24/08/2009

Porquê o pintar?


A pintura trás consigo implícita ou explicitamente uma concepção global do mundo, da vida, do Ser, da história, do Homem, do universo. O vasto universo da pintura pode ir desde a imitação ou mimese (Platão e Aristóteles) até uma concepção de criação. A pintura é também um modo de expressão e comunicação. O pintor tem o dom tanto de exprimir o invisível através do visível, como de metaforizar a vida ou metamorfosear o já formado, sendo portanto um perscrutador de ideias e sentimentos, expressando muitas vezes o ainda inefável.

Mas, porquê a pintura? É inegável que a expressão através da pintura representa uma “forma de vida” inerente à sociedade humana. Pois, tal como a história e etnologia nos ensina, não existe povo algum sem cultura e sem qualquer espécie de religião, tal como não existe povo algum sem arte e cultura. E no âmbito da arte, a pintura é uma “linguagem” universal; é entendível pelo corpo social podendo, assim, “falar” ao Homem de todos os tempos. Tendo em conta que o homem é um ser simultaneamente mimético, simbólico e comunicacional, encontra na arte em geral e particularmente na pintura a mediação mais adaptada para a realização daquelas potencialidades que existencialmente o enriquecem e completam.

A arte do pintar pode ser um meio de estimulação de ideias. Por intermédio destas ideias é passível de descrever a sociedade no seu presente, antecipá-la no seu futuro, educá-la para uma transformação do real, dos valores, entre outros...

No entanto, consideramos que esta arte do pintar implica um certo saber, fazer, e sentir (fruição, agrado, deleite). A aprendizagem é algo basilar para se dominar toda a técnica do pintar, adquirir conceitos, ter capacidade de criticar a própria produção e a dos outros, e para se relacionar emotivamente com a obra de arte. Assim, no enquadramento destas necessidades, é de louvar a exposição patente no Instituto Português da Juventude (Braga) do dia 4 de Março até 3 de Abril, pois, é o reflexo de pessoas interessadas em adquirir este saber, fazer e sentir, de modo a serem promotores de experiências estética e criativas ao público que as contempla. O interesse destes artistas pela pintura permite-lhes a expressão de capacidades inatas e de nobremente ocupar os tempos livres. É com agrado que constatamos a intenção de darem sequencia ao pintar. Mariana Vidal refere que o pintar “é uma actividade que preza imenso (…) dá uma enorme paz de espírito e de prazer”. Para Margarida Sameiro o pintar constitui “uma experiencia muito positiva na vida”. Cândida Barbosa menciona que pintar é simplesmente “importante”. E Ni Rodrigues salienta que pintar “é tão importante como respirar”. As temáticas em cada um dos artistas é muito variada, alguns têm mais propensão para a representação do corpo humano, outros investem nas paisagens ou em algo mais abstracto. Essencialmente, pretendem transmitir “emoções”, “uma tranquilidade”, “uma certa paz de espírito”, “uma maneira de sentir muito própria e particular”.

Uma vez que são necessários apoios institucionais que facilitem a divulgação da arte, é de destacar a política cultural do IPJ pelo facto de proporcionar um espaço e oportunidades adequadas para a promoção de novos artistas. É assim que o IPJ se assume como lugar de prospecção cultural, para que a sociedade em geral frua do dom e talento dos novos valores.

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publicado pelo Jornal "Diário do Minho" no Suplemento "Cultura", nº 482, de 25 de Março de 2009.



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