16/08/2009

O dilema de ser Cristão hoje...



O cristianismo surge como uma revelação do próprio Deus que se fez homem e se entregou totalmente a nós. Deixou-nos uma mensagem, uma boa notícia - “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”1. Jesus veio anunciar-nos que só seremos realmente uma só humanidade com Deus na medida em que amarmos. O que é importante é amar, e amar sem medida tudo e todos, não só os amigos, mas sobretudo os inimigos2. Vemos assim que o cristianismo surge verdadeiramente como religião (re-ligio), re-ligação, relação de amor entre toda a humanidade em Deus.


Desvirtuação do cristianismo

Infelizmente esta mensagem de amor apareceu oculta em muitas fases da história, onde se mostraram imagens muito distorcidas de Deus e do ser humano. Mas, é incrível como é que nos dias de hoje ainda estão tão patentes muitas das imagens distorcidas de Deus e daquilo que é ser pessoa, ser humano. Deus é muitas vezes conotado de castigador, e o ser humano, imbuído num individualismo extremo, ambiciona pela salvação individual da sua “alma” querendo um lugar no céu, sujeitando-se por conseguinte a um conjunto de normas que obrigatoriamente tem que cumprir. Isto é uma autêntica contradição da boa notícia que Jesus nos ensinou.
Tudo começou com o helenismo, ao acrescentar à doutrina cristã elementos da filosofia grega, o cristianismo começou a desvirtuar a sua essência, originando os vários terramotos e conflitos que podemos visualizar ao longo da história

Terramotos que abalaram o cristianismo

A partir do século XV com o evoluir da ciência, nomeadamente devido às teorias evolutivas, às ciências cognitivas e às neurociências, muitos dogmas vigentes como o antropocentrismo, o dualismo antropológico deixaram de fazer qualquer sentido. Estas novas concepções abaram e ainda abalam alguns alicerces da Igreja, os quais permaneciam inabaláveis durante séculos.

Revolução copernicana
Aristóteles no século IV a. C. concebeu uma cosmologia em que a terra estava imóvel no centro do mundo, e os planetas, bem como as estrelas giravam à sua volta. Por detrás da oitava esfera, a das estrelas, situava-se o Primeiro Motor Imóvel, o qual fazia mover as esferas celestes.
Passados alguns séculos, o cristianismo adoptou este esquema, e incorporou nele elementos bíblicos da criação. Assim, por detrás de todo o mecanismo que fazia girar o mundo foi colocado o céu, a habitação de Deus, os anjos, e os santos. No interior da terra situava-se inferno, lugar de eterna condenação. Os anjos também explicavam os movimentos dos astros. Portanto, era um cosmos muito bem organizado, com muita lógica, onde cada coisa estava no seu lugar.
Contudo, as descobertas de Galileu e Copérnico colocaram em causa todo este sistema. Quando Galileu utilizou o telescópio apercebeu-se que a terra não estava no centro do universo; e que depois das estrelas não estava o céu, mas continuavam mais estrelas que não eram visíveis a olho nu3. Assim, onde é que estava o céu, e os seus habitantes? Onde estará Deus? E o inferno onde estará, se já não está no centro da terra? Falar em céu, purgatório, inferno parece que já não faz sentido.

Revolução darwiniana
Darwin com a sua teoria da evolução das espécies vai acrescentar os desafios lançados ao cristianismo. O que Darwin constata é que o homem não é objecto de uma criação particular, mas uma espécie animal sujeita à lei biológica da evolução. Assim, o homem não é um produto directo de um Deus criador, mas é fruto de um processo de adaptação e selecção natural. Portanto, os seres humanos aparecem na terra da mesma forma que todos os seres vivos, partem todos de um passado e ponto comum, por um processo evolutivo. É um mecanismo cego, onde somente os seres mais aptos sobrevivem. A natureza agora é vista apenas como um palco onde os vários actores se digladiam num combate sem tréguas com o único fim de sobreviver.
Esta teoria colocou em causa o facto de Deus criar directamente o primeiro casal, Adão e Eva, o que contradiz a narração bíblica do génesis, lendo-a literalmente. Por conseguinte, se Deus não criou directamente Adão e Eva como nos relata a bíblia, então também não houve o pecado original. Do mesmo modo, a teoria darwiniana põe seriamente em causa o facto de o ser humano possuir alma. Uma vez que o ser humano tem a mesma origem que os restantes animais, e se os animais não têm alma espiritual, logo o ser humano também não pode ter alma espiritual. E se o ser humano não tem alma, então, não é imortal. Portanto, não havendo uma alma substancial e permanente que sobrevive depois da morte do corpo, então, não existe vida para além da morte4.
A alma é colocada à parte, já não tem qualquer função, é um conceito desactualizado. Pois, é preciso atender que o conceito de alma foi criado num contexto muito próprio e singular. Infelizmente os primeiros teólogos do cristianismo tiveram a má ideia de harmonizar uma filosofia especulativa sobre a alma com o cristianismo, o que iludiu muitas pessoas durante vários séculos, e ainda ilude.
Charles Darwin na sua autobiografia coloca ainda em causa os milagres e a sua validade, bem como encara o cristianismo como tendo uma “doutrina infernal”, pois, quem não acredita irá sofrer um castigo eterno5.

Impacto da psicanálise freudiana
O fundador da psicanálise, Freud, mudou claramente a cultura ocidental, abalando as certezas e costumes de um tempo. Ele demonstrou de modo eficaz o inconsciente, que é o outro em nós, e que muitas vezes não temos presente a sua acção. Somos uma inconsciência instintiva.
Freud viveu num tempo de positivismo, mecanicismo, onde o ser humano era encarado como uma máquina, e a mente relacionada com pressões, válvulas. A sua grande descoberta foi desvendar o aparelho psíquico. Assim, a mente do ser humano é concebida por consciente, subconsciente, e inconsciente. E do mesmo modo estruturada por “id” “ego”, “superego”. Face a este esquema, Freud constata que as nossas razões conscientes são tudo menos reais. Pois, o consciente é fruto do inconsciente; e o inconsciente na dúvida inventa, preenche lacunas, e também é a fonte de todo o desejo. Portanto, somos determinados pelo nosso outro dentro de nós (inconsciente). Por isso, Freud afirma que “a criança é o pai do homem”, uma vez que são os desejos e vontades que comandam o homem. E face a um desejo ou vontade proveniente da inconsciência, o homem necessita sempre de o satisfazer. A satisfação do desejo poderá dar-se de modo directo, quando se efectua aquilo que verdadeiramente se deseja, ou de modo indirecto, quando não se consegue efectuar verdadeiramente o que se deseja recorrendo-se a situações ou objectos substitutos (exemplo: fetichismo). Contudo, quando não se consegue qualquer tipo de satisfação tem que se recorrer à sublimação, ou seja, efectuar qualquer tipo de actividade artística, desportiva, religiosa, cientifica, entre outros… que substituem os desejos não aceitáveis.
Quando nascemos somos apenas “id” (desejo). Mas, o desejo encontra obstáculos, o que origina um espaço de frustrações. O “ego” (self, eu) é o “id” não satisfeito, pois, existem as frustrações. As normas (superego), que são obstáculo ao “id” são interiorizadas de tal ordem que se tornam automáticas, sendo assimiladas acriticamente. O “ego” é o campo de batalha onde o “id” e o “superego” se confrontam.
Percepcionamos, então, que a psicanálise toca na zona obscura, animalesca que está dentro de nós, o inconsciente, o qual projecta todos os nossos desejos e necessidades. E o ser humano tem esta tendência natural de projectar esses desejos do inconsciente para a realidade. Não será também Deus e a religião uma projecção dos nossos desejos e necessidades?
Para Freud a religião é uma paranóia, um delírio colectivo. Além disso, acusa a religião de rebaixar os valores da vida e da inteligência e de manter os homens num infantilismo psíquico. Considera que a religião proíbe o pensamento e luta contra a ciência, pelo medo que lhe tem. Então, Deus seria o espelho do nosso eu narcisista, livre de todo o limite6.
Deste modo, levanta-se mais um desafio ao cristianismo, pois, “a religião é desvalorizada na sua essência e levada em considerações pelos efeitos que é capaz de produzir, reduzindo-se ao âmbito das satisfações de necessidades específicas tanto do homem quanto da humanidade. Assim, ela se apresenta como ilusão ou projecção, ou seja, como produção inconsciente de um universo irreal e fantástico em que o homem veria realizados todos os seus desejos”7. Do mesmo modo, “Freud, vinculando a religião ao sentimento de impotência da criança e ao seu desejo de protecção por parte do pai, em relação ao qual, porém, dá lugar a uma postura ambivalente de amor e de ódio em razão do complexo de Édipo, reduz a própria religião ao âmbito das experiências imaturas a serem superadas. (…) Seria realmente muito lindo que houvesse um Deus – como criador do universo e Providencia benigna –, uma ordem moral universal e uma vida além da morte; contudo, é pelo menos muito estranho que tudo isso seja realmente assim como não podemos deixar de desejar que seja”8. Vemos, então, que a religião poderá ser uma projecção dos nossos desejos, como busca de protecção, segurança, e também o desejo de correcção das nossas imperfeições e impotência.

Os desafios levantados pela bioética
Não existe comunidade humana que não conheça regras e não distinga o bem do mal. O ser humano é um ser moral. Todas as culturas têm regras, segundo se nasce, vive, morre humanamente.
“A moral é um sistema de normas, princípios e valores, de acordo com os quais se regulam as relações mútuas entre indivíduos, ou entre eles e a comunidade, de tal maneira que as ditas normas, que têm um carácter histórico e social, se acatam livre e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de um modo mecânico, exterior e impessoal”9.
A ética é a reflexão sobre a dimensão moral, tendo a função de clarificar, precisar, fundamentar, aplicar, e promover a moral. Existem dois tipos de ética, a de máximos que se refere a uma moral superior que determinado indivíduo possui, e a de mínimos refere-se a uma moral que é aceite por toda a comunidade, por isso mesmo é mais básica.
A bioética é o estudo sistemático das dimensões morais, é um saber transdisciplinar, que planeia as atitudes que a humanidade deve tomar ao interferir com o nascer, morrer, a qualidade de vida e a interdependência de todos os seres vivos. É decisão da sociedade sobre as tecnologias que lhe convém. A bioética deve ser uma ética civil ou secular, não directamente religiosa; deve ser uma ética pluralista, autónoma, e não heterónoma. Tem de ser racional, aspira a ser universal, e deve possuir uma atitude crítica.
A bioética teológica é uma reflexão que dá atenção especial aos contributos da fé crista: aos dados da revelação, e à tradição da Igreja.
Parece, então, que a bioética religiosa é incompatível com a bioética secular. Pois, na bioética religiosa a lei não vem do homem, mas de fora dele, ou seja, de Deus. Poderá parecer uma imposição de Deus, que obriga o ser humano a cumprir os mandamentos caso queira ser “salvo”. Não é o ser humano por sua iniciativa que reflecte aquilo que é bom ou mau para ele, mas é Deus que faz o conjunto de normas que o ser humano tem que cumprir acriticamente. Fazendo uma experiência prática, podemos perguntar a um cristão tradicional porque é que determinada acção é pecado, é provável que responda que Deus disse que era pecado, e a argumentação encerra aí. Podemos ver possivelmente que o cristão tradicional não age devido a uma reflexão pessoal com sentido, mas limita-se a “não pensar”, assimilando acriticamente tudo o que Deus disse, ou que os sacerdotes disseram que Deus disse. Deste modo, o cristianismo poderá estar a adulterar aquilo que é o ser humano e a sua moral natural, onde muitas vezes se aplica a designação de “pecado” a uma acção que pode ser moralmente boa a nível da bioética secular.
Será que a religião cristã, não atendendo às demais reflexões humanas, poderá fazer uma reflexão moral sobre o aborto, a procriação medicamente assistida, os contraceptivos, a eutanásia, entre outros, sem ter em vista a situação concreta? Há o grande perigo de generalizar. Cada situação é única, e deve ser bem reflectida pelo Homem consciente. Não será que a religião anda a atrapalhar a acção e agir humano?

Os desafios levantados pelas ciências da mente
As neurociências, ciências da mente, estudam o nosso cérebro. Os neurocientistas através dos seus estudos chegaram à conclusão que cada área do nosso cérebro comanda parte do nosso ser. E do mesmo modo, defendem que as experiências religiosas não são diferentes de outras experiências, como por exemplo estéticas, sendo tudo fruto da evolução. Estes cientistas que estudam o cérebro vêem um correlacionamento íntimo entre a área emocional da religião e as áreas da agressividade e sexualidade. Portanto, a religião não tem nada de transcendente; está tudo na “nossa cabeça”.
Desta forma, “especialistas na área da cognição demonstram que a nossa aptidão para crer em algo superior tem origem não no céu, mas no nosso cérebro”10. As experiências religiosas são um produto do nosso encéfalo, dependendo do grau de serotonina, que é um neurotransmissor que para além de outras funções (relacionadas com a sensação de fome, sede e sono), pode também activar a nossa religiosidade. Assim, quanto mais elevada for a taxa de serotonina, maior é a religiosidade demonstrada; sente-se, por conseguinte, uma presença de Deus, uma comunhão com o cosmos, e poderá também acontecer experiências místicas11.
E ter este sentimento de estar perto de Deus poderá ser produzido excitando-se certas regiões específicas do cérebro com impulsos electromagnéticos. Os neurocientistas podem colocar na nossa cabeça um campo magnético, o qual dispara a actividade eléctrica dos lóbulos temporais, provocando consequentemente a experiência espiritual12.
Então, se somos crentes, é porque o nosso encéfalo nos programou para isso. Onde, do mesmo modo, talvez Deus não passará de uma simples construção dos nossos cérebros.

Os desafios levantados pela sociedade do conhecimento e da informação
“Estão a ocorrer mudanças fundamentais nos sistemas de crenças dos povos em todo o mundo (…) provocadas pela interacção entre as forças do desenvolvimento sócio-económico e as tradições culturais que persistem”13. São mudanças a nível político, social, sexual, e religioso.
Até ao século XIX existiam claramente sociedades agrícolas. Onde havia um conhecimento recíproco, e relacionamentos comunitários. Do mesmo modo, havia uma grande homogeneidade de valores, principalmente valores religiosos. As pessoas apenas subsistiam do campo, da natureza. Assim, tinham uma grande dependência de Deus, uma vez que só Deus poderia dar boas condições (por exemplo: atmosféricas) para conseguirem uma boa produção.
No século XIX tem origem a Revolução Industrial. As pessoas deixaram de estar dependentes da natureza, passando a estar dependentes do patrão. Nesta sociedade a autoridade não é religiosa, mas sim secular. A vida comunitária começa a desfazer-se. E começam as surgir as cidade, em que as pessoas cada vez se conhecem menos. Há um predomínio dos valores seculares-racionais. As pessoas começam a descobrir que têm maiores potencialidades que outras. Por consequência, começa a imergir um certo individualismo.
A partir do XX e XXI surge a Revolução da Informação e do Conhecimento, onde a vida das pessoas muda outra vez dramaticamente. Agora através do computador e robôs fazem-se a grande parte do trabalho. Assim, as pessoas podem ter um estilo de vida mais independente. São pessoas com mais liberdade de criatividade e iniciativa. Qualquer pessoa está protegida pelas leis do estado, e até pode colocar o patrão no tribunal. Põem em questão a autoridade. Deste modo, a relação de dependência está a desaparecer. “A mudança de valores tradicionais para os seculares-racionais abranda e estabiliza, ao mesmo tempo que uma outra mudança se torna mais forte: a mudança de valores de sobrevivência para os valores de auto-expressão”14. Verifica-se também um enorme aumento dos meios de comunicação, aumentando por conseguinte o número de pessoas com quem podemos contactar. Deste modo, as pessoas das sociedades da informação e conhecimento comunicam com muita gente; contudo, não se mantém a profundidade das relações, pois, não se quer estar dependente. Pretende-se ganhar o máximo com o mínimo de perigo.
Do mesmo modo, esta sociedade da informação e conhecimento como está aberta para pensar, uma vez que têm que pensar para concorrer no mercado, também pensam no sentido da vida. Então, começa a existir uma certa espiritualidade ecológica, e começam a surgir movimentos religiosos (New Age) para responderem ao dilema do sentido da vida.
Contudo, não é uma sociedade que está aberta às Igrejas tradicionais, pois, não estimulam a independência, a liberdade, e estão relacionadas com as sociedades agrícolas. São pessoas que defendem que as Igrejas tradicionais não estão atentas a estas novas realidades, as pessoas não querem estar dependentes. Mas, “a religião não desaparece. O que observamos é a transformação das funções da religião, de formas institucionalizadas de religiosidade dogmática que dá a cada um códigos de conduta absolutos num mundo inseguro, para preocupações espirituais individualizadas”15.
Deste modo, o católico da sociedade da informação e conhecimento é diferente, é compartimentalizado, em que não existe a coerência entre pensar uma coisa e outra. Estes “«novos» católicos não aceitam a ortodoxia e o magistério na parte, ou partes, que frontalmente colidem com o seu interesse ou ideologia dominante. Poucos condenam o sexo pré-marital, o divórcio, a união de facto ou a contracepção (…) a homossexualidade (…) o aborto. (…) O que significa que é ou não é católico conforme o caso, a oportunidade e a circunstância e que se não sente por isso menos católico”16.
Estamos, assim, perante uma sociedade que desafia totalmente os dogmas da Igreja.


Ainda vale a pena ser cristão?

Perante todos estes desafios que foram levantados, será que ainda vale a pena ser cristão? Como é que o Cristianismo vai responder a estes desafios?
Actualmente falar de fé a alguém que não tem, poderá conduzir quase sempre ao preconceito do cristianismo ser uma coisa do passado, já sem valor, algo tradicional que a cultura actual não pretende. Vivemos numa cultura do progresso e da novidade, e apelar à tradição não permite contribuir para o avanço da cultura. Assim, “o que dificulta a situação actual é o abismo entre o «outrora» e o «hoje», que se junta ao abismo entre o «visível» e o «invisível». O paradoxo fundamental inerente à própria fé é o aprofundado pelo facto de a fé se apresentar com uma roupagem do passado, parecendo até identificar-se com ela, ou seja, com as formas de vida e de existência de outros tempos”17.
Mas será bem assim? Será que o cristianismo é algo do passado, da tradição, sem valor?
Nos dias de hoje é necessário combater esse preconceito. Pois, a Igreja de hoje está muito atenta aos sinais dos tempos18, onde se pode enquadrar totalmente com a sociedade contemporânea. Mas, é primeiro necessário perceber bem os novos conceitos sobre aquilo que é ser verdadeiramente cristão; para se poder responder aos desafios levantados ao cristianismo é preciso esclarecer conceitos básicos, como: a relação entre ciência e religião, o que é o ser humano, o que é Deus, o que é ser cristão; esclarecendo estes conceitos, fazendo a purificação de todos os preconceitos acerca daquilo que não é o cristianismo, vamo-nos aperceber de uma realidade totalmente actual. Contudo, nem todas as pessoas vêm esta actualidade da Igreja, ou por não estarem informadas (muitos padres não falam ou têm receio de falar desta nova realidade, uma vez que pode abalar as crenças e convicções pessoais de cada um), ou por terem construído um preconceito do cristianismo de tal ordem que não conseguem mudar de opinião.
Deste modo, se percebermos os verdadeiros conceitos daquilo que é o cristianismo, então, certamente vamos responder que nos dias de hoje ainda vale ser cristão19.

Relação entre ciência e religião
João Paulo II, em 1988, propõe uma união em complementaridade entre a ciência e a religião. Ou seja, a relação entre ciência e religião deve ser de diálogo. Embora cada uma mantenha a sua especificidade, elas completam-se reciprocamente. Por isso, o Papa propõe uma aprendizagem mútua, uma busca comum, uma união de ambas sem perda de autonomia de cada uma. Assim, a ciência pode ajudar a religião a abandonar certas crenças que podem não passar de superstições ou de ideias erradas acerca da natureza. E, a religião pode ajudar a ciência a não se endeusar e a dar atenção à dimensão ética da actividade científica20.
Do mesmo modo, o Papa defende que não é um bom modelo de relação entre ciência e religião o concordismo, o antagonismo, e o separatismo. No modelo do concordismo recorre-se aos dados e às teorias científicas para provar as crenças religiosas e a verdade da bíblia. O antagonismo defende que a Igreja é capaz de fazer boa ciência e rivalizar com outras instituições científicas. E o separatismo alega que a ciência e a religião estudam questões diferentes, e por conseguinte nada têm em comum. Estes são maus modelos de relação, os quais estão na origem de muitos desafios levantados ao cristianismo21.
Portanto, o que deve existir é uma união e interacção mútua entre ciência e religião. Pois, ciência e religião precisão uma da outra: “a ciência pode libertar a teologia duma leitura ingénua, literal e fundamentalista da Escritura (como de facto aconteceu em consequência do evolucionismo). (…) A religião pode purificar a ciência da idolatria e falsos absolutos”22.
Percebemos, então, que o cristianismo não está contra as teorias científicas, mas antes quer aprender delas. Deste modo, o cristianismo é purificado e reformulado em muitas das suas doutrinas.

O que é o ser humano?
As abordagens mais recentes da filosofia e da teologia afastam-se dos esquemas metafísicos aristotélico-tomista e Kantiano, onde se concebia o “eu” (a pessoa) como substancial e permanente. Contudo, nos dias de hoje percepciona-se um eclipse desse “eu” substancial e permanente, uma vez que a psicologia diz que o “eu” começa a surgir com as relações com a mãe; as neurociências dizem que é um processo biológico (nasce do sentimento de si próprio). Assim, o nosso “eu” corresponde a uma série de experiências que dão a percepção do “eu”, aplica-se ao conjunto de todas as experiencias, não se refere a uma experiência única. O “eu” é uma criação mental23.
Se o “eu” é o resultado das várias experiências que vamos vivendo, então, não existe um “eu” pré-existente, nem um “eu” pós-existente. Mas, sim um “eu” relacional, que surge na medida em que experienciamos e estabelecemos relações interpessoais. Já não existe um “eu” permanente, mas um “eu” que muda. Tudo está em mudança. Por exemplo: em Jesus Cristo, Deus apareceu a mudar.
Boécio, por volta do século V, define pessoa como uma substância individual de uma natureza racional. Esta definição foi a desgraça do ocidente, pois, está na base de todo o individualismo. Olhamos para o mundo e poderemos dizer que vivemos num individualismo levado ao extremo, em que o “nosso” é cada vez menos frequente.
Contudo, ser “eu”, ser pessoa, não é ser individual, solitário, mas sim ser relacional. É isto que caracteriza a pessoa: a relação. O Papa Bento XVI defende fervorosamente esta perspectiva, para ele “aquilo que não se relaciona e não aceita relacionamento, não poderia ser pessoa. Não existe pessoa no absoluto singular. (…) O conceito de pessoa inclui necessariamente a superação do singular”24. Portanto, ser pessoa é pura relação, e a pessoa só existe como relação. É uma relação que busca a unidade. Mas, para ser unidade pura só poderá realizar-se no relacionamento do amor. Deste modo, o “eu” é, ao mesmo tempo, aquilo que tenho totalmente e aquilo que menos me pertence. Pois, o ser humano está tanto mais em si mesmo quanto mais está no outro. Ele só chega realmente a si na medida em que se afasta de si. Ele só chega a si mesmo pelo outro e pelo ser no outro. Assim, o ser humano chega a si na medida em que vai para além de si. E o Homem é Homem porque se ultrapassa infinitamente a si mesmo, e por isso é tanto mais Homem quanto menos fica fechado em si, “limitado”. O ser humano não é aquele ser que pode subsistir e permanecer por si próprio, mas aparece como aquele ser que só pode ser a partir do outro25.
Deste modo, o “penso, logo existe” de Descarte não tem sentido; pois, para se existir verdadeiramente enquanto pessoa é preciso muito mais que se pensar a si próprio. É necessário, então, reformular a citação cartesiana pelo “sou pensado, logo existo”. Pois, o conhecer humano só é real enquanto ser conhecido, enquanto ser levado ao conhecimento que, por sua vez, parte do outro26.
Assim, ser humano é ser com os outros em todos os sentidos.
O que é Deus?
Deus é sobretudo relação; relação de amor. “A profissão de fé em Deus como pessoa inclui, necessariamente, a profissão em Deus como relação”27, pois, em Deus existem três pessoas (o Pai, o Filho, e o Espírito Santo) que são diferentes, mas formam uma só realidade que é Deus. Apesar de serem pessoas diferentes, elas não têm limites, uma vez que são interdependentes umas das outras.
Assim, constatamos que “Deus dialoga consigo mesmo. Existe um «nós» em Deus”28. Por exemplo podemos ver este diálogo na oração sacerdotal: “Pai, quero que onde Eu estiver estejam também comigo aqueles que tu me confiaste”29. Esta descoberta do diálogo no interior de Deus faz com que se supusesse a existência de um eu e de um tu em Deus, o que constitui elemento de relação. Deste modo, Deus é um na sua substância, mas existe n’Ele o fenómeno dialogal, de troca mútua de palavras e amor dentro do Deus uno e indiviso. Pois, faz parte da essência da personalidade trinitária ser pura relação e, por isso mesmo, unidade absoluta30.
E o Homem não consiste em ser apenas Homem, mas também ser um com Deus. “Pai santo, Tu que a mim te destes, guarda-os em ti, para serem um só, como Nós somos! (…) para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste. Eu dei-lhes a glória que Tu me deste, de modo que sejam um, como Nós somos Um. Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim”31. Assim, o Homem é totalmente ele próprio quando deixa de estar em si mesmo, quando deixa de se fechar e de se afirmar, quando é abertura total em direcção a Deus. O Homem torna-se, portanto, imagem e semelhança de Deus, pois, é relação e unidade como Deus e em Deus. E é só nessa relação na busca da unidade que o Homem é aquilo que verdadeiramente é. Cristo aparece como aquele que nos ajuda a estabelecer a relação e por consequência a unidade; Ele é aquele que atrai a si toda a humanidade, que reúne tudo na unidade32.

O que é ser cristão?
Ser humano é relação. Deus é relação. E ser cristão é querer viver plenamente e de modo especial a relação de amor.
Ser cristão não significa persistir para si e em si, mas sim viver totalmente aberto na relação “a partir de” e na “direcção de”. Procurando, por conseguinte, a unidade com Cristo – “para que todos sejam um”. Deste modo, a vida cristã consiste em aceitar e viver a existência como relacionalidade, para entrar dessa maneira naquela unidade que é a base que sustenta toda a realidade33.
Ser cristão não visa um carisma individual, mas sim um carisma social. Por exemplo, se existissem apenas Deus e um conjunto de indivíduos isolados, o cristianismo de facto não seria necessário. Portanto, a Fé cristã não parte de indivíduos atomizados, mas da convicção de que não existe o ser humano isolado, de que ele só é ele mesmo como ser integrado no todo, na humanidade, no cosmos. A Igreja e a Fé cristã não estão viradas para a pessoa isolada que ambiciona pela sua “salvação” individual, mas sim referem-se ao ser humano que existe ao lado de outros seres humanos numa trama colectiva de inter-relacionamentos34.
Se existem cristãos é porque, para a história, é necessário e faz sentido a diaconia cristã, isto é, o serviço, o dar-se aos outros. Ser cristão é, deste modo, participar de uma diaconia em prol do todo, uma vez que só no todo somos verdadeiramente aquilo que somos. Assim, constatamos que o cristianismo está orientado para o todo, só podendo ser entendido a partir da comunidade, por ser não a salvação do indivíduo isolado, mas sim acção ao serviço do todo35. Então, ser cristão significa essencialmente passar do ser em prol de si mesmo para o ser em prol dos outros; significa o abandono de uma atitude de centralização em si e a adopção da existência de Jesus Cristo que se move inteiramente para o todo. Mas, para o ser humano atingir o todo tem que “seguir a cruz”, ou seja, o ser humano tem que deixar para trás o isolamento e a tranquilidade do próprio eu, tem que se afastar de si mesmo, para, contrariando o próprio eu, seguir o crucificado e colocar-se totalmente ao serviço dos outros. “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto”36, pois, a vida só nasce da morte, isto é, da perda de si mesmo37.
Ainda não é cristão aquele que continua a fazer cálculos para saber quanto precisa de fazer para chegar ao suficiente. Ser cristão não significa dar uma determinada contribuição obrigatória. Cristão é aquele que sabe, que vive, sobretudo dos dons que lhe são concedidos; e redistribui pelos outros aquilo que recebeu (por exemplo: pode ser passar aos outros o perdão, porque vivemos do perdão recebido). Não é por professar o credo cristão que alguém é verdadeiramente cristão, mas sim por se ter tornado verdadeiramente humano pela sua existência cristã. O verdadeiro cristão não é aquele que, pensando só em si, obedece como um escravo a um sistema de normas, mas sim aquele que chegou à liberdade da simples bondade humana38.
Todos os conceitos cristãos (como salvação, pecado original, ressurreição da carne, juízo final, entre outros) só têm sentido nesta trama ou rede de relações. E serão conceitos mal interpretados se não se atender a esta perspectiva relacional.
Teologia da evolução
Poderemos considerar que Darwin com a sua teoria evolucionista abalou muitos alicerces cristãos que pareciam correctos. Contudo, também poderemos considerar que esta mesma teoria ajudou na purificação do cristianismo numa melhor busca daquilo que é o ser humano e Deus.
De facto, os conceitos de pecado original, alma, e imortalidade interpretados de uma forma tradicional deixaram de fazer sentido. Do mesmo modo, esta teoria da evolução ajudou-nos a descobrir que é óbvio o facto de Deus não criar directamente o primeiro casal (Adão e Eva), o que originou, portanto, uma reinterpretação das narrações bíblicas.
Mas, o mais interessante desta teoria foi dar-nos uma nova visão de Deus e da criação que desconhecíamos, e a qual parece ser a mais correcta. Deste modo, “o Deus da Fé cristã não domina o mundo nem o força a conformar-se a um plano rígido. Pelo contrário, Deus deseja que o mundo «se torne ele próprio» tão plenamente quanto possível. Isto significa que o mundo deve ter o espaço e tempo necessário para avançar por tentativas, para experimentar diversas possibilidades. Sendo a mente de Deus a fonte de todos os caminhos alternativos possíveis que o universo pode percorrer na sua aventura evolutiva, podemos razoavelmente supor que um Deus que é amor não iria obrigá-lo a seguir obrigatoriamente um plano pré-fabricado. Se Deus ama o mundo, então podemos assumir que ele lhe concede um certo grau de liberdade para experimentar na sua evolução um conjunto de possibilidades”39.
Constamos, assim, uma nova imagem de Deus, ou seja, um Deus que é sobretudo amor, e que dá liberdade a toda a sua criação. Criação que não é instantânea, mas que vai evoluindo livremente por tentativas.

Psicanálise e a purificação da imagem de Deus
É obvio que a religião poderá ser uma projecção das nossas necessidades como diz a psicanálise freudiana. Contudo, religião abarca um universo muito maior que o próprio ser humano. Existem elementos na religião cristã, como a pessoa de Jesus, a Sua vida, que não são, nem podem ser projectados pelo Homem. A religião cristã parte de uma revelação, de um Deus que se quer mostrar, antes mesmo do Homem se dirigir a Ele. No cristianismo foi-nos revelado um Deus que não pode ser neurose, mas sim um Deus totalmente intrínseco ao ser humano, e que quer que o ser humano seja ele próprio permanecendo no seu lugar.
Vendo de perto o exemplo de Jesus, sabemos que Ele ia crescendo em saber, estatura, graça, diante de Deus e dos homens40; em tudo igual a nós, excepto no pecado41; nascido de mulher, submetido à lei42, à tentação43 e ao sofrimento44. O primeiro passo é evidente, e será de aceitar que o aparato psíquico de Jesus se formou de igual modo que o de todo o ser humano (que se constituíram paulatinamente as diversas instâncias: id, ego, super-ego). Do mesmo modo, Jesus deve ter atravessado a triangulação edípica, resolvido o seu narcisismo infantil e ter assumido as suas fantasias infantis primordiais. E que aos poucos foi aceitando as castrações simbólicas que lhe permitiram aceder à situação de adulto, acompanhado de uma mãe disponível45 e de um pai, homem recto46, com absoluta confiança em Deus e em si mesmo47. Em Jesus perde-se o Deus que é projecção dos desejos insatisfeitos da infância, deixa-se que Deus seja Deus. Pois, a Palavra de Deus não satisfaz o nosso desejo, muda-o! Com isto, recusa-se o religiosismo de tipo mágico (o anseio de satisfação no aqui e agora). A revelação da salvação de Jesus Cristo é todo o inverso. É a aceitação da nossa condição política, social e económica. Esta revelação mais que responder às nossas perguntas ingénuas, questiona-nos e coloca mais problemas do que aqueles que directamente resolve; não garante a tranquilidade nem a segurança, mas convida a actuar com risco na história concreta por das suas contradições. Chama-nos a discutir os nossos próprios problemas e a debater as suas possíveis soluções48. Maurice Bellet imagina o próprio Jesus a falar sobre esta temática: “Receais que eu seja humano, demasiado humano? Desconfiai desse receio: por essa via, podereis derivar para o desumano, acreditando que assim vos aproximais de mim, ou mesmo que falais em meu lugar. Engano total. Se quiseres estar próximos de mim, tornai-vos tão humanos quanto possível. É essa a vossa maior proximidade. Porque a minha distância está para além de toda a distância que vos é dado criar ou compreender. Permanecei, pois, no vosso lugar. É aí que Eu estou”49.
Assim, “não creio que a psicanálise elimine a arte, destrua a filosofia, liquide a religião; creio que ela contribui para purificá-las”50. Muitas vezes existem imagens deturpadas de Deus na sociedade. Freud denunciou um Deus que castiga, um Deus comerciante, disse que um Deus assim era uma ilusão, era um Deus das neuroses. De facto, estudar o inconsciente pode ajudar a eliminar as falsas verdades acerca da religião e de Deus, para vermos se as imagens que temos de Deus são realmente as imagens de Deus. E isso não invalida a necessidade de transcendência. Vemos, então, que a psicanálise pode ter aspectos muito positivos: ajuda a desmontar falsas concepções de Deus (exemplos: imagem materna, paterna, do próprio homem, aquele ser todo poderoso, aniquilador, o Deus “tapa buracos”, bombeiro ou comerciante).
Que imagem podemos ter hoje de Deus? Muitas vezes substituímos a crença por certeza; muita gente não acredita, tem certezas. Contudo, a Fé é caminhar encima de uma lâmina, não há certezas, mas existe sentido. Existe uma necessidade de fazer uma depuração dos conceitos errados de Deus. Com Deus vivemos na ordem do amor, é entrega. E não nos podemos esquecer que a religião, a fé e Deus é tudo, menos tirar-nos do nosso lugar.

Bioética e cristianismo
A religião cristã propõe um ideal de vida, uma moral. Contudo, o cristianismo não é primeiramente um sistema moral, mas um sistema religioso. Caracteriza-se sobretudo pela adesão a Cristo, que não sendo uma moral, inclui uma moral, ou seja, o amor ao próximo, e o amor a Deus.
Reflectindo ingenuamente pode-nos parecer incompatível a ética religiosa com a ética secular ou humana, uma vez que a lei não vem do homem, mas sim fora dele. Esta concepção é errada, pois, o criador apesar de ser outro, não é exterior ao homem, mas antes radicalmente imanente. Deus não é de alguma forma exterior ou rival. Assim, a Sua lei não é outra lei do mesmo nível. A lei moral natural é a participação formal da lei divina na criatura.
O cristianismo não quer de maneira nenhuma aniquilar a moral secular. O cristianismo deixa subsistir a moral humana, mas transfigura esta moral. Deste modo, o cristianismo assume a lei moral, funde a autonomia humana e põe-na no seu lugar quando esta tende a idolatrar-se.
A moral de uma acção não tem primariamente a ver com verdades da fé, mas com Direitos Humano. Pois, o sentido moral é anterior a qualquer revelação divina. E a moral religiosa pressupõe, como indispensável condição de possibilidade, a moral humana. Deste modo, qualquer norma moral que se possa considerar como presente na revelação, só o será para o crente se este em consciência a considerar como tal. Concomitantemente, é preciso atender que não podem ser objecto de definição dogmática opiniões morais operativas concretas.
Constamos, então, que a moral religiosa não invalidada a moral racional. Pois, mesmo uma ordem directamente recebida de Deus só se apresentará como vinculante para quem perceba que deve obedecer-lhe; isto é, perceber que isso é que é bem e o contrário mal, sendo o bem para se fazer e o mal para evitar.

O cérebro e Deus
É verdade que as neurociências têm vindo a esclarecer e revelar o grande enigma maravilhoso que é o nosso cérebro. Contudo, esta ciência é ainda ingénua em campos como o religioso. E o grande erro destes especialistas na área da cognição deve-se ao facto de confundirem a espiritualidade com a religião, e a religião com sentimentos e experiências específicas; concomitantemente, sugerir que o cérebro é a única fonte das nossas experiências espirituais é muito reducionista. Mas, é preciso atender que a fé é mais que um sentimento.
Assim, pelo facto de existir um Deus e por sermos crentes não quer dizer que o nosso cérebro nos programou para isso. Por exemplo: “para vermos Cristo num doente com sida, ou para amarmos os nossos inimigos, não temos necessidade de nenhumas alterações especiais nos nossos circuitos cerebrais. Nem a eficácia de uma celebração eucarística depende da existência de ondas cerebrais colectivas da comunidade. (…) A religião compreende uma grande variedade de actividades e ideias que se referem a uma ordem transcendente mas não exigem necessariamente uma experiência transcendente”51.
O facto de alguém ter momentos de grande elevação (como a união com o cosmos) não é necessariamente experiências religiosas. O que caracteriza verdadeiramente um religioso e um seguidor de Cristo é o “Ama ao próximo como a ti mesmo”, e isso exige um grande esforço de auto-transcendência. Deste modo, o cristão nega o eu (não significa elimina o eu), para ir ao encontro do outro, para ajudar o outro. O cristianismo não é algo de extraordinário, espectacular, mas tem a ver com fenómenos normais, do dia-a-dia, das relações interpessoais que estabelecemos. Assim, no cristianismo o amor ao próximo deve ter sempre prioridade em relação à união com Deus. Os cristãos são cristãos pela sua caridade e não pelas suas experiências místicas.
Inferno, purgatório, céu
Mas, é um facto as neurociências ajudarem-nos a moldar a nossa concepção sobre quem somos. “A evidência hoje acumulada implica que é o cérebro, e não alguma realidade não física que sente, pensa e decide...Isto significa que não existe nenhuma alma que viva a sua eternidade postmortem feliz no Céu ou infeliz no Inferno”52.
O inferno, purgatório, e paraíso são ilusões compreendidas como lugares físicos e estáticos. Não existe um lugar para onde vai quem se porta mal, nem um lugar para quem se porta bem. Isto tem tudo uma influência grega, como por exemplo as teorias da metempsicose, que influenciaram indevidamente o cristianismo.
Mas, o inferno, purgatória, e paraíso não desaparecem, continuam a existir; contudo já João Paulo II nos tinha alertado que não são lugares, mas sim situações de relações interpessoais53. São situações de vivência enquanto estamos vivos uns com os outros. Tudo depende das relações que estabelecemos. Se estivemos apáticos a qualquer relação, só nos preocupando com o mal dos outros, estamos claramente no inferno. Se estivermos a tentar criar relações, o bem, estamos no purgatório. E se consolidarmos essas relações de bem e amor com os outros e com Deus estamos a viver no paraíso.

Alma
A alma actualmente parece ser um conceito desnecessário para a compreensão do próprio ser humano. “Muitas pessoas instruídas, sobretudo no mundo ocidental, também partilham a convicção de que a alma é uma metáfora e que não existe vida pessoal antes da concepção, nem depois da morte. Poderão auto-denominar-se ateus, agnósticos, humanistas ou apenas crentes apóstatas, mas todos eles negam os principais argumentos das religiões tradicionais”54.
Deste modo, o dualismo antropológico já não tem qualquer sentido. A alma é colocada à parte, já não tem qualquer função, é um conceito desactualizado. Pois, é preciso atender que o conceito de alma foi criado num contexto muito próprio e singular. Os filósofos que sucederam os milesianos na Grécia tiveram a necessidade de criar o conceito de alma a fim de distinguir a diferença entre uma pedra e um animal ou ser humano. Qual é a diferença entre uma pedra e um animal ou ser humano? A pedra é imóvel, enquanto o animal ou o ser humano move-se. Assim, existe “algo” que faz com que o animal ou o ser humano se mova. A esse “algo” os filósofos gregos chamaram alma, pois vem da raiz “anima” (animar que significa vida, movimento, coragem, entusiasmo). Mais tarde, os pitagóricos, os eleatas, os atomistas, Sócrates, e essencialmente Platão, acrescentaram um novo significado ao conceito de alma. Como todo o homem tem a necessidade que exista algo depois da morte, pois tem medo de perecer eternamente, esses filósofos, como solução a este problema, defenderam que a alma não perecia e viajava para o mundo inteligível (das formas, das ideias); mas caso a alma não fizesse uma dialéctica de purificação, de ascese, a alma voltava a encarnar num corpo. O corpo era encarado como sendo uma essência má, que aprisiona a alma, era considerado o cárcere da alma.
Constamos, assim, que o conceito de alma foi formado numa situação concreta, e não pode ser introduzido noutros contextos da história. Hoje a ciência prova empiricamente a inexistência da alma, pois, possuímos muitos mais meios e instrumentos que os nossos antepassados não tinham; eles só podiam recorrer à especulação. Os gregos diziam claramente que da realidade física apenas podemos ter opiniões (doxa) e não conhecimento (episteme). Por isso, os gregos não consideravam que a alma era uma verdade absoluta, mas um fruto da sua especulação racional lógica que parecia ser plausível.
O ser humano não é constituído de corpo mais a alma. O ser humano é uma só essência. Também o papa Bento XVI considera o ser humano “uno e indiviso” e considera errada a teoria grega da imortalidade da alma, que teria sido indevidamente incorporada no pensamento cristão55. Portanto, “já não faz nenhum sentido discutir a ideia da alma separada de que fala a teologia escolástica”56.
Do mesmo modo, o ser humano não é um ser igual aos outros, o que o diferencia “é o facto de Deus lhe dirigir a sua palavra, o que significa que o ser humano é interlocutor de Deus, é o ser chamado por Deus (…) ser humano é aquele ser que pode pensar Deus, que é aberto à transcendência”57.




Ressurreição
A ressurreição de qualquer pessoa não exprime o facto de alguém ir para “outro mundo” após a morte. Todos estes conceitos só fazem sentido no contexto relacional do ser humano. Assim, ressurreição não é algo individual, solitário, mas sim relação.
Só existe ressurreição quando há abertura de um ente à relação. Ou seja, quando um ser humano que estava “preso” ao seu centralismo e egoísmo do seu eu, morre a esse mesmo fechamento em si, para se libertar e ser abertura total em relação ao todo; formando consequentemente a união com o todo no corpo cósmico de Cristo, fruto da relação de amor entre a humanidade.
Deste modo, “a ressurreição exprime a ideia de que a imortalidade do ser humano só pode existir e ser concebida na inter-relação dos seres humanos, no ser humano como ser da integração”58.

Imortalidade
A ideia de imortalidade “refere-se a uma imortalidade da pessoa, desse ente uno que é o ser humano (…) Trata-se de uma imortalidade «dialogal» (= que faz reviver) (…) O ser humano já não pode findar totalmente, porque é conhecido e amado por Deus (…) Ora, se o diálogo de Deus com o ser humano significa vida, se é verdade que o interlocutor de Deus tem vida porque Deus, que é vida eterna, fala com ele, então podemos concluir que Cristo, o diálogo de Deus connosco, é, Ele próprio, «a ressurreição e a vida»59 (…) quem crê está em diálogo com Deus, e esse diálogo é vida que supera a morte”60. Em suma, nós não morreremos se estabelecermos uma relação dialogal com Deus, e a nossa existência prossegue porque viveremos na memória de Deus61.
Assim, do mesmo modo que eu recordo com carinho um ente querido que faleceu, e guardo a sua recordação no meu coração, essa pessoa continua a viver em mim; também Deus nos recordará no seu coração (na sua memória) quando morremos, mas viveremos eternamente no seu coração (na sua memória) pois Deus é eterno.

Ressurreição da carne
Ressurreição final, ou da carne, ou comunhão dos santos, refere-se à relação total entre todos. Ou seja, quando estivermos todos em relação. É tudo e todos formarem o corpo cósmico de Cristo.
Ressurreição da carne não se refere na devolução dos corpos depois da morte. Não se refere à existência de um outro mundo. Mas sim alega a existência real de todos os seres humanos (neste mundo) em relação e abertura total uns aos outros em Cristo.

Salvação
O conceito de salvação só tem sentido no plano relacional. Pois, ele não se refere a um destino monádico isolado62.
De um modo concreto, o conceito de salvação refere-se a uma descentralização de si mesmo para uma abertura ao outro, ao todo, à unidade em Cristo.

Pecado
Pecado é tudo o que impede o estabelecimento da relação interpessoal na procura do todo. Por isso, pecado é não responder ao amor de Deus, é sentir-se auto-suficiente.
Mais concretamente, viver o pecado é assumir a promessa da vida na abundância, daquela aparência de vida que parecia vir do mundo pagão, das suas liberdades, do seu modo de viver segundo o que agradava. É viver uma cultura aparentemente da abundância da vida, mas que na realidade é uma anticultura da morte. É viver espectáculos de morte, crueldade, violência. É uma perversão da alegria, um amor à mentira, ao engano, ao abuso do corpo como mercadoria e como comércio. O pecado, ou aquilo que não contribui no estabelecimento da relação, também pode nos nossos dias manifestar-se na droga, na fuga do real para o ilusório, para uma felicidade falsa que se expressa na mentira, no engano, na injustiça, no desprezo do próximo. Do mesmo modo, não contribui para a relação na busca da unidade: a sexualidade que se torna puro divertimento sem responsabilidade, que se torna uma “coisificação”, por assim dizer, do homem, que já não é considerado pessoa, digno de um amor pessoal que exige fidelidade, mas se torna mercadoria, um mero objecto63.
Estes exemplos representam a vida aparente que na realidade é morte. A missão do cristão é contrariar esta vida de morte, de egoísmo, de centração em si mesmo, para ir ao encontro da verdadeira vida, a vida de relação que congrega todos na unidade em Cristo.

Pecado original
Falar de pecado original nos nossos dias parece estar desactualizado. Uma vez que o relato da criação de Adão e Eva é um mito, então, do mesmo modo o primeiro pecado (ou pecado original) também é um mito.
Contudo, pecado original significa justamente que nenhum ser humano pode começar da estaca zero, ou seja, de um estado totalmente imune em relação à história. Ou seja, ninguém se encontra num estado inicial indemne em que só tenha de desenvolver-se livremente, realizando o bem que tem dentro de si. Todos vivem num contexto que é parte da sua própria existência64.

Hermenêutica bíblica
Ao lermos um texto bíblico é necessário saber hermenêutica, isto é, saber interpretar os textos sagrados, e não dizer umas coisas que nos “vem à cabeça”. É preciso ter em atenção que a Bíblia não é um livro histórico, mas muito baseado em metáforas e lendas, as quais não devem ser interpretadas literalmente. Segundo a constituição Dei Verbum referente ao Concílio Vaticano II afirma que “a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo Espírito com que foi escrita”65.
Deste modo, não nos podemos esquecer dos condicionamentos de tempo, espaço, raça, e cultura, em que os textos bíblicos foram escritos. E do mesmo modo devemos ter cuidado com a interpretação ou transposição das várias mensagens bíblicas para os nossos dias. Os textos sagrados poderão oferecer mais do que esperávamos obter. Podemos cair no erro, onde face a uma passagem bíblica seguimos os preceitos que nos parecem razoáveis e ignoramos os demais. Assim, um grande erro de interpretação é ajustar a escritura às nossas próprias ideias sobre o que é certo66. Mas, em primeiro lugar não poderemos esquecer que a escritura foi escrita num contexto próprio, e será acertado transpor toda a mensagem sem regra para os dias de hoje? É preciso atender primeiramente as razões de determinada passagem bíblica, e se ainda hoje essas razões estão actuais, ou existem outras razões para se proceder de determinada forma.

Dogmas
Muitos dogmas da Igreja devem ser interpretados muito mais metaforicamente do que literalmente.
Vou-me prender, por exemplo, ao dogma da virgindade de Maria. Toda a narração da anunciação até à concepção de Jesus67 poderá ser um mito. Quer-se transmitir nesta passagem “o anseio pela pureza representada pela virgem intocada; o anseio pelo elemento verdadeiramente materno, acolhedor, maduro e bondoso, e finalmente, a esperança e a alegria que se projectam na criança”68. Concretamente, a virgindade de Maria é de facto simbólica (sinal de pureza e fidelidade a Deus) e não se refere tanto à virgindade no sentido biológico. Pois, “a concepção de Jesus é uma nova criação e não uma procriação de Deus. Deus não Se torna o pai biológico de Jesus”69. Sendo Jesus totalmente homem e totalmente Deus, e não sendo Deus pai o seu pai biológico, como assume então a filiação divina? “Segundo a fé da Igreja, a filiação divina de Jesus não se deve ao facto de Jesus não ter um pai humano; a doutrina do ser divino de Jesus não sofreria nenhuma restrição se Jesus fosse o fruto de um casamento humano normal, porque a filiação divina que é objecto da fé cristã não é um facto biológico, e sim um facto ontológico”70.
Deste modo, Jesus pode bem ser um fruto biológico de José e Maria, o que não invalida a filiação ontológica de Deus. Constatamos, então, que este dogma como muitos outros dogmas não podem ser ingenuamente apreendidos, mas é necessário penetrar verdadeiramente na mensagem que se pretende transmitir.

Milagres
Na nossa cultura normal o mais comum que se pode apreender é que o milagre é algo incompreensível, extraordinário, espectacular. Será bem assim?
Olhando para os evangelhos constatamos que milagre não é algo espectacular, mas sim é um sinal da presença de Deus. Ou seja, quando Jesus está presente acontecem coisas que não aconteceriam se Ele não estivesse lá. Vemos a própria presença de Jesus que apela à abertura aos outros, à solidariedade, à generosidade, em suma, à relação de amor entre todos.
Assim, “mais próximos de uma boa definição, podemos falar de milagres referindo-nos, simplesmente, a “sinais da acção de Deus”. E, porque Deus está sempre presente e em acção constante, esses sinais não só não são raros como não precisam de ser extraordinários nos seus efeitos. Todos os dias acontecem milagres! (…) Deus vai, de facto, agindo nos nossos corações, movendo-nos a fazer pequenos gestos, construindo laços de comunhão e comunidade, atraindo-nos a Ele pelo amor. Se estivermos atentos veremos milagres a acontecer à nossa volta, na nossa vida rotineira do dia-a-dia. Se estivermos disponíveis Ele fá-los-á acontecer através de nós”71.
1 Jo 15, 12.
2 Cf. Lc 6, 12-36.
3 Cf. DINIS, Alfredo – “Por um novo modelo de saber. Problema do discurso Filosófico-Teológico”. In: Revista Portuguesa de Filosofia, 46 (1990), pp. 357-359.
4 Cf. DINIS, Alfredo, op. cit., pp. 363-365.
5 Cf. DARWIN, Charles – Autobiografia. Lisboa: Relógio d’Água, 2004, pp.76-78.
6 Cf. MAJOR, João Carlos – “Psicanálise na fronteira dos saberes”. In: João Carlos Major Homepage. http://jcmajor.home.sapo.pt/bloco_2.pdf - 25 de Abril de 2007.
7 RIZZACASA, Aurelio – “Psicanálise e experiência religiosa”. In: Deus na Filosofia do Século XX. S. Paulo: Ed. Loyola, 2002, pp. 550-551.
8 RIZZACASA, Aurelio, op. cit., p. 553-554.
9 VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez – “Moral”. In: BRITO, Silveira de – Cristianismo e Cultura. Bioética. Braga: Faculdade de Filosofia da UCP, 2007, p. 5.
10 “O nosso cérebro está programado para acreditar”. In: Notícias Magazine, 11 de Dezembro de 2005, p. 34.
11 Cf. “O nosso cérebro está programado para acreditar”, op. cit., p. 34-36.
12 Cf. “Programados para acreditar”. In: Super Interessante, número 111, Julho de 2007, p. 54.
13 INGLEHART & Welzen – “Deus na sociedade da informação e do conhecimento”. In: Cristianismo e Cultura – Textos III. Braga: Faculdade de Filosofia (UCP), 2006-2007.
14 INGLEHART & Welzen, op. cit.
15 INGLEHART & Welzen, op. cit.
16 VALENTE, Vasco Pulido – “O «não» e os católicos”. In: Jornal Público, Fevereiro de 2007.
17 RATZINGER, J. – Introdução ao Cristianismo. S. João do Estoril: Principia, 2005, p. 39.
18 Cf. Concílio Ecuménico Vaticano II. Documentos Conciliares e Pontifícios. Braga: Editorial A. O., 1983, p. 347.
19 Cf. RATZINGER, J. – op. cit., p. 262.
20 Cf. ACHER, Luís – “Ciência e Religião – Uma nova perspectiva”. In: Brotéria 135 (1992), pp. 34-45.
21 Cf. ACHER, Luís, op. cit., pp. 34-45.
22 ACHER, Luís, op. cit., p. 41.
23 Cf. DINIS, Alfredo – “Ética e identidade pessoal na perspectiva das ciências cognitivas”. In: Brotéria 156 (2003), pp. 119-140.
24 RATZINGER, J. – op. cit., p. 130.
25 Cf. RATZINGER, J. – op. cit., pp. 132, 135, 170.
26 Cf. RATZINGER, J. – op. cit., pp. 179-180.
27 RATZINGER, J. – op. cit., p. 130.
28 RATZINGER, J. – op. cit., p. 132.
29 Jo 17, 24.
30 Cf. RATZINGER, J. – op. cit., p. 136.
31 Jo 17, 11.21-23.
32 Cf. RATZINGER, J. – op. cit., p. 170-172.
33 Cf. RATZINGER, J. – op. cit., p. 135-136.
34 Cf. RATZINGER, J. – op. cit., p. 178.182.
35 Cf. RATZINGER, J. – op. cit., p. 180-182.
36 Jo 12, 24
37 Cf. RATZINGER, J. – op. cit., p. 184.
38 Cf. RATZINGER, J. – op. cit., p. 189.196.
39 HAUGHT, John – Responses to 101 Questions on God and Evolution. New York: Paulist Press, 2001, pp. 49-50.
40 Cf. Lc. 2, 52.
41 Cf. Heb. 4, 15.
42 Cf. Gal. 4, 4.
43 Cf. Mt. 4.
44 Cf. Heb. 2, 9; 10 e 11.
45 Cf. Lc. 1, 38.
46 Cf. Mt. 1, 19.
47 Cf. Mt. 1, 20-25; 2, 13-15; 19-24.
48 Cf. MAJOR, João Carlos – “Psicanálise na fronteira dos saberes”. In: João Carlos Major Homepage. http://jcmajor.home.sapo.pt/bloco_2.pdf - 25 de Abril de 2007.
49 BELLET, Maurice – In: MAJOR, João Carlos, op. cit.
50 O texto é citado por RIZZACASA, Aurelio – “Psicanálise e experiência religiosa”. In: Deus na Filosofia do Século XX. S. Paulo: Ed. Loyola, 2002, pp. 563.
51 WOODWARD, Kenneth L. – “A fé mais que um sentimento”. In Newsweek, 7 de Maio de 2001, p. 58.
52 Patricia Churchland, Brain-Wise. Studies in Neurophilosophy, Cambridge, MA: The MIT Press, 2002, p. 1.
53 Cf. DINIS, Alfredo – “As questões que o paradigma tradicional permitia formular”. In: Cristianismo e Cultura – Textos I. Braga: Faculdade de Filosofia, 2006-2007.
54 CRICK, Francis – A Hipótese Espantosa. Busca Científica da Alma. Lisboa: Instituto Piaget, 1998, p. 23.
55Cf. RATZINGER, J. – Introdução ao Cristianismo. S. João do Estoril: Principia, 2005, pp. 254-255.
56RATZINGER, J., op. cit., p. 257.
57RATZINGER, J., op. cit., p. 259.
58 RATZINGER, J., op. cit., p. 181.
59 Jo 11, 15.
60 RATZINGER, J., op. cit., p. 256-257.
61Cf. RATZINGER, J., op. cit., p. 258.
62 Cf. RATZINGER, J., op. cit., p. 181.
63 Cf. BENTO XVI – “Homilia do papa Bento XVI na festa do Baptismo do Senhor”. In: A Família e a transmissão da fé. Introd., selecção de textos e org. dos textos por Pe. Duarte da Cunha. Prior Velho: Paulinas Editora, 2007, pp. 21-22.
64 Cf. RATZINGER, J., op. cit., p. 181.
65 DV,12.
66 Cf. RACHES, James – “A Ética e a Bíblia”. In: Filosofia & Educação. http://www.filedu.com, 31 de Julho de 2007.
67 Cf. Lc. 1-2.
68 RATZINGER, J., op. cit., p. 199.
69 RATZINGER, J., op. cit., p. 199.
70 RATZINGER, J., op. cit., p. 200.
71 DELICADO, João – “Há ou não há milagres?”. In: Companhia dos Filósofos. http://companhiadosfilosofos.blogspot.com/2007/06/h-ou-no-h-milagres.html . 10 de Junho de 2007.


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