25/08/2009

A teoria teleológica de William James


James tinha interesse pela ciência e pela pintura. Estudou pintura, química, anatomia comparada, fisiologia, mas acabou por se licenciar em medicina no ano de 1869. Teve encontros com Peirce, associando-se a todo um grupo de intelectuais de Cambridge.

É de salientar que a controvérsia darwiniana teve interesse pessoal para James. E também foi marcante o seu débil estado físico (dores de costas). Porém, apesar disso, continuou os seus estudos, mas agora virado para o campo da psicologia[1].

A filosofia foi algo que o acompanhou durante toda a vida, até ao ponto de querer formar uma sociedade filosófica, com reuniões regulares, para discutir só as mais elevadas e amplas questões. Chamou-se “Clube Metafísico”, nascendo no início da década de 70 em Cambridge. Era um clube formado por “homens práticos”, onde discutiam e iam ao fundo das questões.

Talvez seja importante referir que em 1868 debatia-se com o problema da justificação de “uma orientação espiritual para a vida”… passou também por estados emocionais de frustração, desespero e impotência. Foi aí que percebeu que a sua recuperação dependia da força de vontade. Porém, havia um embaraço filosófico: como é que se podia exercer a vontade se o mundo era determinista[2]?

Mas, a leitura de Charles Renouvier fê-lo mudar de opinião: “penso que ontem foi um dia de crise na minha vida. Acabei a primeira parte dos segundos Essais de Renouvier e não vejo razão para que a sua definição de livre arbítrio - «a sustentação de um pensamento porque assim escolhi, quando poderia ter outros pensamentos» - dever ser a definição de uma ilusão (…) o meu primeiro acto de livre arbítrio será acreditar no livre arbítrio”[3].

Seguindo esta sua nova mundividência de livre arbítrio, trabalhou no livro “Principles of Psychology”, onde a concepção de livre arbítrio de Renouvier é integrada na teoria reflexa da mente. Esta teoria toma a unidade estruturada do sistema nervoso como sendo uma tríade de percepção, pensamento e vontade[4].

James concebe então essencial a força da própria vontade, a confiança na liberdade de agir.


[1] Principalmente Wundt.

[2] Determinista – como Spencer e Fiske o tinham convencido. Para Herbert Spencer não havia lugar para o livre arbítrio, pois concebia a mente como um complexo sistema mecânico…

[3] Diário de James, no dia 30 de Abril de 1870.

[4] Percepção – veicula o que é dado pela experiência; pensamento – exibe a consciência; vontade – que indica a própria mente.



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