25/08/2009

Pragmatismo


É um método filosófico frequentemente considerado como uma teoria da verdade. Parece ter nascido no “Metaphysical Club” fundado por Peirce, James e outros, em Cambridge, na década de 1870. Contribuíram muito para a sua expansão Dewey e Schiller. Cada um destes autores deu uma direcção e uma formulação diferente à doutrina do pragmatismo. Seguiram-se muitas outras formulações chegando o mesmo Schiller a a firmar que havia tantos pragmatismos como pragmatistas.
Seguindo a W. James, não obstante ser acusado, por vezes, de responsável pela distorção e incompreensão da doutrina de Peirce, poderemos considerar o Pragmatismo como uma filosofia do senso comum, com um método próprio, apregoando uma teoria da verdade ou do significado. O senso comum constitui uma plataforma de equilíbrio na evolução da mente humana. “É uma aquisição de antepassados remotíssimos, conduzindo a caminhos fundamentais do pensar, através de toda a experiência” (James). É uma forma arquetípica de agir. Significa bom juízo, isenção de excentricidade. É pelo senso comum e prática que uma pessoa se deve orientar, filosoficamente, entre os extremos da filosofia, a saber, entre o empirismo, com preferência pelos factos, e entre o racionalismo, com devoção pelo abstracto e pelos princípios eternos. Ora a prática demonstra que “uma pessoa não pode viver uma hora sem factos e sem princípios” (James). Daí que faça falta um método para se atingir o meio termo de todas as coisas, para desse modo se porem de parte disputas metafísicas intermináveis. Qual será a atitude sensata (pragmática) perante o racionalismo e o empirismo? O racionalismo costuma ser considerado intelectualista, idealista, optimista, religioso, defensor do livre-arbítrio, monista e dogmático. Por seu lado, o empirismo, a filosofia dos espíritos fortes, segundo James, é preferentemente tido como sensista, materialista, pessimista e céptica.
O senso comum ou prático dirá: “os factos são bons, dai-nos uma quantidade de factos. Os princípios são bons, dai-nos muitos princípios” (James). De idêntica maneira se comporta o mesmo senso comum com a questão do uno e do múltiplo, adoptando “uma espécie de monismo pluralista” e com o problema da liberdade, afirmando que “uma espécie de determinismo livre é a verdadeira filosofia” (James). E assim por diante. James dá o nome de pragmatismo à filosofia que satisfaz os dois géneros de exigências dos sistemas racionalista e empirista. O pragmatismo afasta-se da abstracção, das soluções verbais, das más razões “a priori”, de princípios fixos, de sistemas fechados, de pretensos absolutos, voltando-se para o concreto, para os factos, para as acções, para o poder. Intenta significar liberdade contra o dogmatismo, a artificialidade e a finalidade na verdade. E como não está à espera de resultados determinados, é por isso que o pragmatismo é simplesmente um método: “as teorias tornam-se instrumentos, não respostas a enigmas, à sombra das quais possamos descansar” (James). “O método pragmático significa apenas uma atitude de orientação. Uma atitude que desvia o olhar das coisas primeiras, princípios, «categorias», supostas necessidades, e que o concentra nas últimas coisas, frutos, consequência, factos”. James ressuscita em 1898, depois de 20 anos de esquecimento, o princípio fundamental da verdade de Peirce: “para se obter perfeita clareza nos nossos pensamentos sobre um objecto, basta-nos considerar que efeitos de género prático se podem conceber envolvidos no objecto – que sensações devemos esperar dele e que reacções devemos preparar”. Assim, para se saber qual é o significado de um pensamento basta determinar que espécie de conduta este pensamento poderá produzir.
Verdade para Dewey e Schiller significa o seguinte: “as ideias (que em si mesmas são apenas parte da nossa experiência) tornam-se verdadeiras precisamente e na medida em que nos ajudam a estabelecer uma relação satisfatória com as outras partes da nossa experiência”. Verdade é o nome de qualquer coisa que prova ser boa no sentido da crença, e boa também por determinadas e assinaláveis razões. O pragmatismo insurge-se contra a concepção estática da verdade, por a não poder conceber, mesmo epistemologicamente, em equilíbrio perpétuo. “Ideias verdadeira são aquelas que podem ser assimiladas, validadas, corroboradas e verificadas”. Para o pragmatismo a cópia da realidade está longe de ser essencial ao conceito de verdade: “essencial é o processo de ser guiado”. Uma coisa é útil porque é verdadeira e é verdadeira porque é útil. O pragmatismo quando fala de verdade “significa exclusivamente alguma coisa sobre as ideias enquanto os antipragmatistas parecem falar antes, frequentemente, de alguma coisa acerca dos objectos”.


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