16/12/2011

Como aprendemos filosofia?


"Como aprendemos filosofia? Uma pergunta melhor é a seguinte: como podemos adquirir destreza no pensamento?
O pensamento em questão implica ter atenção a estruturas básicas do pensamento. Isto pode ser bem ou mal feito, de forma inteligente ou inepta. Mas ser capaz de o fazer bem não é, em primeiro lugar, adquirir um corpo de conhecimentos. É mais como saber tocar piano. É tanto um «saber fazer» quanto um «saber que». A personagem filosófica mais famosa do mundo clássico, o Sócrates dos diálogos de Platão, não tinha orgulho na quantidade de coisas que sabia. Pelo contrário, tinha orgulho em ser o único a saber quão pouco sabia (uma vez mais, a reflexão). O que ele fazia bem – em princípio, pois a avaliação do seu sucesso varia – era expor os pontos fracos das pretensões das outras pessoas ao conhecimento. Processar bem os pensamentos é uma questão de ser capaz de evitar confusões, detectar ambiguidades, pensar numa coisa de cada vez, apresentar argumentos de confiança, ter consciência das alternativas, etc. 
Resumindo: as nossas ideias e conceitos podem ser comparadas com lentes através das quais vemos o mundo. Em filosofia, são as próprias lentes que constituem o tema de estudo. Seremos bem ou mal sucedidos não em função da quantidade de coisas que sabemos no fim do estudo, mas em função do que podemos fazer quando as coisas se tornam difíceis: quando a maré dos argumentos sobe e se gera a confusão. Ser bem sucedido quer dizer levar a sério o que as ideias implicam".

 Blackburn, Simon (2001) Pense: uma introdução à filosofia. Lisboa: Gradiva, p. 15.

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