17/08/2009

Método Escolástico



Etimologicamente escolástica vem do latim “schola”, que equivale ao grego ócio, lazer. A escolástica poderá se dividir em três períodos. Período da “formação” – do século V ao fim do século XII. Período do “apogeu” – século XIII. E período do “declínio” – século XIV e 1.ª metade do século XV.
A Escolástica é uma linha dentro da filosofia medieval, de acentos notadamente cristãos, surgida da necessidade de responder às exigências da fé, ensinada pela Igreja, considerada então como a guardiã dos valores espirituais e morais de toda a Cristandade. Por assim dizer, responsável pela unidade de toda a Europa, que comungava da mesma fé.
A Filosofia que até então possuía traços marcadamente clássicos e helenísticos sofreu influências da cultura judaica e cristã, a partir do século V, quando pensadores cristãos perceberam a necessidade de aprofundar uma fé que estava a amadurecer, numa tentativa de harmonizá-la com as exigências do pensamento filosófico. Alguns temas que antes não faziam parte do universo do pensamento grego, tais como: Providência, Revelação Divina, e Criação, a partir do nada passaram a fazer parte de temáticas filosóficas. A Escolástica possui uma constante de natureza neoplatónica, que conciliava elementos da filosofia de Platão com valores de ordem espiritual, reinterpretadas pelo Ocidente cristão. E mesmo quando Tomás de Aquino introduz elementos da filosofia de Aristóteles no pensamento escolástico, esta constante neoplatónica ainda é presente.
Basicamente, a questão chave que vai atravessar todo o pensamento escolástico é a harmonização de duas esferas: a fé e a razão. O pensamento de Agostinho, mais conservador, defende uma subordinação maior da razão em relação à fé, por crer que esta venha restaurar a condição decaída da razão humana. Enquanto que a linha de Tomás de Aquino defende uma certa autonomia da razão na obtenção de respostas, por força da inovação do aristotelismo, apesar de em nenhum momento negar tal subordinação da razão à fé.
Para a Escolástica, algumas fontes eram fundamentais no aprofundamento da sua reflexão, por exemplo os filósofos antigos, as Sagradas Escrituras e os Padres da Igreja, autores dos primeiros séculos cristãos que tinham sobre si a autoridade de fé e de santidade.
Uma definição que achamos ser plausível quanto ao método escolástico será a dada por M. Grabmann: “O método escolástico, aplicando a razão e a filosofia às verdades reveladas, procura alcançar um mais profundo conhecimento do conteúdo da fé, para assim substancialmente aproximar a verdade sobrenatural e a razão humana pensante, de modo a tornar possível uma apresentação global, sistemática e orgânica das verdades da fé e resolver as objecções colocadas do ponto de vista da razão contra o conteúdo da revelação. Através de um processo evolutivo gradual, o método escolástico construiu uma determinada técnica, uma determinada forma externa, por assim dizer, concretizou-se e materializou-se”.
Em suma, a escolástica tem a finalidade de tentar fazer uma aplicação da filosofia aos mistérios da fé, sistematizando-os em conjunto e em unidade; afim de procurar resolver as dificuldades e objecções que surjam.


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