02/09/2012

Colocação de professores de filosofia no ensino secundário




Para o ano letivo 2012/2013 foram admitidos a Concurso Nacional de Docentes, em contratação inicial, 1050 candidatos de filosofia. No entanto, apenas 47 foram colocados, nomeadamente: 

  • 11 com horário completo; 
  • 1 com 19h; 
  • 3 com 18h; 
  • 2 com 16h; 
  • 2 com 15h; 
  • 3 com 14h; 
  • 5 com 12h; 
  • 7 com 11h; 
  • 2 com 10h; 
  • 3 com 9h 
  • e 8 com 8h. 

Como se pode constatar, os resultados não são animadores para quem é professor de filosofia. Acresce a isto uma tendência de decréscimo nos contratos de filosofia em comparação com os anos anteriores. Por exemplo, em Agosto de 2010 foram colocados 83 candidatos com horário completo, em 2011 foram 42, e no concurso deste ano foram colocados apenas 11 professores com horário completo. O mesmo cenário de diminuição acentuada se reflete nos professores que são colocados com horários incompletos: em Agosto de 2010 foram colocados 121 professores, em 2011 foram 73, e no concurso deste ano foram 36. Esta descida nos contratados de filosofia (e também de outras disciplinas) parece dever-se sobretudo a medidas político-económicas, como o aumento de alunos por turma (agora é de 30 alunos), a maior carga horária para os professores (de 22 para 24 tempos), a redução de algum tempo letivo para a disciplina, a criação de mega-agrupamentos, entre outros…
Olhando para todo este cenário é importante questionar: Estas medidas estarão a melhorar o ensino da filosofia no ensino secundário ou podem constituir um sério prejuízo para a aprendizagem dos alunos? Com mais alunos por turma, com professores com mais alunos para ensinar e com mais carga horária (muita dela gasta em funções burocratas inúteis), como podem os professores ter tempo para investigar e preparar rigorosamente as aulas? Como podem os professores estimular o pensamento crítico dos alunos vivendo num contexto com tais medidas político-económicas? Não seria melhor para o ensino da filosofia, e para o ensino das outras disciplinas, aumentar o número de contratados, tendo assim os professores mais disponibilidade para estudar, para preparar bem as aulas, para acompanhar melhor os alunos e para lhes ensinar a pensar criticamente e com rigor? O que produziria maior felicidade global?

[Actualização do dia 6/9/12: No concurso da madeira apenas foram colocados 12 candidatos do grupo de informática. Os restantes grupos, inclusive de filosofia, não tiveram qualquer colocação.]


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