17/08/2009

Obra “A filosofia como ciência de rigor”



Na obra “A filosofia como ciência de rigor” constatamos que a filosofia tentou tornar-se, desde sempre, uma ciência de rigor, com uma certa impaciência. Contudo, em nenhuma das épocas, a filosofia soube satisfazer a pretensão de ser ciência de rigor. A filosofia não sabe constituir-se em verdadeira ciência, nem sequer sabe ensinar objectivamente. Carece ainda dos problemas, métodos e teorias bem definidas nos seus conceitos e plenamente esclarecidas no seu significado.
Consequentemente, Husserl dá um “toque” pessoal ao conceito de fenomenologia. E afirma que o naturalismo reduzindo tudo ao natural esquece-se de algo, isto é, a consciência. Portanto, Husserl tenta ver os perigos do naturalismo, e por outro lado, tenta ver como é que a consciência funciona.
Husserl prossegue com a noção de objectividade, chegamos a um acordo que isto se chama aquilo e não aquilo. E a realidade de algo depende da consciência de quem fala. Husserl pensa que a filosofia pode ser uma ciência de rigor.
A filosofia como ciência de rigor não depende da história, é uma ciência de ideias. Ideia que permite ser rigoroso. Captar essa ideia eleva-nos a um plano transcendental. Portanto, a filosofia como ciência de rigor não é uma ciência empírica; a filosofia é uma ciência das ideias. Assim, situamo-nos ao nível da consciência intencional.
A psicologia experimental como as ciências, tendem a ter métodos e explicações do campo empírico. A filosofia da consciência como filosofia de rigor vai directamente ao fenómeno (fenomenologia). Assim, Husserl quer outro nível, o transcendental.
A prática da filosofia é normalmente textual. Husserl diz que não se deve partir do que os filósofos disseram, mas sim dos problemas, olhando directamente para as coisas.

Ilações
Pensamos que a filosofia de Husserl é boa, na medida em que tenta elevar a filosofia a uma ciência de rigor. Contudo, a coisa não se reduz a pensar na ideia. Na filosofia de Husserl o “eu” assume um papel radical, o que pode originar a impossibilidade de argumentar. Mas, a nossa cultura assumiu que o ego não se pode abstrair das suas condições concretas. Logo, não foi concretizavel o “eu – transcendental”.
Apesar da tentativa fracassada de Husserl, em tornar a filosofia uma ciência de rigor, achamos que é necessário a filosofia tornar-se em certa medida uma filosofia de rigor. Porque é que as pessoas não ligam, nem se interessam muito pela filosofia? Não será, também, por esta ser uma ciência com alguma falta de rigor? E por isso mesmo acham que é desnecessária? Ou não? Ou a causa será antes das pessoas que pretendem acomodar-se do que sentir incomodadas pela realidade envolvente?
Pensamos que mesmo que a filosofia nunca venha a ser realmente uma ciência de rigor, pode ser a mais apelativa das ciências, na medida em que existirem espíritos abertos, dóceis, e disponíveis por serem amigos da “sophia”.


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