21/11/2016

Revisão do programa de Filosofia


O Ministério da Educação (ME) está interessado em reformular o essencial do programa de Filosofia do Ensino Secundário. Para tal tarefa o ME convidou a Associação de Professores de Filosofia. Entretanto o debate público sobre a melhor reformulação do programa já começou. Quero salientar que uma das propostas mais interessantes que surgiram foi apresentada por Aires de Almeida. Recomendo a leitura dessa proposta (clique aqui). Concordo com quase tudo. Mas faria duas alterações:

1) Colocaria a lógica no início do 10º ano. Há várias razões para isso: os alunos de ciências e tecnologias aprendem lógica (em matemática) no início do 10º ano e, por isso, pode-se articular isso com a filosofia. Além disso, se a lógica é uma ferramenta básica para avaliar a validade dos argumentos, então faz sentido colocar a lógica no início do 10º ano de modo a poder ser utilizada em todas as teorias e argumentos que forem surgindo. Tenho a impressão de que não há muitos professores que se opõem a esta possível alteração. Parece-me que um dos vários problemas do actual programa é encarar-se a lógica meramente como algo que é debitado e esquecido. Mas isso não faz qualquer sentido; pois, ao ensinar-se lógica deve-se aproveitar tais conhecimentos para aplicar aos assuntos do restante programa. Daí também percebo a opção do Aires de Almeida por eliminar a lógica aristotélica do programa uma vez que com a lógica proposicional temos uma ferramenta que permite formalizar um número muito maior de argumentos filosóficos.

2) Colocaria o problema do livre-arbítrio no final 11º ano. Porquê? Sobretudo porque penso que seria didacticamente mais apropriado para os alunos. Este problema é bastante abstracto e difícil e, por isso, no 10º ano (a seguir à lógica) dever-se-ia começar antes por algo mais fácil e concreto, como a discussão dos valores e da ética. Parece que os alunos conseguiriam trabalhar melhor esse problema com um pouco mais de maturidade filosófica e, dessa forma, tenho a impressão de que seria mais proveitoso eles contactarem com esse problema no 11º ano.

O que vocês pensam disto?


Actualização: O Aires Almeida publicou uma resposta às minhas sugestões de revisão de programa (ver aqui). Recebi um e-mail do Ricardo Miguel que me notificou que na sua tese de mestrado discutiu a aparente irrelevância pedagógica pressuposta pela opção programática entre leccionar lógica aristotélica ou lógica proposicional. A conclusão é, no essencial, concordante com a posição do Aires: acabar com a opção, leccionando-se só lógica proposicional, e no 10.º ano, pois é a lógica que serve melhor os pressupostos mais gerais do Programa (ver aqui).


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