23/08/2009

Modernismo e pós-modernismo 2


O modernismo é plasmado pela “raiva de destruir a tradição e inovar radicalmente”, recusando qualquer estabilização. Há uma passagem da heteronomia para a autonomia e secularismo, facilitando o advento das sociedades democráticas, assentes em valores individualistas (liberdade, igualdade, e revolução). O humano é concebido como uma “mónada individual ontologicamente livre”, auto-suficiente, actuando sem limites. A arte entra num processo de dessublimação; agora tudo é considerado arte (inclusive a banalidade e o insignificante), também com recursos ao humor e ironia. A obra de arte mostra-se aberta, e o observador é co-criador. Há um “eclipse da distância” (obra-observador), valorizando-se a sensação, simultaneidade, imediatez e impacto.
O pós-modernismo emerge no esgotamento da vanguarda provocatória, levando a lógica do modernismo até ao extremo, mas sem efectiva inovação (escandalosa). O prazer e a estimulação dos sentidos tornam-se valores dominantes, principalmente com a democratização do hedonismo. Há uma revolução do consumo de massas, regida por técnicas de sedução, que apelam ao “ter” em detrimento do “ser”, tendendo a libertar papéis instituídos. O humano subsiste numa dessubstancialização, neo-narcisismo, desunificação e fragmentação do “self”, coabitação de contrário, sendo um agente de personalização (até com a religião). Em suma, o Homem vive uma ausência trágica de sentido, “em busca de si próprio, sem referenciais nem certezas”.

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