17/08/2009

Visões de história - Visão Absolutista



Hegel considera que todos os sistemas filosóficos (apresentados como sucessão de opiniões divergentes) até ele, devem ser considerados como etapas sucessivas de um só e mesmo desenvolvimento (que progride dialecticamente). A sua filosofia é o resultado deste desenvolvimento. Ela deve conter todos os degraus anteriores num sistema final, definitivo que as absorve numa síntese superior. Assim, o seu sistema filosófico é a maturação e a realização plena, numa unidade interna, de todas as filosofias anteriores.
A visão de Hegel poderá ser vista em três momento: tese, antítese e síntese. No primeiro momento (tese), encontramos a Ideia em si, isto é, o indeterminado, algo abstracto, que não tem consciência de si como tal, e é um Ideia em si por realizar. Por isso, a Ideia, antes de toda a existência, parece ter tomado um dia consciência de que não se bastava a si mesma, de que a sua verdade era só meia verdade. Surge, então, a antítese, o segundo momento, que culmina com a criação do mundo. Criação que não é arbitrária, mas necessária. Porém, a Ideia ao sair de si mesma, aliena-se, põe-se fora de si. A Ideia quer experimentar tudo, criar toda a espécie de conflitos, pois, só assim alcançará a sua plena verdade. A Ideia converte-se em natureza, que é a alternância, o ser perfeitamente outro da Ideia. Ao afastar-se do seu ser, da sua tranquilidade, da sua inocência, a ideia perde-se, extravia-se, permanece desorientada e pervertida. Em suma: a ideia ao tornar-se louca, enfurece-se, altera-se, mas sem deixar de ser ela mesma. Contudo, quando a Ideia alcançou os confins de si mesma, em que se encontrava absolutamente perdida e desorientada, começa a aplacar-se, a mudar de novo, enriquecida com todas as experiências. Deste modo, revela-se o terceiro momento, a síntese, quando a Ideia conquista a liberdade, recua sobre si mesma, para chegar a ser verdadeiramente ela mesma, sem alterações nem alienações. É o momento do Espírito Absoluto, que é algo concreto, vivo, activo, palpitante. A Ideia Absoluta, convertida em Espírito Absoluto, é finalmente o regresso da Ideia a si mesma, o bem merecido descanço. É esta a missão da história.
Para Hegel, história é o processo de realização da liberdade, é um processo teleológico, cuja finalidade é a progressiva revelação da liberdade, realização do Espírito Absoluto. História é só a evolução do Espírito e a sua luta para chegar a ser ele mesmo, para se desvincular da opressora natureza e fazer-se livre. A história termina com a libertação definitiva do Espírito, e a sua conversão em Espírito Absoluto, termina com a ideia da liberdade, que só existe como consciência de necessidade. Mas, a história apenas surge quando o Espírito começa a conhecer-se a si próprio, e já abandonou a existência orgânica. Enquanto há ignorância da liberdade (do bem e do mal), não há propriamente história, mas pré-história. Portanto, o fim de cada povo é revelar o Espírito.
A liberdade é um conceito a salientar no sistema hegeliano. Para Hegel, livre não é quem faz o que quer, mas o que faz o que deve fazer, para realizar a sua essência. E a liberdade da história, é o cumprimento inexorável do fim, submissão de si mesmo, conhecimento cabal do que o Espírito é verdadeiramente.
É de relevar que neste sistema filosófico de Hegel a filosofia não é um consolo, mas uma purificação do real e um remédio para toda a injustiça aparente.

Apesar de ser um sistema filosófica muito bem concebido e com muita lógica, pensamos que é também um sistema demasiado dogmático, que anula por completo todos os acidentes e pequenos acasos que possam acontecer. O facto de ser também um sistema elaborado a priori, preconcebido, tentando construir-se um mundo de modo dedutivo, talvez não deixe muito espaço para o acaso e a espontaneidade. Talvez o universo natural não possa ser apreendido especulativamente, devido à sua evolução e dinâmica. Do mesmo modo, será que o homem se reduz simplesmente a uma abstracção ou ideia? Certamente não. O homem é um ser abrangido por muitas outras esferas e pensamos que não pode ser reduzido a uma ideia. No sistema de Hegel parece denotar um carácter demasiado fatalista, tudo caminha para o Espírito Absoluto e não há lugar para outros caminhos.


Gostou deste artigo? Receba outros por e-mail, assine a nossa newsletter. Digite aqui o seu e-mail:

Este artigo, com comentários, encontra-se no seguinte tema:

Escreva aqui os seus comentários ao artigo "Visões de história - Visão Absolutista":

5 Domingos Faria: Visões de história - Visão Absolutista Hegel considera que todos os sistemas filosóficos (apresentados como sucessão de opiniões divergentes) até ele, devem ser considerad...
< >