17/08/2009

Visões de história - Visão Racionalista



Voltaire no desenvolvimento da sua filosofia utiliza o método da ironia. Este método foi utilizado por Sócrates, para demonstrar aos presunçosos que nada sabiam. Do mesmo modo, a ironia era o método preferido dos românticos, que viam a ironia como fantasia criadora.
Voltaire quer viver a partir de crenças firmes, que sejam ideias claras. Não é no materialismo que encontra a ideia clara. Mas, na maior solidão e isolamento. Para Voltaire a ironia designa-nos uma maneira de viver, que é viver só. Portanto, Voltaire encontra-se na realidade, problematicamente só.
Rousseau influencia Voltaire no que concerne à maldade dos homens, que será a sua visão e o seu sonho da história. Toda a maldade do homem é devido à natureza, que é instinto e confusão. Assim, o homem é mau porque não se afastou suficientemente da natureza. Deste modo, Voltaire busca a bondade. As maldades do homem são próprias da permanência na natureza. Mas, surge a esperança. Para se passar da paixão à razão, da ignorância ao saber, da obscuridade à luz.
A razão é algo que o homem deve por seu próprio esforço conquistar. A conquista da razão é o que constitui a história do homem. Consequentemente, surge um dilema. Onde se poderá alojar a razão? Voltaire defende que o alojamento seguro da razão será nos homens de inteligência; “a frieza da razão e da verdade, a sua localização, a sua pouca ternura, são, precisamente, para Voltaire, a maior garantia de que jamais hão-de enganar”. Não é um bom alojamento nos homens de coração, porque a verdade e a razão não podem instalar-se no coração; “o coração é a grande mentira, o lugar de agitação e da contradição”. Constatamos assim, que Voltaire dá-nos uma visão da razão áspera e rigorosa, mas pela sua própria aspereza pode encontrar a bondade mais que o coração.
Depois da razão instalada, o que interessa alcançar é a verdade. Pois, Voltaire quer compreender a história e saber o que verdadeiramente se passou nela, para criticá-la. Para assim, ler a história como um filosofo, isto é, ler o passado à luz da razão e da crítica.
Voltaire também concebe a ideia de Deus. Mas, é uma concepção de Deus deísta, ou seja, é uma inteligência fria, um Deus que não intervém no mundo.
Em suma: visão de história para Voltaire é a luta contra o mal, a qual é necessária a intervenção dos homens. Depois, só o poder que seja intencionado e amante da razão poderá preservar a razão resgatada do mal. Todos podem participar da razão, serem salvos, e não somente os eleitos. Ser salvo ou participar da razão implica um desprendimento do mal. Por isso, é necessária uma atitude de caminho para a luz.
Portanto, Voltaire defende que não é a razão que derrama a sua luz sobre o mundo, mas a bondade. E a sua filosofia, visão histórica, poderá tornar-se numa forma de vida, na medida em que se efectua o desprendimento do mal, para existir uma natureza e história purificadas.

Pensamos que a nossa sociedade deve ir ao encontro da razão, luz. E não em estar adormecida na realidade obscura, repleta de névoa. Uma pessoa não pode limitar-se à resignação, à queixa, e às crenças de piedade e misericórdia; mas, deve intervir e lutar. Sabemos que a vida é trágica, mas o homem tem que lutar pelo bem da humanidade. Cada um deve ter coragem de sair de si próprio e lutar, trabalhar, incomodar-se. Talvez, só assim exista uma sociedade mais perfeita


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