02/07/2011

Concepções da Justiça



O livro “Concepções da Justiça” (Ed. 70, 2011) de João Cardoso Rosas parece-me uma excelente introdução à filosofia política contemporânea, em que aborda criticamente o liberalismo-igualitário, o libertarismo, e o comunitarismo. Com um pequeno excerto da nota introdutória percebe-se bem qual é a finalidade deste livro:

"Este livro visa familiarizar os leitores com os eixos fundamentais da reflexão contemporânea sobre o conceito de justiça. O capítulo I procura esclarecer o modo como os pensadores políticos contemporâneos abordam o assunto, distinguindo a sua metodologia de outras abordagens usuais na história da Filosofia ou Teoria Política. (…).
No capítulo II, explicita-se a concepção liberal-igualitária da justiça. Esta concepção alicerça-se no labor teórico do norte-americano John Rawls e constitui o centro e o cerne da Filosofia e Teoria Política contemporâneas. Podemos mesmo dizer que as concepções adversárias desta são, em grande parte, desenvolvidas contra Rawls e os seus amigos. Assim, a concepção de justiça radicalmente individualista desenvolvida por Robert Nozick e outros – a que chamamos “concepção libertarista” – constitui uma primeira via possível de crítica e alternativa à concepção de Rawls. O capítulo III dedica-se à sua análise. Na barricada teórica contrária a esta situa-se a crítica comunitarista a Rawls, iniciada por Michael Sandel e desenvolvida por diversos pensadores, como por exemplo Michael Walzer. Essa concepção comunitarista da justiça é o objecto do capítulo IV.
Nota-se que as três grandes concepções aqui analisadas – liberal-igualitária, libertarista e comunitarista – patenteiam modos diferentes de pensar e justificar aquilo em que a justiça consiste, mais do que simples alternativas políticas no sentido comum da palavra. Pretendemos apresentar essas diversas correntes, ou concepções da justiça, na sua melhor forma e, sobretudo, fazê-las dialogar entre si, evitando a sua simples descrição como paradigmas estanques. Caberá ao leitor decidir qual das concepções analisadas mais o seduz e, eventualmente, para que tipo de acção política essa concepção poderá conduzi-lo".
Nos últimos dois capítulos o autor trata ainda de problemas práticos da aplicação da justiça, nomeadamente no que diz respeito ao desafio do multiculturalismo e da justiça global. É um livro que vale a pena ler!


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