17/08/2009

Obra “O que é isto – a filosofia?”



Heidegger, sendo discípulo de Husserl, adopta a posição de fenomenologia. Mas, o fenómeno tem um aspecto de início em relação ao sujeito. O que é importante é como o fenómeno se mostra ao ser existente. O movimento é no sentido do que é revelado. O ser humano (da-sein, existente, ser-aí – aparece no tempo) questiona o que aparece (que aparece no tempo). Portanto, não há transcendentais, não existe a “consciência de”, tudo é ser e tempo. Só existe transcendente, o fenómeno que aparece à nossa consciência.
Na sua obra “O que é isto – a filosofia?”, procura dar uma interpretação plausível do que é a filosofia. Descreve que os verdadeiros filósofos são os Pré-Socráticos. Assim, considera que a filosofia é grega. A filosofia não é algo só para ser apreendida. Para encontrar caminho seguro na filosofia tem que se ouvir de novo a palavra em grego. Filosofia é um caminho, que deve ficar em aberto e que permite levantar a questão. A melhor maneira de responder à filosofia é filosofar. Pois, nós movemo-nos no âmbito da filosofia e não fora dela. A filosofia não é indiferente; é algo que nos envolve, toca. É uma intimidade que nos toca; algo que é antropológico e cultural. Mas, não depende de nós.
Filosofia é um caminho que está diante de nós, por isso mesmo, é um caminho difícil de encontrar. Mas, quanto o encontramos, movemo-nos e questiona-mos: “o que é isto a filosofia?”
A filosofia vinca a existência do mundo grego, determina a nossa história grega-ocidental. Está na certidão de nascimento da actual era. Portanto, é importante saber como é que a filosofia nos toca; como devemos a actual era à filosofia. A filosofia põe-se de acordo com o que se revela. É experiência espontânea, algo que se vive e vê. A fenomenologia explica o que se vê.
Assim, filosofia é olhar para algo, e envolver, e fixar com o olhar aquilo que se perscruta.

Ilações
Pensamos que a filosofia de Heidegger é necessária para nós, na medida em que nos ajuda a estar disponíveis para acolher o que é revelado, e interpretar. Não é só olhar, mas também ouvir. Isto é, aquela capacidade que se adquire para ouvirmos algo que nos aparece e nós respondemos. E, do mesmo modo, é aquela capacidade de estarmos atentos ao que nos aparece. Para saber o que é alguma coisa tentamos, portanto, ver e ouvir e, por conseguinte, tentamos corresponder. É necessário estarmos atentos à “voz” das coisas.
A nossa sociedade não será constituída, na sua maior parte, por pessoas cegas e surdas? As pessoas normalmente não são cegas e surdas, contudo fazem-se, automutilam-se… no sentido de não quererem estar atentas ao que aparece, à realidade que as envolve. É urgente curar esta cegueira e surdez das pessoas. Para assim, aparecer luz e melodia no seu ser.
Heidegger esforçou-se por trazer o ser à sua verdade. Contudo, ao reduzir o ser ao tempo e historia finitizou-o de tal modo que não deixou lugar, ou pelo menos assim parece, para o conhecimento racional de Deus.


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