“(…) a formação do gosto, seja em que contexto for, é dispendiosa em tempo e dinheiro, sem qualquer possibilidade de dar lucro imediato. Num mundo virado para a produtividade que compensa monetariamente os indivíduos melhor preparados do ponto de vista profissional, ensinar a fruir os objectos estéticos nas horas livres, torna-se cansativo e pouco compensador. No máximo, se a vida nos correr bem, encomendamos uma ou outra planta para a moradia com que sonhamos a um arquitecto mais na moda; compramos, sem qualquer critério, quadros e esculturas aos profissionais do ofício com nome firmado na praça para mostrar às nossas visitas o gosto que não possuímos; adquirimos os livros dos escritores e poetas mais em voga, arrumando-os seguidamente numa estante sem sequer terem sido folheados. E assim exerceremos o nosso dom artístico que as escolas tão bem souberam apurar! Finalmente, no tempo em que os media dominam por completo o espaço público, passaremos a deliciar-nos com a impressão estética que os corpos dos “heróis” do cinema e da moda vão exibindo exaustivamente em tudo quanto é meio de comunicação de massas. Para terminar, esbugalharemos os olhos e a imaginação na beleza medida dos 86/60/86. E, assim, esgotaremos todo o nosso conhecimento estético, adquirido em muitas e penosas horas curriculares”.
MANSO, Artur – Para uma educação estética. Porto: Marânus, 2008, p. 14
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