29/11/2010

Do Multiculturalismo ao Diálogo Intercultural: Uma Perspectiva Tayloriana



Resumo da minha comunicação no Colóquio Internacional “CULTURA PORTUGUESA – INTERCULTURALIDADE E LUSOFONIA”, no dia 3 de Dezembro de 2010, às 15h00, na Sala - Pavilhão 1 da Faculdade de Filosofia da UCP (Braga):

A constatação cada vez maior de sociedades (como a nossa portuguesa) com a presença do fenómeno da multiculturalidade, em que diversas culturas heterogéneas tentam habitar o mesmo espaço comum, leva-nos a algumas questões, como por exemplo: Que políticas adoptar perante estas sociedades cada vez mais constituídas por uma enorme diversidade de grupos e de culturas? Como agir perante uma sociedade multicultural? Diversos pensadores, como Will Kymlicka, Charles Taylor ou Iris Marion Young, tentaram (e ainda tentam) responder a estas questões.
No âmbito da nossa comunicação vamos abordar, a partir das nossas interpretações e reflexões, a resposta de Taylor. Deste modo, vamos sondar com acuidade a importância do «reconhecimento» que emerge como fundamental para os desafios do multiculturalismo, bem como procederemos à análise de toda uma série de conceitos, como: o ideal de autenticidade; a dimensão dialógica constituinte da identidade da pessoa e da sociedade; a complementaridade entre a política da igual dignidade e a política de diferença; o verdadeiro reconhecimento que acontece numa «fusão de horizontes»; entre outros...
Ao longo da nossa comunicação argumentaremos que a proposta de Taylor é mais exigente que meras políticas multiculturalistas que possibilitam a sobrevivência de culturas, mesmo a partir de uma coexistência atomística, separada e justaposta (que convém proteger dos outros). Taylor preocupa-se mais com identidades culturais autenticamente reconhecidas. Este verdadeiro reconhecimento emerge a partir do diálogo e de um horizonte fundido de critérios, onde cada cultura é respeitada na sua autenticidade (mas sem se cair em perigosos relativismos culturais) e onde também existe aprendizagem e transformação mútua para uma vivência comum em harmonia. Passa-se, assim, de uma mera coexistência de culturas (multiculturalismo) para um diálogo, encontro e inter-acção cultural.
Após percorrermos o itinerário em que tentamos abordar de forma sistemática a concepção filosófica de Taylor acerca do multiculturalismo, ou mais propriamente do alento à interculturalidade, vamos avaliar criticamente até que ponto a resposta de Taylor às perguntas iniciais é satisfatória. Assim, terminaremos a nossa comunicação realçando pessoalmente os pontos mais fortes da teoria de Taylor, como também salientando os limites que esta teoria apresenta para nós.





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