16/04/2012

A teoria aristotélica e naturalista de justificação do estado



j        O estado (cidade-estado/polis) existe por natureza pelo que se justifica por si.
j        A vida na cidade-estado corresponde a uma necessidade natural dos seres humanos; portanto, o estado tem uma justificação natural.
j        O ser humano não se desenvolve isoladamente, mas em comunidade (sobretudo na comunidade mais completa e perfeita: cidade-estado).


Os argumentos e as ideias principais da teoria de Aristóteles

1.       O argumento central de Aristóteles:
P1 – Faz parte da natureza dos seres humanos desenvolver as suas faculdades.
P2 – Essas faculdades só poderão ser plenamente desenvolvidas vivendo na cidade-estado.
C – Logo, faz parte da natureza humana viver na cidade-estado.
2.       A cidade-estado é a comunidade mais completa e perfeita:
j        Porque é o fim para que todas as outras comunidades tendem: contém todas as outras, é auto-suficiente e não existe apenas para preservar a vida, mas sobretudo para assegurar a vida boa, que é o desejo de todos os seres racionais.
3.       A natureza de uma coisa consiste na sua finalidade:
j        A finalidade dos seres humanos é viver em comunidade (cidade-estado).
j        Ao estudarmos a origem da cidade-estado verificamos que há um impulso natural dos seres humanos para passar da vida em família para a vida em aldeias, e destas para a comunidade mais alargada e auto-suficiente: cidade-estado.
4.       A cidade-estado é anterior ao indivíduo:
j        Não há indivíduos auto-suficientes e, portanto, fora da comunidade nem sequer poderiam existir. (Ver alegoria da mão separada do corpo…).
5.       O ser humano é por natureza um animal político:
j        Fora da cidade (polis) não há verdadeiro ser humano, uma vez que este não consegue realizar a sua natureza e ter uma vida boa fora da cidade; sem a cidade apenas pode ser uma besta ou um deus.

Objecção à teoria naturalista de Aristóteles

P1 – Aristóteles defende que a cidade-estado é o resultado de uma espécie de instinto natural (comparável com um desenvolvimento biológico, sem qualquer intervenção da racionalidade); e, assim, a cidade-estado justifica-se por si mesma.
P2 – Mas, a finalidade da cidade-estado é permitir a vida boa, e este é um desejo racional.
C – Logo, a cidade-estado é fruto da deliberação racional (uma construção artificial) dos seres humanos e não simplesmente de um impulso biológico ou natural.
j        Deste modo, a cidade-estado, pelo facto de não ser fruto de um mero impulso natural, já não se justifica por si mesma. É preciso outra justificação…


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