31/07/2017

Provas de Doutoramento



No passado dia 27 de Julho de 2017 fui aprovado com distinção e louvor por unanimidade nas minhas provas de doutoramento em Filosofia, na especialidade de Epistemologia e Filosofia da Religião, realizadas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL). O júri das referidas provas foi constituído pelo doutor Tommaso Piazza, doutor Agnaldo Cuoco Portugal, doutor João Branquinho, doutora Adriana Silva Graça, doutor Ricardo Santos, e doutor Paulo Alberto (diretor da FLUL). A tese apresentada tem por título "Será a crença em Deus apropriadamente básica? Defesa de um inferencialismo moderado", e as suas 410 páginas podem ser brevemente resumidas desta forma:
Com o presente estudo pretende-se responder ao seguinte problema filosófico central: (i) será que a crença em Deus pode ter algum grau de garantia ou de estatuto epistémico positivo de forma básica ou não-inferencial? Mas para se responder com fundamento a tal problema é preciso fornecer primeiro uma resposta para a seguinte questão: (ii) em que consiste a garantia ou o estatuto epistémico positivo? A ideia é que para se fazer epistemologia aplicada, i.e., para se responder à questão (i), é necessário previamente fazer epistemologia normativa, i.e, responder à questão (ii).
Como resposta a tais problemas esta dissertação está dividida em três partes: a primeira trata sobretudo de clarificação conceptual e do estado da arte sobre a epistemologia da religião contemporânea. A segunda parte, dedicada à epistemologia normativa, procura responder ao problema (ii) ao examinar-se criticamente várias teorias da garantia ou do estatuto epistémico positivo. E a terceira parte, dedicada à epistemologia aplicada, visa dar uma resposta plausível para o problema (i) ao analisar-se três modelos principais sobre o estatuto epistémico da crença em Deus.
Para o problema (ii) defende-se uma epistemologia das virtudes, que se designa como “fiabilismo evidencialista funcional”, com vários graus relevantes de estatuto epistémico positivo, tais como justificação subjetiva, justificação objetiva, e garantia suficiente para o conhecimento. Quanto à questão central (i) argumenta-se a favor de um modelo que se designa como “modelo inferencialista moderado”. De acordo com esse modelo, a crença em Deus pode ser apropriadamente básica para grande parte dos teístas, apesar de ultimamente precisar de ancorar em boas inferências ou argumentos disponíveis da teologia natural para ter um relevante estatuto epistémico positivo.


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