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    Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

    Educação – Algumas Questões

    “Deve a educação preparar competidores aptos para o mercado de trabalho ou formar homens completos? Deve potenciar a autonomia de cada indivíduo, amiúde crítica e dissidente, ou a coesão social? Deve desenvolver a originalidade inovadora ou manter a identidade tradicional do grupo? Atenderá à eficácia prática ou apostará no rasgo criador? Reproduzirá a ordem existente ou instruirá os rebeldes que podem vir a fazê-la ruir? Manterá uma escrupulosa neutralidade face à pluralidade de opções ideológicas, religiosas, sexuais e outras diferentes formas de vida (drogas, televisão, polimorfismo estético…) ou ponderará para documentar o preferível e propor modelos de excelência? Podem utilizar-se, em simultâneo, todos estes objectivos ou alguns deles são incompatíveis? Neste último caso, como deve decidir por quais optar? E outras perguntas se abrem, inclusive por debaixo das anteriores até escavar os seus alicerces: existe alguma obrigação de educar toda a gente de igual modo ou deve haver diferentes tipos de educação de acordo com a clientela a que se dirigem? A obrigatoriedade de educar é um assunto público ou antes uma questão privada de cada um? Por acaso existe obrigatoriedade ou até a possibilidade de educar qualquer um, o que pressupõe que a capacidade de aprender é universal? Mas vejamos por que deve ser obrigatório educar? Etc”.

    Fernando Savater – O valor de educar. Ed. Presença, 1997, p. 17.

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