19/08/2013

Teoria do Conhecimento



Foi traduzido para português um excelente livro de introdução à epistemologia publicado na Gradiva. Tem como título “Introdução à Teoria do Conhecimento” e foi escrito pelo filósofo Dan O’Brien. Este livro começa por examinar o que é o conhecimento a partir da teoria tradicional de Platão (como crença verdadeira justificada), apresenta os casos Gettier, bem como respostas a esses casos. Tem um capítulo dedicado às fontes do conhecimento (a priori e a posteriori), e a tópicos importantes como a perceção e o testemunho. A justificação também é um tópico fulcral deste livro em que se aborda as teorias do fundacionalismo e coerentismo, do internismo e externismo. Aborda-se igualmente o ceticismo, o problema da indução, a epistemologia naturalizada, entre outros temas. Fica aqui um excerto da introdução que autor fez a este livro: 
A teoria do conhecimento levanta certas questões muito amplas e profundas acerca dos sujeitos de conhecimento e do conhecimento em si. O que é conhecer? Como distinguir o conhecimento da mera crença? Será o conhecimento possível? A teoria do conhecimento é também designada epistemologia, a partir da palavra grega para conhecimento, «episteme». A epistemologia tem uma longa história: à medida que avançarmos na leitura deste livro iremos envolver-nos num diálogo que começou há mais de dois mil anos. No capítulo que se segue iniciaremos a nossa análise do conhecimento recorrendo a Platão (c. 428-347 a.C.), e ao longo da nossa investigação iremos ver o que os grandes pensadores do passado nos disseram: René Descartes (1595-1650) e David Hume (1711-1776) assumirão especial relevo. A epistemologia continua a ser uma área de investigação vibrante, e muitas das posições e teorias que iremos examinar surgiram nas últimas décadas. Este interesse persistente na epistemologia é um reflexo da enorme importância que o conhecimento tem nas nossas vidas. Em primeiro lugar, é instrumentalmente útil: recorrendo ao conhecimento científico, por exemplo, procuramos explicar, controlar e prever o comportamento do mundo natural. Segundo, mesmo quando não tem utilidade prática, o conhecimento continua a ser encarado como algo que vale a pena obter. É bom em «si mesmo». Quando, no filme «A Fúria da Razão» (1971), um criminoso é obrigado a entregar a sua arma ao Inspetor Harry Callahan, procura depois saber se Harry ainda tinha alguma bala na pistola ou se estivera apenas a fazer bluff - «Tenho de saber». Esta informação não terá qualquer utilidade prática – visto encontra-se já detido, em qualquer dos casos – mas é um conhecimento que ele persegue, ainda assim.
A epistemologia e a metafísica são dois tópicos centrais da filosofia. A primeira prende-se com a natureza e a possibilidade do conhecimento; a segunda diz respeito à natureza daquilo que existe. Alguns exemplos de questões metafísicas são: existirão coisas não-físicas? Poderão existir outras mentes além da nossa? E será que Deus existe? Veremos como todas estas questões se entrecruzam com as nossas investigações epistemológicas. A par da epistemologia, iremos, pois, estudar algumas questões metafísicas. A epistemologia está muito intimamente relaciona com outras áreas da filosofia, pelo que seremos introduzidos a alguns temas da filosofia da mente, da filosofia da religião e da ética.


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