01/10/2012

Filosofia: uma atividade crítica



A filosofia é uma atividade crítica. Esta crítica não é maledicência nem é uma atividade sem rumo. Pelo contrário, a crítica visa analisar as ideias procurando examinar se são boas ou más, se têm pontos fortes ou fracos, se são plausíveis ou não, se são fundamentadas por boas razões e argumentos cogentes ou se simplesmente são a expressão de dogmáticos preconceitos e de opiniões infundadas. Perante a crítica, não há crenças privilegiadas que não possam ser suscetíveis de exame, nem vale a pena apelar à idolatria da autoridade ou do tradicionalismo para fazer vingar a todo o custo certas ideias. A crítica procura analisar minuciosamente qualquer crença, não aceitando nada por fé ou por dogma infalível, mas investiga sempre se existem boas justificações ou não para sustentar uma determinada crença. São rejeitadas as crenças que se revelem irrazoáveis, sem fundamentos e que não possuam boas razões e argumentos, pois apenas são expressão de preconceitos e dogmas que podem até ser perigosos (pense-se, por exemplo, na arbitrariedade de crenças como o racismo, nos horrores do nazismo ou de outros fundamentalismos). Mas são levadas a sério as crenças que são sustentadas por boas razões e argumentos, que parecem responder bem e aprender com as possíveis objeções e que se estruturam de modo a estar significativamente fundamentadas. Pois, são crenças que pretendem racionalmente aproximar-se da verdade; embora, sempre de uma forma limitada e falível, como é intrinsecamente característico dos seres humanos, estando assim sempre abertos a uma permanente revisão de ideias e a uma tentativa de busca de crenças cada vez mais plausíveis.
A crítica permite igualmente destruir as ideias rigidamente acabadas, consideradas como absolutas e sem margem para a mínima dúvida, que o ser humano tende cegamente a venerar. Pois, a crítica nada toma como garantido, convidando-nos constantemente a pensar e a questionar: Será que a crença X é verdadeira? Que razões sustentam a crença X? A crença X é fundamentada por boas razões e argumentos? Não existem crenças mais plausíveis que X? A crítica também nos ajuda a ver outras perspetivas diferentes das nossas que podem ser mais plausíveis ou que até podem contribuir com refutações para ajudar a melhorar a nossa própria visão de mundo. Os atos de questionar, considerar diversas alternativas, analisar perspetivas diferentes, ver de outra forma, e aprender com as críticas dos outros, parecem constituir um bom antídoto contra a falsa sabedoria dogmática e absoluta que é arrogante ao ponto de chegar a negar a sua própria ignorância.



Gostou deste artigo? Receba outros por e-mail, assine a nossa newsletter. Digite aqui o seu e-mail:

Este artigo, com comentários, encontra-se no seguinte tema:

Escreva aqui os seus comentários ao artigo "Filosofia: uma atividade crítica":

5 Domingos Faria: Filosofia: uma atividade crítica A filosofia é uma atividade crítica. Esta crítica não é maledicência nem é uma atividade sem ru...
< >