20/08/2009

Filosofia Judaica da Religião


- A filosofia da religião desenvolvida por pensadores judaicos contemporâneos não é verdadeiramente uma disciplina filosófica entre outras… Mas, é muito característico o facto de que não distinguem teologia, filosofia primeira e filosofia da religião (à excepção de Hermann Cohen).

I. HERMANN COHEN (1824-1918)

- Filosofia neokantiana da religião… Grande proximidade entre o Deus kantiano e o Deus da profecia antiga de Israel (cf. Professor Marburgo).
- Deus –> não é uma pessoa, mas sim nada mais esta ideia.
- Deus –> é o Único, o Justo…
- Deus –> está verdadeiramente “mais além do ser”.
- Deus –> nenhuma ontologia lhe é apropriado, nem sequer aquela que o pensa em mera analogia com os conceitos em que é intelectualmente apreendida a criação. Deus não é, nem vive, nem existe…
- O conceito filosófico supremo não é o do ser, mas da unidade.
- A “especulação religiosa” não coincide inteiramente com a especulação filosófica.
↘ Caminha pelas suas próprias vias (que são paralelas às da filosofia crítica).
→ Porque Deus não é o Uno de Plotino, mas sim o Único de Israel, diante do qual cada homem
é também um único.
- A moral não coincide com a religião.
-» O ideal de razão prática descobre um horizonte intersubjectivo em geral.
-» A religião no que tem de absolutamente não redutível à moral opera com uma nova ideia: com a do tu único, o próximo.
- É justamente assim como a «correlação» entre a unicidade de Deus e a unicidade do indivíduo humano tem que levar à prática no amor ao outro como próximo.


II. FRANZ ROSENZWEIG (1886-1929)

A estrela da redenção

-A filosofia pressupõe a totalidade e por isso declara que a morte é Nada.
*A morte
*O metaetico

-As três pontas da estrela da redenção:
Para Rosenweig Deus, o Mundo e o homem são três realidades separadas, ao contrário dos filósofos anteriores. Todavia, a separação não tem a última palavra. Se assim fosse o autor estaria a propor o Niilismo. Por isso, a via concreta é o elemento de ligação entre as três realidades.

-A relação: A vida concreta resolve o aparente enigma da separação entre Deus, Homem e o mundo. A vida não é inteligência, mas relação. A relação é o princípio de unidade.
Criação; Revelação e Redenção


III. MARTIN BUBER (1878-1965)

- Princípio Dialógico ≠ Princípio Dialéctico, e toda a filosofia que permaneça na “estaticidade” da mera representação.
- Duplicidade básica do mundo – absolutamente primordial – na existência do homem, este adopta sempre
↓ uma de duas atitudes.
- A duplicidade essencial é a das palavras fundamentais (palavras-princípio) que pronuncia um homem. Estas palavras fundamentais não são nomes isolados, ou palavras soltas, mas sim pares de palavras:
Ich-Du e Ich-Es –> Eu-Tu e Eu-Isso (Eu-Ele ou Eu-Ela). Tu e Isso – não puramente antagónicos.
ISSO …não se deixa nunca dizer com toda a essência.
TU … diz-se “com a essência inteira”.
- Não há “Eu” isolado (critica à filosofia cartesiana). “Eu” é um termo –> “sincategoremático”.
- O Eu que dialoga “contigo” (Tu) é diferente do que se confronta com um “muro não dialogante” (Isso).
- Acção linguística –> …há coisas que verdadeiramente se fazem com palavras;
- Acção linguística –> …é tão primordial que abarca no seu seio realmente todas as outras acções;
- Acção linguística –> …dependem as duas possibilidades de uso da palavra “Eu”.
- Princípio Dialógico » a relação é primordial e irredutível » seres da natureza, humanos, e Deus.
–> Filosofia da Religião:
Religião * Combate sem trégua a todas as formas de objectivação do Tu Absoluto, Tu Eterno.
Religião * Deus –> Pólo constante da relação dialógica, interlocutor atrás de todo o interlocutor finito.
Religião * Só no diálogo ressoa com sentido o nome mais degradado e mal usado do vocabulário humano,
mas simultaneamente o mais imprescindível: Deus.
-» Ideias interessantes –> O ser humano apenas se realiza efectivamente no encontro com o Tu Eterno. Deus é eterna actualidade, presença, verdadeiro Tu. As esferas (natureza, humano, espiritual) são portas de acesso ao Tu Eterno. O Tu Eterno é o totalmente outro (mysterium tremendum), está para além de qualquer limite; mas é totalmente presente. Tu Eterno envolve o universo mas não é o universo. Na verdadeira relação com o mundo o ser humano pode encontrar Deus; ver tudo no Tu Eterno. Face ao dualismo “sagrado” e “profano”, Buber interpela a executar toda a acção profana como santificada; pois, a relação perfeita é não compreender nada fora de Deus, mas apreender tudo n’Ele. Traduz Ex 3,14 por “eu sou presente como aquele que sou presente”. Não é possível reduzir Deus a um Isso. Tendência humana de reduzir o Tu Eterno a um Isso (enclaustra-se indevidamente Deus). O que interessa não é tanto falar de Deus, mas sim falar com Ele. Encontro com Deus está para além da moral.


IV. EMMANUEL LEVINAS (1906-1995)

- A verdade como objecto de estudo da filosofia implica dois componentes que estão em constante conflito: Por um lado, buscar a verdade é o estabelecimento da relação com o absolutamente outro; Por outro lado, a filosofia é prática da ausência de todo o compromisso.

A crítica à Heidegger

A liberdade só pode chegar a compreender-se a si mesma como incondicionalmente injusta, sobre o fundo contrastante da bondade absoluta
A comparação com “o bem platónico”, Consciência moral; Epifania do rosto;

-Relação social


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Para estudar mais sobre filosofia judaica da religião consulte: Miguel García-Baró - “La Filosofía Judía de la Religión en el siglo XX”. In: Filosofia de la Religión. Madrid: Ed. Trotta, 1994, pp. 701-729.

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