02/09/2013

Problema lógico do mal



No próximo dia 7 de Setembro apresentarei uma comunicação sobre o problema lógico do mal no Encontro Nacional de Professores de Filosofia que se realizará na Universidade de Coimbra. Aqui fica o resumo:

Será que um mundo com mal é inconsistente com Deus?

O objetivo da minha comunicação, que se insere no âmbito da filosofia da religião, é tratar o problema lógico do mal e mais concretamente a teoria da defesa do livre-arbítrio de Alvin Plantinga. Quero examinar se esta é uma teoria plausível e se resiste a algumas objeções. Pretendo defender que esta teoria parece resistir a certas objeções.
Comummente os ateólogos, como Mackie (1955), sustentam que o seguinte conjunto S é implicitamente inconsistente:
(P) Deus é omnipotente, omnisciente e totalmente bom.
(Q) O mal existe.
Porém, Plantinga (1974) argumenta que o conjunto S é implicitamente consistente. Uma maneira de mostrar que (P) é consistente com (Q) é encontrar uma proposição (R) cuja conjunção com (P) seja simultaneamente possível, no sentido lógico lato, e implique (Q). Ou seja, a consistência pode ser encontrada seguindo este teorema de lógica modal:
[◊(P ^ R) ^ ((P ^ R) → Q)] → ◊(P ^ Q)
Procura-se, então, encontrar um possível estado de coisas tal que se fosse atual, então (P) e (Q) seriam ambos verdadeiros. É importante salientar que (R) não precisa ser verdadeira, provável ou plausível. Isto é, o que se visa não é dizer qual é a razão de Deus para permitir o mal, mas no máximo qual poderia talvez ser a sua razão. A proposição (R) precisa apenas de ser tal que a sua conjunção com (P) é possível e implique (Q). Assim, para o conjunto S ser consistente, Plantinga adiciona a seguinte proposição:
(R) Deus não tinha poder para criar um mundo com bem moral mas sem mal moral.
Com a defesa do livre-arbítrio, Plantinga procura justificar que (R) é possível. Mas, por que razão isto é possível? É preciso mostrar a possibilidade de que entre os mundos que Deus não poderia ter atualizado estão todos os mundos que contêm bem moral, mas nenhum mal moral. Para isso, Plantinga defende que é possível haver Depravação Transmundial (i.e., ações livres moralmente erradas) de toda a essência criada. E se este é o caso, então é possível que Deus não possa ter criado um mundo com bem moral, mas sem mal moral.
Será toda esta argumentação plausível? Pode-se objetar, como Smith (1997), que o teísmo tradicional não atribui a Deus a possibilidade de escolher uma ação moralmente errada: Deus é essencialmente moralmente perfeito. Além disso, Deus não é desprovido de valor. Se Deus pode ser essencialmente e moralmente perfeito sem fazer nada de errado, por que razão não cria criaturas como Ele? Pode-se também descrever, como Otte (2009), um mundo possível em que é impossível para a pessoa que nele está sofrer de Depravação Transmundial. Assim, não é possível que todas as essências sofram de Depravação Transmundial, ao contrário do que Plantinga defende. Porém, argumento que estas críticas não parecem procedentes.



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