17/08/2009

Método fenomenológico


A Fenomenologia, nascida na segunda metade do século XX, a partir das análises de Franz Brentano sobre a intencionalidade da consciência humana, trata de descrever, compreender e interpretar os fenómenos que se apresentam à percepção. Propõe a extinção da separação entre "sujeito" e "objecto", opondo-se ao pensamento positivista do século XIX. 

O método fenomenológico define-se como uma volta às coisas mesmas, isto é, aos fenómenos, aquilo que aparece à consciência, que se dá como objecto intencional. O seu objectivo é chegar à intuição das essências, isto é, ao conteúdo inteligível e ideal dos fenómenos, captado de forma imediata.

Toda consciência é consciência de alguma coisa. Assim sendo, a consciência não é uma substância, mas uma actividade constituída por actos (percepção, imaginação, especulação, volição, paixão, etc), com os quais visa algo.

As essências ou significações (noema) são objectos visados de certa maneira pelos actos intencionais da consciência (noesis). Afim de que a investigação se ocupe apenas das operações realizadas pela consciência, é necessário que se faça uma redução fenomenológica ou Epoché, isto é, coloque-se entre parênteses toda a existência efectiva do mundo exterior.

Na prática da fenomenologia efectua-se o processo de redução fenomenológica o qual permite atingir a essência do fenómeno.

Para Heidegger, fenomenologia é, antes de mais, um conceito de método. Em oposição às construções feitas no ar, pretende ir às coisas mesmas. O que a fenomenologia vai revelar é o que permanece escondido no que se manifesta e constitui o seu sentido ou fundamento. O que permanece escondido não é este ou aquele ente, mas o ser mesmo dos entes. O conceito fenomenológico de fenómeno visa o ser do ente.

Heidegger considerava o seu método fenomenológico e hermenêutico. O trabalho hermenêutico visa interpretar o que se mostra, pondo em evidencia isso que se manifesta aí mas que, no início e na maioria das vezes, não se deixa ver. O método vai directamente ao fenómeno, procedendo à sua análise, pondo a claro o modo como da sua manifestação. Heidegger afirma que esta metodologia corresponde a um modelo kantiano, ou coperniciano da colocação ou projecção da perspectiva. Neste sentido, a sua metodologia operava uma inflexão do ponto de vista, na medida em que o foco deveria ser desviado do ente para o ser, ou mais concretamente, do que é para o como é. Esta inflexão focaliza os modos de ser do ente, correspondendo a uma inversão da ontologia tradicional. 

Em suma, para Heidegger o que é importante é como o fenómeno se mostra ao ser existente. O movimento é no sentido do que é revelado.


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