01/10/2015

Argumento de Kripke contra o fisicalismo


O problema mente-corpo, que é um dos tópicos fundamentais de filosofia da mente, é o problema de apurar as relações entre a mente (e os fenómenos mentais) e o corpo. Em resposta a este problema, o monismo defende haver somente um género de substância e, de acordo com o monismo materialista ou fisicalismo em particular, essa substância única é uma substância física. Nesse caso, como entender o problema mente-corpo à luz do materialismo? Uma hipótese é a da identidade entre a realidade mental e a realidade física, nomeadamente no que se refere à identidade tipo-tipo. No entanto, no livro O Nomear e a Necessidade, Kripke tenta mostrar que o materialismo ou fisicalismo  dos tipos não é uma teoria procedente. Proponho a seguinte reconstrução do argumento de Kripke:

(1) Se “A” e “B” são designadores rígidos, e se o referente de “A” é idêntico ao referente de “B”, então o referente de “A” é necessariamente idêntico ao referente de “B”.
(2) O termo “dor” é um designador rígido.
(3) O termo “estimulação das fibras C” é um designador rígido.
(4) Portanto, se a dor é idêntica à estimulação das fibras C, então a dor é necessariamente idêntica à estimulação das fibras C.
(5) Porém, é metafisicamente possível que a dor não seja idêntica à estimulação das fibras C.
(6) Logo, a dor não é idêntica à estimulação das fibras C.

Será este um bom argumento? No meu artigo "Será procedente o argumento de Kripke contra a teoria da identidade tipo-tipo?" [ver aqui], ponho em causa o argumento de Kripke, argumentando que não é procedente, pois a nossa situação epistémica atual não nos permite determinar se é metafisicamente possível a dor não ser idêntica à estimulação das fibras C.


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