29/10/2014

Filosofia da Música


O livro «Filosofia da Música – Uma Antologia», pertencente à coleção «Filosofia Pública» da editora Dinalivro, acaba de ser publicado e, em breve, estará disponível nas livrarias. Este livro, organizado por Vítor Guerreiro, reúne um conjunto de ensaios de importantes filósofos que procuram responder a questões como as seguintes: Em que consiste algo ser música? Que relação há entre a música e a expressão de emoções? Poderá a música representar algo da realidade extramusical? O que distingue a perceção musical de outros géneros de perceção? O que é isso de compreender a música?

Aqui fica um pequeno excerto da introdução ao livro, onde se procura caracterizar o que é a filosofia da música:
Em filosofia procuramos resolver problemas (e não apenas fazer perguntas) que não temos como resolver empiricamente (isto é, recorrendo à experiência e à observação) mas apenas através do raciocínio, ou seja, construindo e testando argumentos, apresentando objeções e contraexemplos e imaginando situações que ponham à prova as afirmações cuja verdade ou falsidade não conseguimos estabelecer apenas inspecionando os factos (a este modo de proceder chama-se por vezes raciocínio a priori). Estes problemas são essencialmente de dois géneros: problemas acerca da realidade ou natureza das coisas (por exemplo, da arte, da linguagem, da moralidade, etc.) e problemas acerca do conhecimento e experiência que temos dessas coisas. Aos problemas do primeiro género chama-se «metafísicos» e aos problemas do segundo género chama-se «epistemológicos». Um exemplo do primeiro género é o problema da existência de propriedades estéticas (propriedades como a beleza, a elegância, a graciosidade, etc.) e em que consistem ao certo tais coisas, se têm ou não realidade objetiva (a beleza está nas próprias coisas, ou no olhar de quem as observa?). Um exemplo do segundo género é o problema de como reconhecemos as propriedades estéticas e em que medida o conhecimento que temos dessas propriedades (se o temos) difere do conhecimento que temos de outro género de propriedades.
A filosofia da música, portanto, trata um conjunto de problemas acerca da realidade da música e da relação que temos com ela, que não conseguimos resolver mesmo conhecendo todos os factos empíricos relevantes. Alguns destes problemas coincidem com problemas gerais de filosofia da arte, na medida em que as obras musicais partilham propriedades relevantes com outros géneros de obras de arte; outros serão problemas acerca da música em particular. Assim, o problema de saber por que razão reagimos emocionalmente à música e a descrevemos em termos emocionais mesmo sabendo que a música não é um organismo senciente, capaz de sentir e exprimir emoções, é análogo ao problema de saber por que razão reagimos emocionalmente a personagens e situações ficcionais. O problema de saber se a música pode ter propriedades expressivas e representacionais (independentemente de como lhe reagimos) é especificamente acerca da música, na medida em que queremos saber se é possível e como exprimir ou representar musicalmente algo. Queremos saber se a música faz isto e, se o faz, como o faz.
Para ver algumas partes deste livro, clique aqui.
Para ler a introdução de Vítor Guerreiro a este livro, clique aqui.

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