13/01/2018

Será a análise condicional uma resposta satisfatória ao incompatibilismo?


Peter van Inwagen (1983) recorre ao Argumento da Consequência para defender a incompatibilidade entre o livre-arbítrio e o determinismo. Uma das versões mais discutidas deste argumento é a sua versão modal. Para formular esta versão do argumento, van Inwagen acrescenta aos operadores modais da necessidade e da possibilidade o operador “N”, que representa a expressão «não depende de nós que…». De acordo com van Inwagen, o operador N rege-se por duas regras de inferência fundamentais: a regra (α) e a regra (β), que lhe permitem derivar a tese incomptibilista a partir de um conjunto de premissas aparentemente incontroversas. Contudo, o compatibilista Thomas Flint (1987) sugere que recorrendo à chamada “análise condicional” é possível encontrar um contraexemplo à regra (β) no próprio Argumento da Consequência. Mas agora no artigo "Será a análise condicional uma resposta satisfatória ao incompatibilismo?", publicado Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto – Série de Filosofia (vol. 33), eu e o Luís Veríssimo pretendemos mostrar que esta objeção não é bem-sucedida, porque a regra (β) parece ser, a vários níveis, mais plausível e intuitiva do que a própria análise condicional. Para defender esta ideia iremos servir-nos de duas estratégias. Em primeiro lugar, iremos basear-nos num argumento de Roderick M. Chisholm (1964) para mostrar se aceitarmos a análise condicional estamos erradamente comprometidos com a ideia de que o significado profundo de: a) «S podia ter agido de outro modo.» pode ser expresso da seguinte forma: b) «Se S tivesse escolhido agir de outro modo, então ele poderia ter agido de outro modo.». Em segundo lugar, iremos recorrer à argumentação de Michael Fara (2008) de acordo com a qual a análise condicional não fornece uma interpretação correta do conceito de “capacidade” envolvido na discussão, visto que não oferece uma explicação adequada das situações em que uma capacidade não se manifesta porque se encontra mascarada. Este artigo pode ser lido aqui, aqui, ou aqui.


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5 Domingos Faria: Será a análise condicional uma resposta satisfatória ao incompatibilismo? Peter van Inwagen (1983) recorre ao Argumento da Consequência para defender a incompatibilidade entre o livre-arbítrio e o determinismo . ...
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