16/08/2009

Religião



O termo religião muitas vezes não significa verdadeiramente religião. Dawkins denuncia que “muito do que as pessoas fazem é em nome de Deus. Os irlandeses mandam-se uns aos outros pelo ar em nome de Deus. Os árabes mandam-se a si próprios pelo ar em nome de Deus. Os imãs e os aiatolas oprimem as mulheres em nome de Deus. Os papas e os padres celibatários destroçam a vida sexual das pessoas em nome de Deus. Os shohets judeus cortam a garganta de animais vivos em nome de Deus. As proezas da religião no passado ― cruzadas sangrentas, inquisições que praticavam a tortura, conquistadores que assassinavam em massa, missionários que destruíam culturas, resistência reforçada legalmente e até ao último momento possível a cada nova verdade científica ― são ainda mais impressionantes”1. Do mesmo modo, Bertrand Russell defende que “quanto mais fervorosa foi a religião numa determinada época e mais profundo o dogmatismo, tanto maior foi a crueldade e pior o estado do mundo. Nos séculos em que a fé foi mais viva e em que os homens aceitaram a religião cristã na sua integridade, tivemos a Inquisição e as torturas”2.
Deste modo, constatamos que a religião passa por vezes muito mais por perversão em vez de ser aquilo que verdadeiramente é. A religião só tem sentido se a entendermos como o estabelecer de novo a ligação entre todos os seres humanos em Deus. Se é um estabelecimento de uma ligação entre todos, a religião não pode então desfavorecer essa mesma ligação. Assim, religião não pode estar conotada com guerra, violência, sofrimento, egoísmo, crueldade, pois, são atitudes que comprometem negativamente a ligação entre todos. Para se estabelecer a ligação entre todos, e o que se manifesta verdadeiramente como religião, é o altruísmo, o dar-se aos outros, o ser com o outro e no outro, a entrega, a alegria, a vida, e sobretudo o amor – o amor a todos os seres humanos e a Deus. Só assim poderá se efectuar uma verdadeira ligação (relação, re-ligação, religião) entre todos em Deus.
1 DAWKINS, Richard – “A improbabilidade de Deus”. In: Filosofia & Educação. http://www.filedu.com. 31 de Julho de 2007.
2 RUSSELL, Bertrand – “Porque não sou cristão”. In: Filosofia & Educação. http://www.filedu.com. 31 de Julho de 2007.


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