07/10/2010

Concepção mínima de moralidade


James Rachel (1941-2003) escreveu uma brilhante introdução à filosofia moral (Elementos de Filosofia Moral) onde aborda de uma forma muito clara e precisa as quatro principais teorias éticas: Ética Utilitarista, Kantiana, Contrato Social, e Ética das Virtudes. Este filósofo não se limita a fazer uma apresentação destas teorias, mas tenta avaliar a sua plausibilidade recorrendo a objecções e a contra-exemplos. Para além disso, aborda outros assuntos relacionados com a metaética: egoísmo psicológico, egoísmo ético, relativismo cultural, relação entre religião e moralidade, definição de moralidade, etc… Transcrevemos um pequeno e interessante excerto onde Rachel fala sobre a moralidade:

“A concepção mínima pode agora ser apresentada de forma breve: a moralidade é, pelo menos, o esforço para orientar a nossa conduta pela razão – isto é, para fazer aquilo a favor do qual existem melhores razões – dando simultaneamente a mesma importância aos interesses de cada indivíduo que será afectado por aquilo que fazemos.
Isto oferece, entre outras coisas, uma imagem do que significa ser um agente moral consciente. O agente moral consciencioso é alguém preocupado imparcialmente com os interesses de quantos são afectados por aquilo que ele, ou ela, fazem; alguém que cuidadosamente filtra os factos e examina as suas implicações; que aceita princípios de conduta somente depois de os examinar, para ter a certeza de que são sólidos; que está disposto a «dar ouvidos à razão» mesmo quando isso significa ter de rever convicções prévias; alguém que, por fim, está disposto a agir com base nos resultados da sua deliberação.
É claro que, como seria de esperar, nem todas as teorias éticas aceitam este «mínimo». Como teremos oportunidade de ver, este retrato do agente moral tem sido posto em causa de várias maneiras. No entanto, as teorias que rejeitam a concepção mínima debatem-se com sérias dificuldades. A maioria dos filósofos apercebeu-se disto, e por isso a maior parte das teorias da moralidade incorpora, de uma forma ou de outra, a concepção mínima. Não discordam sobre o mínimo mas sobre como poderemos alargá-lo, ou talvez modificá-lo, de maneira a alcançar uma concepção de moral inteiramente satisfatória”.



Fonte:
James Rachel - Elementos de Filosofia Moral. Tradução de F. J. Azevedo Gonçalves. Lisboa: Gradiva, Janeiro de 2004, pp. 31-32.


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