09/06/2011

Revista Defacto: sobre o coração


Recentemente (em Maio de 2011) foi publicada a revista Defacto da Escola Secundária Alberto Sampaio. A edição da revista deste ano, referente ao número 19, é dedicada ao “coração”.


Vale a pena ler o editorial assinado pelos professores Amadeu Santos e José Miguel Braga:

“De coração cheio e espírito aberto, eis-nos neste pequenos mas agradável lugar do mundo que a ESAS é, aqui convertida em cada de papel – a Defacto, à beira de festejar duas décadas de vida. Tentamos que a nossa palavra sobreviva, serena mas tocante, escapando por momentos ao ruído dominante da crise e do mercado, do terrível poder do dinheiro e das sereias que cantam ao seu serviço.
Cantais demais, agitadas sereias, tentando os nossos ouvidos num país onde – evocando ainda o diabo de Poe – «não há repouso nem silêncio». O vosso mel, sereias, é de ocasião: havendo votos, cantais mais doce a «escola pública», o «estado social» e outros estribilhos, tudo o que, porém, desiludis. Quereis amaciar o nosso descontentamento, calar a nossa indignação. Calai vós os vossos discursos redondos que prometem o que não cumprireis e escondem o nada que nos quereis dar, depois de nos terdes tirado tudo: dignidade profissional, direitos básicos e prazer de ensinar. «Rapinastis coelhorum et pernis perdigatorum e mijais nos campanairos!», já dizia o Parvo de Gil Vicente.
«Pai, afasta de mim esse cálice» de doce cicuta e repele para longe essas «paixões» pela educação que sejam feitas de tentações centralistas, de orgia de decretos, portarias e despachos, do burocratês que nos mandam ler, do espantalho dos medos e obediências, de projectos para corrigir e emendar, anular e repor. Calai as velhas e as novas sereias que, com cantorias diferentes, querem ir ao mesmo. Tirai, sereias, a vossa mão esquerda de cima das nossas cabeças e a vossa mão direita de dentro dos nossos bolsos. Chegai para lá o vosso repetido refrão. Melhor que haja silêncio e repouso. E tínhamos tanto para vos dizer, tivésseis vós ouvidos para ouvir.
Cantemos nós agora à nossa gente música melhor. A desta revista, que vem do coração, órgão vital e metáfora. E dizer coração é dizer cuidados de saúde e estilos de vida, é dizer afectos e emoções, amores e desamores, enfim, humanidade. Tema forte o que trazemos, pudera que o tratemos bem. Nós tentamos, estudantes, professores e convidados, da nossa e de outras escolas. Procuramos paisagens e intensidades, o «espaço interior mudo» (Rilke) onde «o profundo é uma chamada amorosa» (María Zambrano).
Que a nossa voz possa ser um ribeirinho, um fio d’água que se dirige para uma espécie de sede humana, a de reflectir e compor as coisas em convívio na natureza e na cultura. E assim estaremos por aí e por ali interessados por ver aparecer a Defacto. E ó que alegria de coração”.


Nota final: nas páginas 58 e 59 desta revista encontra-se um artigo meu, com o seguinte título «Só se vê bem com o coração!». Neste texto procurei, a partir da antropologia esboçada noutros lugares, analisar filosoficamente o capítulo XXI da obra «O Principezinho» de Saint-Exupéry.

Pode pré-visualizar a revista Defacto em: 


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