17/08/2009

Noção de conceito



A filosofia é essencialmente uma actividade conceptual. Deste modo, é necessário esclarecer de um modo global o significado, valor e importância do conceito a nível filosófico.
Etimologicamente conceito vem do latim “conceptus” que significa o resultado ou termo de uma concepção. É a representação intelectual, complexa e abstracta da essência de um objecto, pois, devido à faculdade de abstrair do sensível o inteligível, a inteligência isola e apreende de um objecto concreto determinada nota ou conjunto de notas essenciais que o caracterizam e o definem. Assim, o conceito pode ser considerado a forma mais simples e elementar do pensamento, quando se prende apenas à apreensão do objecto, essência, sem lhe dar qualquer afirmação ou negação. Por conseguinte, o conceito é de si mesmo insubsistente, servindo apenas de ponto de referência e transição para um objecto real. O conceito é o que confere sentido a um vocábulo ou conjunto de vocábulos.
Do mesmo modo, nos conceitos há a considerar a compreensão e a extensão. Quanto maior é a compreensão, menor é a extensão, e inversamente. Por exemplo: à compreensão de “ser” a nota “racional”, aumenta a compreensão, contudo diminui a extensão, pois é menor o número de “seres racionais” do que o número de “seres” por si só.
Quanto à classificação dos conceitos, segundo a compreensão este podem dividir-se em: simples ou complexo, concretos ou abstractos. Segundo a sua extensão podem dividir-se em: singulares, particulares, universais.
Sendo o conceito algo abstracto, isolado das determinações que o envolvem, contém por outro lado um valor que permite um conhecimento capaz de significar a essência das coisas. A sua intuição sensível, pelo poder de penetração intelectual, supera de longe o seu ponto negativo, no que se refere à pobreza de conteúdo. Contudo, o mesmo conceito não serve necessariamente a todos os objectos, por exemplo: o conceito de sujeito terá uma definição própria para um psicanalista, para um filósofo ou para um teórico da literatura. Mas se a cada objecto correspondesse a um único e autêntico conceito, ou se para dois objectos tivessem que existir obrigatoriamente dois conceitos distintos e independentes, não existiria especulação possível e o trabalho de fixação de um conceito assemelhar-se-ia ao trabalho de comprovação dos elementos da tabela periódica.
O conceito é algo de fundamental importância na nossa existência e por seu lado na filosofia. Pois, sem conceitos nunca poderíamos ultrapassar o âmbito da experiência sensível, a fim de elaborar uma metafísica, o que levaria à desintegração de toda a vida psíquica, intelectual, moral e religiosa.
Deste modo, o conceito assume a forma de necessidade universal, pensamos que poderemos dizer que sem ele não poderíamos sequer existir e por isso mesmo estávamos impedidos de filosofar; o conceito é o principal alimento da reflexão filosófica.


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