18/08/2009

Epistemologia e Kant


Deixo aqui alguns rascunhos telegráficos da epistemologia kantiana:

1. O nosso conhecimento começa pela experiência porque: a experiência desperta e põe em acção a nossa capacidade de conhecer. Contudo, isso não significa que o nosso conhecimento deriva unicamente da experiência, na medida em que o nosso conhecimento pode ser um composto daquilo que recebemos pelos sentidos e da nossa própria capacidade de conhecer ou de fazer juízos.

2. a) Juízos analíticos – Diz-se que um juízo é analítico quando o sujeito se identifica com o predicado, ou seja, é pensado por identidade.
Neste tipo de juízo, o predicado não acrescenta nada ao conceito do sujeito, e pela análise decompõe-no nos conceitos parciais, que já neles estavam pensados; não se funda na experiência, portanto é um juízo “a priori”. Do mesmo modo, é um juízo tautológico, na medida em que não dizem nada de novo, limitam-se a repetir o mesmo por outras palavras. Estes juízos são verdadeiros, universais, e necessários; contudo, não fazem avançar o conhecimento científico.

b1) Juízos sintéticos – São aqueles em que a ligação é pensada sem a identidade.
Ao contrário do juízo analítico, os sintéticos acrescentam ao conceito de sujeito um predicado que nele não estava pensado, e dele não podia ser extraído por qualquer decomposição. Os juízos sintéticos têm a sua validade na experiência sensível, assim, são juízos “a posteriori”. São juízos particulares e contingentes; mas não são tautológicos.
b2) Juízos sintéticos “a priori” – São aqueles juízos que são universais, necessários, e objectivos. São juízos que fazem avançar o conhecimentos científico.

3. Intuição e conceitos constituem, pois, os elementos de todo o nosso conhecimento, de tal modo que nem conceitos sem intuição que de qualquer modo lhe corresponda, nem uma intuição sem conceitos podem originar um conhecimento. Enfim, conhecer é ligar em conceitos a diversidade sensível. Pois, o nosso conhecimento tem um aspecto passivo e outro activo. Passivo, pois recebemos dados passivamente pela sensibilidade: o múltiplo e o variado da sensação. Activo, pois exercemos uma acção sobre esses dados recebidos pela sensibilidade.

4. Para Kant o conhecimento é um composto de impressões sensíveis e da capacidade racional; o conhecimento deriva de dois requisitos fundamentais: o “a priori” e o “a posteriori”. Ele tenta conciliar a experiência e a razão.
Temos que partir primeiramente do pressuposto que Kant encontrava-se “no sono dogmático do racionalismo”, quando “acorda” com a leitura da obra de Hume começou a criticar o empirismo e racionalismo. Kant pretendia salvar a metafísica do descrédito em que caíra, e para isso fez os possíveis para procurar os limites da razão. Assim, seria possível a metafísica como ciência? Para os racionalistas era possível, porem, os empiristas achavam que era impossível a metafísica como ciência. Para Kant todo o conhecimento é formado por uma matéria (experiência) e uma forma (razão). A matéria são os dados da experiência (a posteriori); a forma é constituída pela sensibilidade (que são as formas “a priori” espaço e tempo, que recebem os dados da experiencia, das intuições sensíveis), o entendimento (apenas unifica, ordena os objectos, fenómenos dados pela sensibilidade), e a razão pura (que pensa as ideias de mundo, alma e Deus). Porém, segundo Kant, a metafísica como ciência é impossível, porque as ideias de alma, mundo e Deus são incognoscíveis; assim, Kant vai fundamentar a metafísica a partir da razão prática (agir humano).


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