17/08/2009

Visões de história - Visão Renascentista



Segundo Ferrater Mora, Vico defende uma estranha teoria do conhecimento. A mente humana é, antes de tudo, uma substância racional, uma coisa que pensa. Contudo, o homem pode pensar nas coisas, mas não entende-las. Só Deus conhece e compreende tudo, porque tudo fez.
Para Vico ciência é, essencialmente, ciência dos objectos não físicos, ciência da realidade espiritual. Por outro lado, concebe a história como uma nova ciência, pretendendo estabelecer os princípios da “história ideal eterna”. A visão de Vico centra-se fundamentalmente na história, pois, só pela história pode a natureza e a natureza humana ser penetrada e compreendida. História que é pensada e ditado por uma providência, que é “Deus supremo e verdadeiro” que “não é fogo, que tudo devora, mas amor que tudo une”. Esta providência não permite que a sociedade humana subsista sem ordem ou sem Deus. É a providência que rege a sociedade humana, de modo a permanecer no seu caminho.
A concepção de liberdade para Vico é para tudo, menos para o desencaminhar-se. Portanto, a providência tem o objectivo de vigiar o curso da história humana, para não existir desordem. Contudo, é permitido a desordem na medida em que for muito transitória. Vico considera a desordem necessária, mas limitada a um momento. Assim, a desordem é necessária para existir uma nova ordem. Constatamos, então, que existe um renascimento perpétuo da vida humana, da passagem da ordem para a desordem, e consequentemente, da desordem para a ordem. Daí a designação de “visão renascentista”. “A história nasceu uma só vez com a criação do homem, mas já renasceu muitas vezes e parece ir a caminho de um renascimento perpétuo, de uma perpétua destruição e reconstrução de si mesma”. Assim, a filosofia da história de Vico é a filosofia dos povos que se negam em morrer. A história é constante renovação, que dá vida aos mais jovens e esperança aos mais velhos.
Vico concebe a história em três idades (tempos). São elas: divina, heróica, e humana. Não são realidades ou tempos que se esgotam, mas que estão em renovação constante. A humanidade ao chegar à idade humana não chega à idade final. A idade humana é apenas transitória. Pode ser uma idade moderada e razoável, mas isso, segundo Vico poderá ser uma aparência, pois, a humanidade vai-se corrompendo. Então, o retorno à simplicidade primitiva aparece como salvação da corrupção da humanidade.
Deste modo, a história resume-se a um contínuo renascimento, ou seja, a uma interminável agonia. Sendo impossível alcançar para sempre um estado perfeito.

Ao contrário da visão de Santo Agostinho, não existe propriamente o fim da história. Portanto, a história repete-se eternamente. Isto origina uma tremenda agonia, nunca é alcançada a perfeição. Será esta uma boa visão da história? Pensamos que a história é mais contínua que circular. O homem tende sempre o infinito, mesmo que inconscientemente; por isso, achamos que o homem não anseia regressar ao estado divino e selvagem, mas pelo contrário, cada vez mais aperfeiçoar-se e atingir a perfeição inatingível.


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