: En este enfoque desaparecen las dicotomías “concepción ordinaria y concepción virginal”, ”relación prematrimonial y matrimonial”, “matrimonio-celibato”, etc. Y, en vez de hablar de ética de la sexualidad, se pasa al enfoque de ética de las relaciones, válida para parejas de ambos sexos, tanto casadas formalmente como parejas de hecho; para relaciones personales en el seno de comunidades de opción de celibato por el Reino de los cielos; y para relaciones de amor y ternura, no reprimidos sino mejorados, entre personas con diversas opciones de vida».
Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
Ética Sexual (Continuação)
O professor Daniel Serrão escreveu-me outra carta onde continua o diálogo sobre algumas questões de sexualidade, ética, Igreja. Vale a pena ler…
«Caro "Correspondente" que acolho com muito gosto
Já pedi desculpa mas têm sido muitas as solicitações e não consegui tempo. Creia que me incomoda não ser pronto na resposta.
Vamos ao primeiro ponto
É claro que um casal paterno que não tem preocupação em que o filho(a) tenha vida sexual activa, com outro(a), em qualquer lugar, continuando a viver cada um na respectiva casa paterna, nem tem uma perspectiva de matrimónio como sacramento, não terá nenhuma disponibilidade para aceitar que casem e fiquem a viver algum tempo em sua casa (sejam pais dele ou pais dela). Aplicam-lhe a norma popular - quem casa quer casa - e vão fazer-lhe a vida negra até que eles saiam. A minha proposta (e conheço vários casos), refere-se a Pais que querem, de facto, ajudar os filhos e/ou filhas a casarem virgens no respeito por uma norma de disciplina religiosa católica a que querem ser fieis. E desejam pagar a sua parte, sem nenhum incómodo, antes com alegria. E que sabem respeitar a intimidade do novo casal "hospedado" transitoriamente em sua casa. E ajudando o casal a resolver o problema de casa própria alugada ou comprada a crédito. Vai dizer-me que é uma raridade. Será mas é para essa raridade que faço a minha proposta aos Pais que podem ter de ser preparados para construírem essa solução com amor. Num caso que conheci num curso de preparação para o matrimónio católico, a menina forçou o noivo a ter relações com ela para saber como era antes de casar; ficou grávida e os Pais do noivo apressaram o casamento e acolheram o casal até que o filho nasceu e eles acabaram os cursos e começaram a trabalhar mudando-se para poiso próprio. A alternativa era o abortamento ou a mãe solteira sem apoio da mãe e pai respectivos que atribuíam a responsabilidade da gravidez ao "noivo" porque o estereótipo é que são eles que as obrigam. Na minha experiência de aconselhamento, hoje é quase sempre o contrário e com a agravante de mentirem sobre o uso de pílula.
A parte final desta sua questão é muito interessante. A hipótese é de um par que faz um compromisso privado e numa entrega de pessoas e amor mútuo e fiel a Deus (tomando o cuidado de não ter filhos) passa a ter relações sexuais. É isto reprovável ou imoral por parte da Igreja?
A minha resposta é que se esse casal tem essas disposições (substituindo não ter filhos por planeamento responsável) está em condições de realizar um matrimónio católico; sem necessidade de passarem a viver juntos e podendo continuar a fazer a mesma vida que é a que possibilita a prática de uma mútua actividade sexual. A convicção de que o matrimónio católico obriga a que os casados vivam juntos, sob o mesmo tecto, é puramente social e não tem nada que ver com o sacramento. O matrimónio católico só obriga à fidelidade mútua "amar-te e respeitar-te" e nada diz sobre nenhuma obrigação de viverem na mesma casa. Podem até viver, temporariamente, em países diferentes por motivos de formação profissional ou outros (conheço casos). O problema é que o matrimónio católico transformou-se num espectáculo pagão onde a representação substituiu a verdade. E a fidelidade, antes e depois do matrimónio, é, à partida, uma farsa.
2. Relativamente ao divórcio a minha convicção é que quanto mais tardio for o casamento mais ameaçado está de terminar em divórcio. Os dois vão para o casamento e para a vida em comum, já com vidas pessoais diferentes e estruturadas separadamente durante dez ou mais anos de vida independente em casa dos Pais ou mesmo em casa própria quando têm condições financeiras para isso. E ambos, em regra, com experiências de ligações sexuais passageiras com outros "parceiros" e assumidas, por ambos os noivos, à partida, com isso mesmo: apenas genitalidade. Dificilmente este par vai conseguir construir um projecto comum que resista às dificuldades e conflitos. O primeiro desacordo sobre o sítio e a data das férias, abre a via para o processo simplex de separação. Ficando bons amigos e encontrando-se por vezes para fazerem sexo mas não para terem vida em comum. E isto já não é só nas classes altas, onde é a regra.
O que proponho para as "raras" famílias que querem "viver" como católicas e não apenas dizerem que "são" católicas, é um programa difícil e, em certos aspectos, heróico. Mas que pode ser proposto aos jovens e seduzir alguns: afirmarem e demonstrarem, pelo próprio exemplo, que o casamento fiel e para toda a vida, é a melhor resposta para as dificuldades de um homem e uma mulher viverem felizes toda uma vida. Apresentarem aos seus filhos o seu exemplo de vida, explicando que não tiveram que sofrer nem abdicar de nada para poderem viver uma vida feliz. Genitalidade plena, sexualidade realizada, amor permanente. Não precisaram de ir buscar fora do matrimónio o que tinham em casa.
Se um matrimónio católico não for exemplar, nem sequer para os próprios filhos, então não tem nada a fazer. Nem a Escola nem o Estado podem fazer nada. Se os Pais não podem viver e apresentar o seu matrimónio como um Sacramento, nada podem fazer pelos seus filhos.
Claro que o tempo de namoro é o tempo apropriado para se discutirem estas perspectivas de futuro. Se os namorados apenas estão interessados em saber se podem ter coito antes do casamento e a Igreja não se "chatear", é melhor nem pensarem em celebrar um sacramento.
3. Nesta matéria sou crítico. A relação sexual de homem e mulher é biologicamente e naturalmente ordenada para a procriação, porque a sua origem, no homem como em todos os animais gonocóricos, é a conservação da espécie. Portanto, segundo a lei natural, homens e mulheres devem praticar o coito quantas vezes forem precisas até que a fêmea fique grávida. A poligamia e a poliandria são "naturalmente" aceitáveis se forem indispensáveis para a manutenção da espécie. E como não sabemos o que se passa no resto do mundo, agimos no nosso meio. A fecundação das filhas de Lot pelo próprio Pai, após a destruição de uma sociedade homossexual, naturalmente infértil, foi por iniciativa delas e deu origem aos moabitas e aos amonitas. Preservou-se "a raça do nosso País" como disse a mais velha das duas filhas.
No momento actual invocar a lei natural não faz sentido para mim, em matéria sexual.
Não há métodos naturais. Toda a intromissão cultural na sexualidade é introduzir o artificial. Não é aceitável, na cultura moderna, imaginar que a fertilidade pode ser entregue, no ser humano, ao simples jogo das leis naturais. A fertilidade passou a ser um acontecimento cultural e, como tal, artificial, porque é o homem que cria a cultura e a cultura é artificial.
A separação entre coito e fecundidade, tornada possível pelo uso de uma anti-ovulação, é tão anti-natural como escolher, para o coito não procriativo, os dias seguramente inférteis da mulher, que só são conhecidos pela investigação científica. Quando os cônjuges, seleccionam estes dias para o coito estão, de facto, a separar o carácter unitivo e procriativo da relação sexual, do meu ponto de vista, como médico.
Penso que nenhuma religião aprendeu a lidar com este acontecimento formidável que é um homem e uma mulher se unirem sexualmente para terem prazer mútuo e gerarem filhos, por imposição biológica à qual o Homem, como ser inteligente, se pode opor, mas que não pode nunca eliminar.
Tal como comer é uma obrigação biológica, mas comer em excesso é gula, pecado (agora é síndrome metabólico...), a relação sexual é um impulso biológico, que os seres humanos são chamados biologicamente a cumprir, mas deve ser contido numa leitura cultural e humana.
As religiões deviam ter-se limitado a fixar as barreiras do abuso, do "pecado", e pouco mais.
Nas nações politicamente organizadas em Estados, o Direito encarregou-se dos aspectos particulares da relação homem/mulher, dos direitos filhos, da herança do património, etc., e é um papel que lhe cabe.
Às religiões deve competir, apenas, mostrar em que medida esta relação, de base biológica, pode ser integrada numa leitura transcendental da origem e destino do Homem.
Como dizia alguém, "não incomodemos Deus com assuntos de alcova".
Aqui tem um feixe de reflexões em fim de tarde de Sábado.
Fico à sua disposição para futuros debates.
Com os melhores cumprimentos
Daniel Serrão».
Ética Sexual
Em ética sexual existem uma série de questões complexas, sobre as quais não poderemos dar uma mera solução completamente definitiva, pronta e dogmática. De modo a sondar outras sensibilidades de pensamento diferente do nosso sobre a “maravilha, errância e enigma” da sexualidade, como nos diz Ricoeur, decidimos questionar um especialista em bioética. Assim, falamos com Daniel Serrão sobre sexualidade, a questão das relações pré-matrimoniais, do casamento, entre outros… e da relação destas matérias com a Igreja.
Segue-se uma carta que Daniel Serrão me escreveu:
“Coloca-me uma questão difícil e que obrigaria a uma resposta muito extensa porque está em causa não apenas um caso concreto mas a sua inserção num certo universo cultural a que se chama a cultura exterior simbólica (Merlin Donald). Que é onde nós, os humanos racionais, efectivamente vivemos.
Tendo de ser sucinto direi o seguinte:
1. Na cultura actual, no nosso País e noutros países da chamada cultura europeia, a maior parte das pessoas que se apresentam à Igreja Católica para celebrarem o Matrimónio na presença de um sacerdote, tiveram já múltiplas relações sexuais quer entre si quer com outros "parceiros" (como se diz) ou "namorado(a)s" como refere a imprensa cor de rosa. O uso da pílula anti-concepcional eliminou o risco de uma gravidez não desejada nos coitos praticados. A prostituição masculina e feminina oferece as facilidades para que a prática do coito antes de qualquer projecto matrimonial, seja uma rotina, com risco moderado de transmissão de doenças, em especial a SIDA.
Esta é a realidade. A relação sexual tornou-se uma banalidade; segundo inquéritos fidedignos, feitos nas Escolas Secundárias, a prática de manipulações sexuais com parceiro do mesmo sexo ou do sexo oposto, incluindo o coito com penetração começa pelos 14 anos e aos 17 é muito elevada; em média, nesta idade e dependendo da localização da Escola, vai de 70% a cerca de 90% nas escolas junto a bairros periféricos habitados por membros de etnia africana. Por isto a nossa taxa de gravidez em adolescentes é das mais elevadas da Europa.
2. A Igreja Católica e outras confissões religiosas e mesmo organizações laicas concluem que esta prática é prejudicial para os jovens (gravidez e DST) para as crianças quando nascem e para a possibilidade de no futuro virem a ser constituídas famílias com um mínimo de estabilidade para a geração e educação dos filhos.
Por isso propõem aos jovens a manutenção da virgindade até à decisão de constituírem um casal estável, com um projecto comum de parentalidade, apoiado num acordo formal civil e/ou religioso. O que tem como consequência, pela ordem natural do impulso sexual, que esta vida em comum deve ser iniciada muito mais cedo do que é actualmente e com recurso ao planeamento familiar e à regulação da natalidade. Dada a dependência económica dos jovens, hoje até muito tarde, em especial nas classes médias e altas, os Pais devem estar disponíveis para acolherem estes novos casais, ao menos em termos de habitação e alimentação (assim acontece na comunidade cigana onde as raparigas casam cedo, e virgens, e são apoiadas pela família, sendo frequente que três gerações vivam em conjunto e com uma economia solidária).
3. A questão que me coloca de os noivos, que estão decididos a celebrar um Sacramento de Matrimónio, perante um representante da Igreja Católica, poderem, 5 minutos antes de se apresentarem no templo realizarem um coito (na linguagem coloquial é designado por "uma rapidinha") não me parece substantiva.
O importante é se de facto desejam celebrar o Sacramento - são eles que o celebram, perante o Deus em que acreditam, não é o sacerdote - de acordo com a Fé Católica. A Fé católica não trata de coitos; refere-se a uma relação íntima e pessoal com Deus. E os ditos noivos deverão celebrar a sua mútua promessa de amor e fidelidade, sentindo a presença de Deus nas suas auto-consciências. Se acharem que um bom e mútuo orgasmo é condição para que esta presença divina aconteça que o procurem. Mas será certamente raro. A maior parte dos que vivam na Fé, preferirá realizar a união dos corpos depois de ter prometido a união das pessoas, que ambos são; e pessoa é unidade substancial e indivisível do corpo, que conhecemos, e do espírito, que nele e por ele se realiza e aflora na auto-consciência (que é talvez o nome moderno para a antiga noção de espírito).
5. O que me preocupa é a total ignorância dos jovens sobre o componente genital da sexualidade. A informação da genitalidade é considerada, por muitos, como pornografia. E é de facto obtida por rapazes e, hoje, também pelas raparigas, em escritos e filmes pornográficos que descrevem e apresentam performances genitais artificialmente montadas e que pouco têm a ver com a realidade dos coitos comuns. Os milhares de pessoas que estiveram, por exemplo, no Salão Erótico de Gondomar indicia essa busca de informação sobre os aspectos propriamente genitais da sexualidade. Também a genitalidade praticada no banco traseiro do carro nada tem a ver com os coitos que irão acontecer no casal casado.
Dar instrução sobre genitalidade nos seus aspectos anatómicos e funcionais é necessário, deve começar cedo (13-14 anos) e ser transmitida com naturalidade em ambiente sereno e confidencial (numa escola um professor achou que a melhor forma era despir um rapaz e uma rapariga para explicar a genitalidade, julgando que estava a fazer educação da sexualidade...) A instrução da genitalidade deve ser progressiva e feita ou pelos progenitores, se forem capazes de a fazer, ou por um médico ou enfermeira de preferência do mesmo sexo do aluno. A menstruação e a polução nocturna, como factos perturbadores do adolescente, são a melhor porta para se iniciar a instrução do funcionamento e da anatomia dos órgãos genitais; dos próprios e dos do outro sexo. Sem necessidade de começar logo pelo ponto G... mas introduzindo a explicação do que é o orgasmo masculino e feminino. A naturalização da genitalidade atenua a curiosidade e dá aos órgãos genitais a sua verdadeira participação na sexualidade humana. Isto é fácil. O que é difícil é educar e preparar os jovens para a vivência do amor como doação mútua entre pessoas humanas, porque exige uma maturação psicológica que não começa a aparecer senão pelos 17 anos, tanto no rapaz como na rapariga.
6. Tudo isto, e muito mais que poderia dizer-lhe, está involucrado na sua pergunta; que por isso, não é uma pergunta banal. Poderá ler mais ideias nos meus escritos sobre este tema que encontrará em http://www.danielserrao.com introduzindo no motor de busca interno a palavra sexualidade.
Envio-lhe em anexo uma Conferência que fiz recentemente no Brasil e cujo conteúdo poderá integrar nesta resposta”.