23/08/2009

Éticas teleológicas e deontológicas


Éticas teleológicas e deontológicas – “Cada uma das duas correntes tem a sua parte da razão”

Ao analisarmos as éticas teleológicas e deontológicas podemos (provavelmente) deduzir que aplicadas separadamente não nos levarão a uma “plena ética”[1]. Adela Cortina afirma que “cada uma das correntes têm a sua parte da razão”[2], sendo (talvez) a melhor opção proceder a uma correlação entre as duas correntes.
Por um lado, as éticas teleológicas pretendem conduzir o ser humano à realização da vida boa, da vida feliz. Deste modo, as acções são boas em função de um “telos” (fim) para a qual a acção tende atingir. A “Felicidade” é este fim a alcançar, e a vida moral é uma procura de atingir esse fim. Aristóteles, Epicuro e utilitaristas, como Bentham, Stuart Mill, são alguns exemplos das éticas teleológicas.
Aristóteles defende que o fim último de toda a actividade humana é a vida boa, feliz, a “eudaimonia”. Esta felicidade é um fim em si, não pode ser um meio. Para alcançar a felicidade é essencial a virtude da prudência, que permite atingir o meio-termo.
Segundo Epicuro, a vida moral é uma procura da felicidade entendida como prazer, que não significa vida libertina; pois, “não se pode viver com prazer sem viver com prudência, honestidade e justiça”[3].
Os utilitaristas justificam que uma acção é boa na medida em que procura a maior vantagem (bem-estar) para o maior número. Por conseguinte, a acção em si mesma é neutra; são as consequências que convertem a acção em boa ou má.
Por outro lado, as éticas deontológicas determinam uma acção moral pelo facto de cumprir um dever. Assim, o que é importante é agir conforme os deveres; sendo a acção julgada pelos princípios que a rege. Não importam tanto as consequências, mas, sim, como a acção se funda nesses princípios.
Mas, “cada uma das correntes tem a sua parte da razão”. Pois, nas éticas teleológicas a capacidade de produzir felicidade não é a única medida para avaliar a bondade das acções; uma vez que, por exemplo, cada pessoa tem valor em si. Há, portanto, acções que são boas e não é fácil justificar essa bondade pela felicidade que proporcionam. Nas éticas deontológicas não se proporciona ao homem os procedimentos para o agir concreto, falta-lhe conteúdo. Desta forma, o ideal é existir uma correlação, um combinar das duas correntes para se complementarem mutuamente.

[1] Utilizo “Plena Ética” para designar uma completude de várias correntes éticas que nos poderá levar a um melhor agir moral.
[2] Cf. CORTINA, Adela – Ética Mínima. Madrid: Editorial Tecnos, 1994, p. 112.
[3] Cf. BRITO, José Henrique Silveira de – Uma Introdução à Ética e à Filosofia Moral (apontamentos da disciplina de Axiologia e Ética). Braga: Faculdade de Filosofia, 1997, p. 37.

Gostou deste artigo? Receba outros por e-mail, assine a nossa newsletter. Digite aqui o seu e-mail:

Este artigo, com comentários, encontra-se no seguinte tema:

Escreva aqui os seus comentários ao artigo "Éticas teleológicas e deontológicas":

5 Domingos Faria: Éticas teleológicas e deontológicas Éticas teleológicas e deontológicas – “Cada uma das duas correntes tem a sua parte da razão” Ao analisarmos as éticas teleológicas e deont...
< >