25/08/2009

O nascimento do Pragmatismo


Quanto ao nascimento do pragmatismo, as marcas (preludio do pragmatismo) de Peirce são visíveis por toda a parte: o teste da crença é a prontidão para agir; qualquer modo de classificar uma coisa não é senão um modo de a tratar para algum propósito particular; a prontidão para agir como se ela fosse verdadeira é o critério para a existência de uma hipótese, etc.
Do mesmo modo, Henry Steele Commanger salienta que James “mesmo antes de ter chegado a qualquer definição da sua própria filosofia, as suas pré-concepções filosóficas estavam fixadas: suspeita de todos os absolutos, de toda a rigidez e todos os sistemas; inclinação para deixar todas as questões abertas à reconsideração; indulgência para com a excentricidade e o não conformismo; preferência para o que é artística, emocional, bem como intelectualmente atraente; forte consciência de obrigação moral”. É relevante salientar que o próprio James refere “uma forte impressão de bem-estar, paz e repouso que acompanha a transição de um estado de embaraço e perplexidade para um estado de compreensão racional”. Advoga mesmo que “uma filosofia, para ser aceitável, não tem apenas que ser racional; deve tocar-nos como racional”. Isto, segundo James, “levaria a teoria a um ponto singular, no qual a vida prática de todos os seres humanos começaria. Resolveria todas as antimonias e contradições, daria liberdade a todas as emoções e impulsos rectos”…
Para atingir o sentimento de racionalidade, uma filosofia deve satisfazer dois tipos básicos de necessidades humanas: (1) “necessidades teóricas” – aquelas em virtude do facto de termos necessidade de saber, paixão pela simplificação, paixão pela distinção; (2) “necessidades práticas” – aquelas que temos em virtude do facto de termos necessidade de agir, banir a incerteza do futuro, definir o futuro em harmonia com os nossos poderes espontâneos. As condições de aceitabilidade de uma filosofia são importantes (talvez mesmo mais importantes) como as suas condições de verdade.
Quanto à teorização ética, James concebe que “não é possível uma filosofia ética dogmaticamente construída de antemão. Todos nós ajudamos a determinar o conteúdo da filosofia ética na medida em que em que contribuímos para a vida moral da espécie humana. Por outras palavras, não pode haver verdade final ética, mais do que em física, até que o último homem tenha tido a sua experiência e tenha dito o que tiver para dizer”. Portanto, salienta que não há moralidade na natureza das coisas; pois, para haver moralidade, tem de haver humanidade.
James em “The Will to Believe” refere que é correcto, por vezes, em certas situações e para uma determinada pessoa crer em algo, sendo dada insuficiente evidência: “a nossa crença na própria verdade, por exemplo, a nossa crença em que há uma verdade e em que a nossa mente a ela são feitas uma para a outra, o que é isso senão uma apaixonada afirmação de desejo, na qual o nosso sistema social nos apoia?”


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