04/08/2011

Uma explicação do Dilema de Êutifron



“A piedade é amada pelos deuses, porque é piedade, ou é piedade, porque é amada pelos deuses?” (Platão, Êutifron, 10a).

O filósofo James Rachels (2004: 83-84) ajuda a compreender este dilema:
1. Suponhamos que Deus ordena a realização do bem moral. Então ou a) as acções correctas são correctas porque ele as ordena ou b) ele ordena-as porque são correctas;
2. Se seguirmos a opção a, os mandamentos de Deus são, do ponto de vista moral, arbitrários; além disso, a doutrina da bondade de Deus perde todo o sentido.
3. Se seguirmos a opção b, teremos então reconhecido um padrão de bem e mal moral independente da vontade de Deus. Teremos, com efeito, abandonado a concepção teológica de bem e mal moral.
4. Logo, temos de encarar os mandamentos de Deus como arbitrários e abandonar a doutrina da bondade de Deus, ou admitir que há um padrão de bem e mal moral independente da sua vontade e abandonar a concepção teológica de bem e mal moral;
5. Do ponto de vista religioso, é inaceitável encarar os mandamentos de Deus como arbitrários ou abandonar a doutrina da bondade de Deus;
6. Logo, mesmo do ponto de vista religioso, tem de se aceitar um padrão de bem e mal moral independente da vontade de Deus.

Mais informações sobre o dilema de Êutifron:
Contra a teoria ética dos mandamentos divinos.

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