04/09/2015

Garantia epistémica: a insuficiência do fiabilismo e a necessidade da função apropriada


No passado dia 3 de Setembro de 2015 apresentei uma comunicação sobre "Garantia epistémica: a insuficiência do fiabilismo e a necessidade da função apropriada" no 12º Encontro Nacional de Professores de Filosofia (ver aqui o programa). Para quem não teve oportunidade de participar neste encontro, deixo aqui o resumo da minha comunicação: 

Seguindo a terminologia de Alvin Plantinga, designo por “garantia epistémica” a quantidade ou qualidade suficiente que deve ser acrescentada à crença verdadeira para se obter conhecimento. Então, o que deve ser acrescentado à crença verdadeira para se ter conhecimento? Se formos externistas, uma das principais teorias da garantia que é bastante influente e prometedora é o fiabilismo, a qual foi originalmente formulada e desenvolvida por Ramsey, Armstrong, bem como por Goldman. De forma geral o fiabilismo, enquanto teoria da garantia, está comprometido com a seguinte tese:
(F) Uma crença p tem garantia para um sujeito S se, e só se, p é produzida em S por um processo fiável de formação de crenças.
E um processo fiável consiste, de acordo com Goldman (1979, 1986), “na tendência que um processo revela para produzir crenças que sejam verdadeiras em vez de falsas”. Mas será esta uma boa teoria da garantia? Nesta comunicação procurei defender que a condição da fiabilidade apresentada em (F), apesar de necessária, não é suficiente para a garantia. Ou seja, uma crença pode ser produzida por um processo fiável e ainda assim não ter garantia. Para sustentar isso analisei alguns contraexemplos propostos por Plantinga (1993, 2012), como o caso da lesão cerebral, que ilustram que uma crença verdadeira pode ser fiável apenas por acidente, não tendo desse modo garantia nem podendo constituir conhecimento.
Para afastar este tipo de problemas e contraexemplos argumentei que é preciso adicionar a uma teoria bem-sucedida da garantia a condição necessária da função apropriada, de acordo com a qual uma crença p tem garantia para um sujeito S só se p é produzida em S por faculdades cognitivas que funcionem apropriadamente, sem qualquer disfunção ou mau funcionamento, num ambiente cognitivo que seja apropriado para esse tipo de faculdades. Portanto, à condição da fiabilidade é preciso acrescentar pelo menos a condição da função apropriada.


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