29/07/2011

Será legítimo ter fé?



O filósofo Simon Blackburn considera que não é legítimo ter fé, explicando as suas razões no seguinte parágrafo: 

Seria fácil encher um livro com os horrores da ética inspirada pelo monoteísmo: a ética do Deus sádico. Mas a única acusação que farei aqui é esta: a primeira e, demasiadas vezes, a única virtude das religiões monoteístas é a fé, porque é a fé que mantém o rebanho unido, e nos define a Nós, do lado de dentro, contra Eles, do lado de fora. Mas a fé não é uma virtude. A fé é a credulidade: a condição de acreditar em coisas para as quais não há razões. É um vício, e inevitavelmente encoraja outros vícios, incluindo a hipocrisia e o fanatismo. Tem de ser dito, e em voz alta, que não faz mais sentido falar de escolas inspiradas na fé ou em ensino inspirado na fé do que em ciência baseada na superstição ou em debate baseado no terror. Houve e há, evidentemente, pessoas cultas e de espírito aberto a professar vários tipos de fé, mas a sua cultura e abertura de espírito verificaram-se apesar das suas superstições, não por causa delas. A fé é, na sua essência, inimiga da educação e da cultura, as quais ensinam as pessoas a fundamentar as suas crenças na razão e apenas na razão. (Fonte: Será o relativismo importante?).

O leitor concorda com as razões apresentadas por Blackburn? 
Será a fé um vício ou uma virtude?



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