15/10/2011

Será que Deus existe?



Há alguns anos o Desidério escreveu um texto introdutório (aqui e aqui) com as versões simplificadas dos principais argumentos tradicionais a favor e contra a existência de Deus. Penso que vale a pena reexaminar cada um dos argumentos apresentados. É verdade que não se explora as versões mais sofisticadas dos argumentos que provam a existência ou a inexistência de Deus. Mas, é uma excelente introdução para quem pretender começar a ver quais são os principais argumentos que se discutem em filosofia da religião:



"O ARGUMENTO DO DESÍGNIO

O argumento do desígnio é um argumento por analogia. Como todos os argumentos por analogia, baseia-se na analogia entre duas coisas, neste caso entre o universo como um todo e um artefacto. Uma versão do argumento é a seguinte:
O universo é como um relógio.
Os relógios existem porque algum artesão os concebeu e criou.
Logo, o universo existe porque algum artesão o concebeu e criou.
Este argumento foi muitíssimo popular no Reino Unido, apesar das devastadoras objecções levantadas por David Hume (1711-76) nos seus Diálogos sobre a Religião Natural, talvez porque William Paley (1743-1805) publicou no início do séc. XIX, três anos antes de morrer, o livro Teologia Natural, que é uma defesa popular e algo repetitiva do argumento, aparentemente sem ter conhecimento dos contra-argumentos de Hume, pois não os discute. Por outro lado, apesar destes contra-argumentos, que muitos filósofos consideram decisivos, só com a publicação em 1859 da obra Sobre a Origem das Espécies, de Charles Darwin (1809-82), algumas pessoas passaram a considerar o argumento do desígnio decisivamente refutado. Daí o ataque actual à biologia por parte dos criacionistas.

Os argumentos por analogia são muitíssimo problemáticos; são úteis em contextos didácticos e explicativos, mas são geralmente argumentos muitíssimo fracos, precisamente porque não é fácil distinguir os bons argumentos por analogia dos maus. Vejamos:
O universo é como um relógio.
Os relógios muitas vezes atrasam ou adiantam ou param.
Logo, o universo muitas vezes atrasa-se, ou adianta-se ou pára.
Este argumento é claramente mau. Mas como distinguir este argumento do anterior? Não podemos dizer que este é mau porque sabemos que a conclusão é falsa, ao passo que sabemos que o primeiro argumento é bom porque sabemos que a conclusão é verdadeira. Este é um erro típico na discussão de argumentos: pensar que basta um argumento ter conclusão e premissas verdadeiras para ser válido. Não basta: é preciso que as premissas justifiquem a conclusão, e isso acontece quando é impossível (ou muitíssimo improvável) as premissas serem verdadeiras e a conclusão falsa. Pois nesse caso temos uma excelente razão para aceitar a conclusão, se aceitarmos as premissas — é que aquela não pode ser falsa se estas forem verdadeiras.

Sendo o argumento do desígnio um dos mais implausíveis argumentos a favor da existência de Deus, sobretudo na versão simples de Paley, a atracção que exerce sobre as pessoas que não sabem filosofia é um fenómeno interessante.


O ARGUMENTO DA PRIMEIRA CAUSA

O argumento da primeira causa tem a vantagem de ser dedutivo, ao contrário do argumento por analogia anterior. Eis uma das suas versões:
Todos os acontecimentos têm uma causa.
Logo, há uma causa para todos os acontecimentos.
Se este argumento fosse válido, seria muitíssimo poderoso. Baseia-se numa ideia originalmente avançada por Aristóteles (384-322 a.C.), se bem que não exactamente nesta forma, e foi depois desenvolvido por Tomás de Aquino (1225-74), sendo uma das suas Cinco Vias (cinco argumentos a favor da existência de Deus).

Infelizmente, o argumento é falacioso: a conclusão não se segue da premissa. Chama-se hoje "falácia da inversão dos quantificadores" a este tipo de argumento: a conclusão inverte a ordem dos quantificadores relativamente à premissa, e este tipo de inversão é falaciosa. A forma lógica falaciosa do argumento é a seguinte:
"$y Cyx 
∴ $"x Cyx
Qualquer pessoa pode compreender a falácia se pensar noutro argumento exactamente com a mesma forma lógica, mas com uma premissa verdadeira e uma conclusão falsa:
Todas as pessoas têm um nariz.
Logo, há um nariz que todas as pessoas têm.
Pensa-se por vezes que quando um argumento é inválido a sua conclusão é falsa. Isto é uma confusão. Tudo o que mostramos quando mostramos que um argumento é inválido é que a premissa ou premissas não justificam a conclusão; mas não mostrámos que a conclusão é falsa. A conclusão pode muito bem ser verdadeira. O que se passa é que o argumento, sendo inválido, não nos dá qualquer razão para pensar que a conclusão é verdadeira. Se pensamos que a conclusão é verdadeira, tem de ser por outra razão qualquer.


O ARGUMENTO DA CONTINGÊNCIA

Gottfried Leibniz (1646-1716) estava convencido que o argumento anterior era subtilmente falacioso, e tinha razão; acontece apenas que a lógica necessária para compreender claramente a sua falácia só foi desenvolvida no séc. XIX por Gottlob Frege (1848-1925) e Bertrand Russell (1872-1970). Leibniz desenvolveu então outro argumento, baseado na contingência do mundo. Uma versão desse argumento é a seguinte:
Tudo o que existe contingentemente carece de uma explicação.
A explicação última não pode ser outro existente contingente.
Logo, há um existente necessário que explica toda a existência contingente.
É natural que este argumento não seja particularmente popular, pois para o compreender e discutir é necessário dominar alguns conceitos centrais de metafísica, como a distinção entre existentes necessários e contingentes, assim como o conceito de verdades necessárias por oposição a verdades contingentes. Mas a pergunta algo retórica de Leibniz, e que ficou famosa, é por vezes usada intuitivamente por quem não domina o seu argumento original, nem os conceitos filosóficos centrais para o compreender: "Por que há algo e não o nada?" O que a pergunta sugere é que qualquer resposta a esta pergunta terá de admitir algo que não careça de explicação — Deus — por ser um existente necessário.

Além dos problemas de pormenor levantados pelo argumento, nomeadamente quanto à sua validade, a objecção mais directa é que o argumento pressupõe duas coisas. Primeiro, pressupõe sem qualquer razão que o universo é contingente. Ora, do facto de parecer verdade que todos os acontecimentos do universo observável são contingentes, não se segue que o universo como um todo seja contingente. Pode muito bem ser necessário. Segundo, pressupõe que os existentes contingentes carecem de uma explicação de que os existentes necessários não carecem. Mas isto parece uma confusão entre explicar a existência de algo e apresentar uma causa anterior. Se está em causa o primeiro aspecto, então tanto precisamos de explicar a existência dos seres contingentes como dos seres necessários. Se está em causa o segundo, então estamos outra vez a usar o argumento da primeira causa.


O ARGUMENTO ONTOLÓGICO

A versão mais influente do argumento ontológico foi desenvolvida por Anselmo da Cantuária (1033-1109), e pode ser formulada do seguinte modo:
Deus é aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado.
Mesmo quem não acredita em Deus, compreende esta definição.
Aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado não pode existir apenas no espírito.
Logo, Deus existe na realidade.
O monge Gaunilo, colega de Anselmo, procurou refutar o argumento com base na Ilha Perdida — uma ilha imaginária, superior a todas as outras terras. Como é natural, por mais que definamos tal ilha deste modo, daí não se segue que exista. Logo, argumenta Gaunilo, o argumento de Anselmo não funciona:
A Ilha Perdida é por definição superior a todas as outras terras.
Mas daqui não se segue que esta ilha existe realmente.
Logo, uma coisa pode existir no espírito unicamente, sem existir na realidade.
Séculos mais tarde, Descartes usou uma versão diferente do argumento ontológico. E hoje em dia há versões muitíssimo sofisticadas, baseadas na lógica modal. Efectivamente, nos sistemas S5 de lógica modal, a necessidade da possibilidade segue-se da possibilidade: se algo for possível, é necessário que seja possível. Assim, podemos construir um argumento válido a favor da existência de Deus:
É possível que exista um ser cuja não existência seja impossível.
Logo, existe um ser cuja não existência é impossível.
Este argumento é válido, mas para compreender a sua validade seria necessário dominar a lógica modal. Evidentemente, quem aceitar os sistemas S5 de lógica modal mas recusar a conclusão deste argumento só pode fazer uma coisa: recusar a premissa. É o que fazem alguns filósofos: procuram mostrar que não é possível que exista ser cuja inexistência seja impossível. Por outras palavras, procuram mostrar que não só Deus não existe realmente, como não poderia ter existido.


O ARGUMENTO DOS MILAGRES

O argumento dos milagres é de todos provavelmente o mais fraco; mesmo os filósofos da religião que são crentes, como Richard Swinburne, não aceitam o argumento dos milagres sem qualificações (ele defende que só depois de termos provado que Deus existe podemos ter algumas razões para pensar que existem milagres). O argumento é o seguinte:
Tal e tal acontecimento é milagroso.
Só Deus pode fazer milagres.
Logo, Deus existe.
O argumento é fraco porque a menos que já aceitemos que Deus existe, nenhum acontecimento é mais provavelmente milagroso do que pura e simples ilusão, fruto da ignorância ou da mentira. Este é o contra-argumento de Hume ao argumento dos milagres: sabendo-se quão propensas são as pessoas a auto-iludir-se, há sempre explicações mais plausíveis dos acontecimentos pretensamente milagrosos do que declarar que são milagres.


O ARGUMENTO DA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA

Muitos crentes consideram algo irrelevantes os argumentos a favor da existência de Deus. A sua própria vivência religiosa, as suas emoções, o seu modo de vida — estes são os elementos que fazem da religião uma coisa viva, e não uma mera abstracção teórica. Contudo, este é apenas um tipo diferente de argumento: é uma razão para ser crente. As pessoas são crentes porque têm um certo tipo de experiências religiosas. A questão é saber se tais experiências religiosas justificam a crença na existência de Deus.

Há poderosas objecções ao argumento da experiência religiosa. Vejamos duas delas.

Em primeiro lugar, há o problema da diversidade religiosa. Não se pode conceber a religião como uma mera abstracção geral: as pessoas não são apenas religiosas, abstractamente; são budistas, ou islâmicas, ou judaicas. Pertencem a uma determinada religião. Ora, estas religiões são incompatíveis entre si. Há religiões politeístas, religiões sem Deus (como o budismo), religiões em que Deus é uno, religiões em que Deus é uno e trino. A experiência religiosa aparentemente justifica qualquer religião, e por isso mesmo não justifica realmente qualquer uma delas. As pessoas têm certas experiências, que são socialmente induzidas, e essas experiências estão sistematicamente ligadas à cultura em que a pessoa está inserida. Se a experiência religiosa tivesse algum peso, teria de dar a uma pessoa nascida numa cultura cristã, por exemplo, uma experiência que a fizesse tornar-se politeísta, por exemplo. Mas isso nunca ou raramente acontece, o que sugere que a experiência religiosa é apenas um reflexo ilusório do que as pessoas querem experienciar.

Em segundo lugar, do facto de se ter um certo tipo de emoções quando se medita ou quando se está só numa montanha, ou quando se reza, nada se segue realmente — a menos que depois essa experiência seja interpretada. A experiência bruta de uma presença infinita, de uma bondade e beleza transcendentes, que muitos crentes têm, nada nos diz sobre a existência de um deus; pode ser uma reacção biológica natural, um estado natural do cérebro em certas situações. Pode ser simplesmente o resultado da complexidade do nosso cérebro. Qualquer explicação deste género é mais provavelmente verdadeira do que a ideia de que tais experiências existem porque um qualquer deus comunicou de facto com essa pessoa.


O ARGUMENTO MORAL

Quando os avanços da ciência tornaram cada vez mais implausível a ideia de que precisávamos da hipótese de Deus para explicar o mundo, tornou-se muito popular um argumento que tem várias versões, mas se baseia sempre na mesma ideia fundamental: Deus é o garante da moralidade. Este argumento foi particularmente popular no séc. XIX, tendo até alguma expressão literária — "Se Deus não existe, tudo é permitido" é uma frase de Fiódor Dostoiévski (do romance Os Irmãos Karamazov) que muitas pessoas conhecem. Na verdade, uma das primeiras versões do argumento moral foi defendida por Immanuel Kant, no séc. XVIII. Contudo, Kant não usou a versão que viria a tornar-se popular, pois não pensava que o fundamento da moral era Deus. Efectivamente, esta ideia é inaceitável para a generalidade dos filósofos, que sabem desde o tempo de Platão que tal coisa é quase indefensável. No diálogo Êutífron, Platão apresenta uma objecção fatal a esta ideia, que ficou conhecida como o Dilema de Êutífron, e que podemos parafrasear assim: o bem é um bem porque Deus o quer, ou Deus quer o bem porque é um bem? A primeira alternativa não é aceitável porque tornaria o bem uma arbitrariedade da vontade divina: caso Deus quisesse, o homicídio seria um bem, o que é absurdo. O que se passa, ao invés, é que Deus, por ser bom, não quer tais coisas; só quer o bem. Mas isto significa que Deus não é o autor, digamos assim, do bem. Matar pessoas inocentes é mau por causa das pessoas inocentes, e não por causa de Deus. E por isso, quer Deus exista quer não exista, o bem e o mal permanecem iguais.

Popularmente, contudo, a ideia é que sem um Deus que castiga e recompensa, não há realmente razões para agir moralmente. É esta a ideia de Dostoiévski. Esta ideia revela uma imensa incapacidade para compreender o pensamento ético, pois põe tudo em termos de interesse estritamente pessoal: não mato pessoas inocentes porque tenho o interesse pessoal em não ir para o inferno e em ir para o céu. Além de terrivelmente calculista, isto nada tem a ver com a acção ética. Ora, Kant sabia disto também. Por isso, concebeu um argumento moral algo diferente, que contudo nunca teve grande influência — nem na bibliografia especializada, nem junto do grande público. Eis uma versão possível do seu argumento:
Temos o dever moral de promover o bem supremo.
Se temos tal dever, o bem supremo tem de ser possível (porque não temos o dever de fazer o impossível).
Se Deus não existisse, o bem supremo não seria possível.
Logo, Deus existe.
Este argumento é válido, apesar de não ser exactamente deste modo que Kant o apresenta. Dado que é válido, as suas premissas justificam a sua conclusão.

A questão é saber se as suas premissas são verdadeiras. Ora, a segunda premissa parece basear-se numa confusão. Mesmo aceitando que temos o dever moral de promover o bem supremo (que podemos definir como um estado moralmente perfeito do mundo, por exemplo), daí não se segue que o bem supremo tem de ser possível. Afinal, temos o dever de tentar salvar a vida de uma pessoa moribunda, mas nem sempre tal coisa é possível; o que se passa é que temos o dever de tentar. Esta é a primeira objecção ao argumento.

A segunda objecção é que não temos realmente o dever de promover o bem supremo; temos apenas o dever de viver eticamente, de promover o bem que podemos promover claramente, e não uma abstracção estranha que seria o bem superlativo.


O PROBLEMA DO MAL

Percorremos vários argumentos tradicionais a favor da existência de Deus, que correspondem às principais famílias de argumentos deste tipo. Contra a existência de Deus, contudo, levanta-se o argumento do mal. A versão mais antiga do argumento do mal deve-se a Epicuro, mas chegou até nós ironicamente por via de Lactâncio, que era cristão:

"Ou Deus quer impedir o mal e não pode, ou pode mas não quer. Se quer mas não pode, é impotente. Se pode, mas não quer, é malévolo. Mas se Deus quer e pode, de onde vem então o mal?"

A ideia é que a existência de um Deus todo-poderoso, criador, sumamente bom e omnisciente é incompatível com a existência óbvia de mal no mundo.

Há dois tipos de mal: o mal natural e o mal moral. O primeiro diz respeito a coisas como terramotos, doenças, secas, etc. O segundo resulta das acções humanas: roubos, homicídios, etc.

A resposta mais popular ao argumento do mal é invocar o livre-arbítrio. Assim, o mal moral existe porque as pessoas são livres, e por mais que Deus seja omnipotente, a liberdade é um valor tão importante que decidiu fazer-nos livres apesar de saber o que isso iria implicar. Esta resposta é muito discutida e analisada cuidadosamente na bibliografia especializada. Enfrenta várias dificuldades, das quais se destaca três.

Em primeiro lugar, é imoral. O mal, natural e moral, que sem Deus é apenas uma consequência da maldade humana ou do acaso natural, torna-se uma monstruosidade moral porque foi devidamente planeado por Deus. Pior do que haver terramotos e homicídios é tal coisa ter sido prevista por Deus, que mesmo assim fez o mundo e os seres humanos tal como fez. E como é óbvio poderia ter feito as coisas de outra maneira: afinal de contas, no paraíso as coisas não são assim.

Em segundo lugar, não é fácil aplicar a defesa do livre-arbítrio ao mal natural, ainda que possamos aplicá-la ao mal moral. Os terramotos não resultam do livre-arbítrio humano. A resposta habitual a este problema é defender que Deus fez as leis da natureza como fez, e não nos protege sistematicamente das suas arbitrariedades trágicas, para nós aprendermos e crescermos espiritualmente. Ou seja, o mundo é uma espécie de campo de treinos, e todo o sofrimento foi por Deus planeado para que possamos crescer espiritualmente. É um pouco como pegar num filho e cortar-lhe uma perna, para ele aprender o que é a vida. Dado que isto é moralmente repugnante, segue-se que não existe tal Deus.

Em terceiro lugar, mesmo tendo criado as pessoas com livre-arbítrio, e admitindo que, por exemplo, as leis da natureza não poderiam ter sido diferentes do que são, não há qualquer razão para pensar que Deus não poderia ter feito as pessoas mais éticas. Afinal, as pessoas mais éticas não são com certeza menos livres do que as outras. Uma boa pessoa, altruísta e verdadeira, é tão livre quanto um homicida mentiroso e hipócrita. Perante isto, a hipótese de que as pessoas são o que são em função da simples evolução natural é muitíssimo mais plausível do que sob a hipótese de que Deus as criou com uma alma imortal.


DUAS CONFUSÕES

Uma confusão comum quando se fala de filosofia da religião é pensar-se que não definimos adequadamente o deus de que estamos a falar. Isso é falso. Em qualquer bom livro de filosofia da religião começa-se precisamente por definir as propriedades básicas do tipo de entidade cuja existência queremos discutir. Geralmente, o que está em causa é a existência ou não de uma qualquer entidade que seja omnipotente, omnisciente, criadora, pessoal e sumamente boa (ser pessoal significa que não é uma força da natureza, por exemplo). Chama-se a qualquer deus que tenha estas propriedades um deus teísta (distinguindo-se de outros deuses, como os deuses romanos, por exemplo, que não tinham todas estas propriedades conjuntamente).

Outra confusão comum quando se fala de filosofia da religião é pensar que toda esta discussão sobre a justificação das crenças religiosas é irrelevante porque as pessoas crentes não são crentes por causa de tais justificações. Mas que isto é uma confusão vê-se facilmente se pensarmos que a maior parte de nós acredita que nenhum objecto pode viajar mais depressa do que a luz, sem o podermos justificar primariamente; mas daí não se segue nem que não há boas razões para ter tal crença nem que não é interessante e importante descobrir se há ou não tais razões.


LEITURAS

Estas notas mal tocam na superfície da filosofia da religião. Apresentei versões simplificadas dos argumentos tradicionais hoje em dia discutidos pois dificilmente se compreende os argumentos actuais sem compreender estas versões simplificadas. Para saber mais sobre esta área, aconselho os seguintes livros introdutórios:

  • Será Que Deus Existe?, de Richard Swinburne (Gradiva)
  • The Miracle of Theism, de Mackie (Oxford)
  • Philosophy of Religion, de Rowe (Wadsworth)
  • Philosophy of Religion: A Guide and Anthology, org. Brian Davies (Oxford)".







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