28/08/2016

Cogito agostiniano


"No que respeita a estas verdades, os argumentos dos Académicos [i.e., dos céticos da Nova Academia] perdem a sua força. Se disserem «E se estiveres enganado?» - bom, se estiver enganado, existo. Pois quem não existe não pode de modo algum estar enganado. Logo, existo, se estou enganado. Portanto, porque é verdade que se estou enganado, existo, como poderei estar enganado ao pensar que existo, quando é certo que existo se estou enganado? E porque, se poderia estar enganado, teria de ser eu a estar enganado, segue-se com toda a certeza que não estou enganado ao saber que existo". 
- Santo Agostinho, A cidade de Deus, XI, 26. 
PS: Hoje, 28 de Agosto, a Igreja Católica celebra a memória de Santo Agostinho. Vale a pena também recordar Agostinho pelo filósofo que foi e pela forma como influenciou filósofos posteriores, como Descartes com o seu famoso argumento do cogito. Tal como se pode ver na passagem transcrita, quem pela primeira vez formulou o argumento do cogito foi Agostinho e não Descartes.


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