23/08/2009

Experiência Axiológica


Será a experiência axiológica explicável pelas teorias que afirmam o subjectivismo ou, pelo contrário, pelas que afirmam o objectivismo?
Saber se a experiência axiológica é explicável pelas teorias que afirmam o objectivismo, ou pelas que afirmam o subjectivismo é, de facto, um tema complexo.
Por um lado, a teoria objectivista defende que os valores existem independentemente do sujeito. Por outro lado, a teoria subjectivista faz a apologia de que é o sujeito que cria os valores no acto de valorizar. Mas, é preciso ter em atenção que não existe uma pura objectividade e subjectividade, o que poderá indiciar uma certa conjugação entre a teoria objectivista e subjectivista. Assim, não é por alguém afirmar o valor de uma coisa que dá valor a essa coisa (subjectivismo), e não se pode falar de valores sem uma referência a um sujeito que os apreende (subjectivismo).
É uma realidade que para falarmos de experiencia axiológica partimos sempre da experiencia de vida, ou seja, da vivência, a qual tem sempre uma marca de subjectividade. Mas seguir a teoria subjectivista não significa enveredar pelo relativismo, mas pelo contrário, como afirma Valadier: a dimensão subjectivista é “um caminho de verdade em verdade”. Este caminhar para a verdade encontra-se na argumentação pública dos valores, o qual tem uma marca de objectividade.
Michel Renaut ajuda-nos a clarificar este dilema (objectivismo/subjectivismo) da experiencia axiológica ao possibilitar-nos a teoria do círculo hermenêutico; ou seja, em toda a experiencia axiológica partimos de uma vivência irreflectida para a compreensão e da compreensão para a vivência reflectida. Na vivência irreflectida já se encontram os valores na vivência, isto é, os valores existem em si mesmos (a priori). O sujeito, ao reflectir sobre esses valores irreflectidos, passa a uma compreensão valorativa, o que permite fazer uma vivência, experiência, reflectida (a posteriori) desses valores que reflectiu.
Deste modo, a experiência axiológica é objectiva, pois os valores existem sempre, em todos os tempos, e são estimáveis por si mesmos. Por outro lado, a experiência axiológica é subjectiva quando reflectimos e compreendemos esses valores existentes em si mesmos, passando, consequentemente, para uma vida com valores compreendidos e reflectidos. Assim, de certo modo poderemos afirmar que ao reflectirmos um valor e a passá-lo com sentido para a nossa vivência (subjectivismo), estamos tão-somente a descobrir um valor já presente (objectivismo) na realidade.

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