07/01/2011

Sobre a Educação


Registamos alguns excertos do interessante livro O “Eduquês” em Discurso Directo de Nuno Crato:


“Apontamos em poucos parágrafos secos algumas ideias sobre o que consideramos que se deve adoptar na educação.
Em primeiro lugar, julgamos que o ensino não precisa de reformulações drásticas nem de reviravoltas pedagógicas revolucionárias. (…) Ao invés de procurar sempre alternativas milagrosas e soluções radicais, pensamos que é necessário consolidar métodos provados e adoptar mudanças apenas para o que a experiência mostra poder funcionar. (…)
Em segundo lugar, é preciso centrar forças nos aspectos essenciais do ensino, ou seja, na formação científica de professores, no ensino das matérias básicas, na avaliação constante e na valorização do conhecimento, da disciplina e do esforço. (…)
É necessário reafirmar que o essencial na formação de professores é o conhecimento da matéria que ensinam. (…) Para terem à-vontade no ensino e poderem praticar métodos activos – por exemplo, envolvendo os alunos em projectos e actividades mais livres – necessitam de ter uma boa cultura geral, serem cidadão informados e conhecerem bem as matérias. Infelizmente, muitas escolas superiores seguem o caminho contrário e concentram-se no ensino de teorias e métodos pedagógicos, esquecendo os conteúdos disciplinares. Se é verdade que a formação pedagógica é útil e necessária, também é preciso reconhecer que ela não se pode tornar o aspecto central dos cursos de professores. A primeira e indispensável qualidade de um bom mestre é o conhecimento da matéria que lecciona. (…)
A avaliação é fundamental (…). Os alunos devem saber que há metas e devem-se ir preparando para as ultrapassar sequencialmente. A avaliação deve também incidir sobre os manuais escolares, onde existem erros e insuficiências graves.
O espírito de disciplina, trabalho, esforço, persistência e concentração deve ser desenvolvido nos estudantes de forma sistemática e progressiva. (…)
É indispensável adoptar expectativas exigentes para os estudantes e o seu trabalho. Dentro de limites muito vastos, os alunos adaptam-se às expectativas que deles se formam. Tratá-los como incapazes, como acontece muitas vezes nos currículos e manuais escolares, apenas os torna realmente incapazes. (…) Pelo contrário, currículos ambiciosos e avaliações rigorosas e continuadas trabalham a favor de estudantes mais bem preparados. (…)
Deve-se desenvolve o gosto pelas disciplinas e tentar motivas os alunos, mas não se pode limitar o ensino àquilo de que os alunos gostam, nem se deve balizar o progresso curricular pelo sentimento positivo dos alunos”.


Crato, Nuno (2006). O Eduquês em Discurso Directo - uma crítica da pedagogia romântica e construtivista. Lisboa: Gradiva, pp. 115-121.


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