27/05/2010

Bases de dados enquanto ferramentas cognitivas


Este post foi criado tendo por base o livro Computadores, Ferramentas Cognitivas” de David Jonassen. Nomeadamente debruçamo-nos sobre o capítulo 3: “Bases de dados enquanto ferramentas cognitivas”. Procuramos também elucidar o post com alguns exemplos concretos à área de filosofia.
Mapa_conceptual
Sistemas de gestão de bases de dados
Os sistemas de gestão de bases de dados são “armários de arquivos” electrónicos que permitem aos utilizadores armazenar informação num sistema de arquivo organizado (e que de certa forma substitui os sistemas de recuperação de informação baseado em papel). Do mesmo modo que podemos armazenar papeis e documentos num arquivo com multigavetas num escritório, também podemos fazer essa tarefa a partir de um armazenamento informático de informação. Aliás, esta última tem várias vantagens: permite a compactação (documentos que ocupariam uma sala cheia de arquivos agora pode caber, por exemplo, numa simples e pequena pen-disk), a velocidade de registo de informação (a partir do teclado, código de barras, voz, etc), o acesso à informação é fácil e rápida, bem como a actualização dos registos.
Estes sistemas de gestão de bases de dados são constituídos por vários elementos (ver vídeo [screencast] que está em baixo): [1] a base de dados, [2] um sistema de gestão de ficheiros, [3] ferramentas de organização de base de dados, e [4] funções de relatório (impressão).
Segundo Jonassen, os sistemas de gestão de bases de dados permitem-nos essencialmente “armazenar informação de uma forma organizada e localizada ou dispor a informação na base de dados para nos ajudar a responder a consultas acerca daquela informação”.
Os alunos podem usar sistemas de gestão de bases de dados como ferramenta cognitiva através da utilização das funções para analisar e introduzir conteúdos em bases de dados, como também serve este propósito a consulta e ordenação das bases de dados para responder a perguntas específicas ou para procurar inter-relações e inferências.

As bases de dados enquanto ferramentas cognitivas
De acordo com Jonassen, “quando usado como ferramenta cognitiva, um sistema de gestão de bases de dados ajuda os alunos a integrar e inter-relacionar conteúdos, tornando-os, por sua vez, mais significativos e memorizáveis”. No entanto, não se versa apenas sobre a dimensão da consulta, mas sim essencialmente incide sobre o aspecto criativo e construtivo da base de dados. E assim: “construir bases de dados exige que os alunos organizem a informação, identificando as dimensões subjacentes ao conteúdo”. Por exemplo, os alunos de filosofia podem criar uma base de dados com o registo dos filósofos e tendo como campos as suas teorias, argumentos, correntes, estabelecendo até ligações com outros filósofos que o influenciaram, etc... Deste modo, todo este processo de pesquisa e criação da base de dados (a decisão dos campos necessários, a sua dimensão, ordenação, etc) pode ser, segundo Jonassen, uma actividade educativa muito significativa. É também importante salientar que esta ferramenta cognitiva coloca o aluno num papel activo e não passivo; assim, o aluno é não um mero depósito acrítico, mas um sujeito co-construtor do seu conhecimento.
Em suma, Jonassen advoga que a construção de base de dados é uma tarefa analítica que envolve uma variedade de competências de pensamento crítico, criativo e complexo. Sublinha mesmo que construir uma base de dados é uma das maneiras mais ricas e poderosas de estudar para um exame.
Para além disso, num aspecto muito concreto, as bases de dados podem servir de guia de estudo ou como fichas de trabalho electrónica. Por exemplo, o professor de filosofia fornece uma base de dados modelo (com os seguintes campos: título do texto, autor, assunto/tema, problema em análise, tese defendida, argumentos a favor da tese, objecções à tese, resposta do autor às objecções, conclusões, posição pessoal do aluno em relação ao texto, etc…), o aluno cria essa base de dados de “análise de texto filosóficos” e preenche-a à medida em que estuda os materiais e textos dados pelo professor. Este guia de estudo, a partir da base de dados, orienta os alunos na identificação dos elementos mais importantes dos textos filosóficos, facilita a comparação dos argumentos em textos com o mesmo assunto/tema, bem como ajuda a uma melhor preparação quer para o teste quer para a escrita de ensaios filosóficos.
A criação da base de dados permite trabalhar no aluno as competências de concepção, resolução de problemas e tomada de decisão. Da mesma forma, esta ferramenta cognitiva (que incita o pensamento crítico, complexo e criativo) conduz a um pensamento de ordem superior, pela avaliação/selecção, análise, e relacionamento da informação de modo a enriquecer a base de dados. Este processo pressupõe que os alunos reconheçam padrões, identifiquem pressupostos e ideias principais, bem como comparem e contrastem informação, entre outros.

:-) Vantagens das bases de dados enquanto ferramentas cognitivas
:-( Limitações das bases de dados enquanto ferramentas cognitivas
- Os alunos são envolvidos activamente na tarefa.
- Os alunos constroem activamente estruturas de conhecimento.
- Existe um processamento significativo de informação.
- Facilita processo de consulta e ordenação, bem como comparação e relação da informação.
- Facilidade de registar dados, reordenar, contrastar, etc…
- Os críticos reclamam que estas actividades produzem nada mais do que um resumo tabular da informação.
- As representações divergentes (que se constroem individualmente) da base de dados podem confundir mais os alunos do que esclarecê-los. [Então, é necessário um projectos conjuntos sobre bases de dados].

Programas recomendados: Access (do Microsoft Office), FileMakerPro, entre outros…

Gostou deste artigo? Receba outros por e-mail, assine a nossa newsletter. Digite aqui o seu e-mail:

Este artigo, com comentários, encontra-se no seguinte tema:

Escreva aqui os seus comentários ao artigo "Bases de dados enquanto ferramentas cognitivas":

5 Domingos Faria: Bases de dados enquanto ferramentas cognitivas Este post foi criado tendo por base o livro “ Computadores, Ferramentas Cognitivas ” de David Jonass...
< >