25/08/2009

Pragmatismo Deweyano


John Dewey (1959-1952) foi um homem do século XX. Era conhecido como teórico da educação, bem como filósofo e psicólogo. Não poderemos esquecer o enorme papel que teve como pensador da educação. Salienta que os problemas da educação foram uma oportunidade para testar ideias filosóficas e psicológicas, bem como puramente educacionais.
De facto, foi um grande teórico da educação, ao ponto da sua filosofia educacional de Dewey espalhar-se por todo o mundo. Nomeadamente, a sua filosofia vê a educação como: “uma reconstrução contínua da experiência imatura em direcção a uma experiência fundada, com a aquisição de aptidões e hábitos de inteligência”. Para Dewey a escola é o mais importante meio de reforço e desenvolvimento de uma comunidade genuinamente democrática e a tarefa da democracia é, para sempre, a criação de experiência mais livre e mais humana, por todos partilhada e participada.
É de salientar que Dewey reconheceu veemente a importância filosófica de Peirce e de James, que “abandonaram a noção, que reinou sempre na filosofia desde o tempo dos gregos, segundo a qual a tarefa do conhecimento é desencobrir o real antecedente, em vez de, como é o caso nos nossos juízos práticos, ser a de obter o tipo de compreensão que é necessária para lidar com problemas à medida que eles surgem”. Tal como Peirce[1], Dewey via-se a si mesmo como um experimentalista. Assim, a concepção chave da filosofia de Dewey foi a “experiência”. No entanto, a palavra experiência era ambígua devido ao cartesianismo e hegelianismo. Deste modo, Dewey procurou restaurar o seu uso ordinário e idiomático; assim, “experiência” é familiaridade com uma questão de interesse prático, baseada em conhecimento presencial passado repetido, ou em desempenho. É algo que já vem de Aristóteles, como a capacidade para fazer alguma coisa, capacidade adquirida pelo fazer repetido dessa coisa, guiada por preceitos indicativos, mais do que por compreensão teórica.
Dewey refere ainda que o idealismo caiu no erro de identificar experiência com experiência cognitiva. Dewey advoga que “pelo nosso postulado, as coisas são o que se experiencia que elas são; e, a menos que conhecer seja o único modo genuíno de experienciação, é falacioso dizer que a Realidade é apenas, e exclusivamente, o que ela é ou seria para alguém omnisciente e omnipotente. (…) conhecer é um modo de experienciação e a exigência primeira é descobrir que tipo de experiência é conhecer”.
Neste horizonte de experiência, Dewey contrasta experiência (“directa”) primária com experiência (“reflexiva”) secundária[2]. Dewey descreve no seu livro “Experience and Philosophic Method” que relação existe entre “os objectos da experiência primária e os objectos da experiência secundária ou reflexiva. Que a matéria da experiência primária põe os problemas e fornece os primeiros dados da reflexão, a qual constrói objectos secundários. (…) Mas que papel desempenham precisamente os objectos conseguidos pela reflexão? Onde entram? Eles explicam os objectos primários, habilitam-nos a apreende-los com compreensão, em vez de termos apenas contacto sensitivo com eles. (…) eles definem ou projectam um caminho pelo qual o retorno às coisas experienciadas é de tal sorte que o sentido, o conteúdo significante, do que é experienciado ganha uma força expandida e enriquecida, por causa do caminho ou método pelo qual elas foram alcançadas”. Este método empírico de Dewey exige duas coisas da filosofia: (1) que os métodos e produtos elaborados possam ser reconduzidos à sua origem na experiência primária; (2) que os métodos secundários e as conclusões desse nível sejam trazidos de volta às coisas da experiência ordinária em toda a sua rudeza e crueza, para verificação.
Outras ideias que também poderemos ter em conta sobre Dewey diz respeito à concepção de liberdade, onde advoga que “num mundo que fosse completamente compacto e exacto em todos os seus constituintes, não haveria lugar para a liberdade”. É importante, do mesmo modo, salientar o papel da filosofia para Dewey na história da civilização, defendo aí que compreender a filosofia é compreender a sua função histórica. As filosofias, assim, são vistas como veículos e marcos de cultura: “a filosofia não é apenas um reflexo passivo da civilização que persiste através das mudanças, e que muda persistindo. É ela própria uma mundaça”. E é devido ao facto da cultura estar em permanente mutação que o trabalho filosófico nunca está acabado…

[1] Peirce opunha o espírito do cartesianismo ao do experimentalismo; defendia que a filosofia nos seus métodos deveria imitar as ciências de sucesso.
[2] Os objectos da experiência secundária são entidades teoréticas.


Gostou deste artigo? Receba outros por e-mail, assine a nossa newsletter. Digite aqui o seu e-mail:

Este artigo, com comentários, encontra-se no seguinte tema:

Escreva aqui os seus comentários ao artigo "Pragmatismo Deweyano":

5 Domingos Faria: Pragmatismo Deweyano John Dewey (1959-1952) foi um homem do século XX. Era conhecido como teórico da educação, bem como filósofo e psicólogo. Não poderemos esqu...
< >