07/04/2015

Argumento «Consensus Gentium»


No livro "De Natura Deorum", no §44, Cícero apresentou o seguinte argumento a favor da existência de Deus(es):
Esta nossa crença [nos deuses] não se baseia em qualquer prescrição, costume, ou lei, mas permanece como forte convicção unânime de todos. Devemos, portanto, chegar à conclusão de que os deuses devem existir porque temos uma consciência implantada, ou melhor inata, deles. Ora, quando todas as pessoas concordam naturalmente em alguma coisa, essa crença deve ser verdadeira; por isso, reconhecemos que existem deuses. E porque isso é evidente não só entre os filósofos, mas também entre os incultos.
Isto é uma tradução livre [e aceitam-se outras sugestões de tradução] de: 
Cum enim non instituto aliquo aut more aut lege sit opinio constituta maneatque ad unum omnium firma consensio, intellegi necesse est esse deos, quoniam insitas eorum vel potius innatas cognitiones habemus; de quo autem omnium natura consentit, id verum esse necesse est; esse igitur deos confitendum est. Quod quoniam fere constat inter omnis non philosophos solum, sed etiam indoctos.
Nesta passagem Cícero observa que a crença em deus(es) é praticamente universal. Hoje em dia essa crença não é universal, mas é certamente uma crença comum a um grande número de pessoas. Mas será isso uma boa razão para acreditar que tal crença é «prima facie» verdadeira ou que é «prima facie» justificada?



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