08/07/2009

A Religião Primitiva e a Origem do Estado


“O mytho é o nada que é tudo”[1]

1. Introdução

Depois de penetrarmos no espírito da religião primitiva e na origem do estado, assimilando o importante contributo que deram à filosofia, ficamos perante um dilema que pretendemos estudar, resolver e desenvolver neste trabalho: “será a religião primitiva um impedimento para o surgimento do estado?”

Para uma maior compreensão, da temática e problema que pretendemos colocar, decidimos expor em primeiro lugar uma concepção geral da religião primitiva, para averiguar posteriormente se interfere ou não no surgimento do estado.

Na segunda parte, pretendemos esclarecer esta problemática avaliando a religião primitiva em relação ao estado.

Do mesmo modo, para melhor elucidar este problema vamos tentar dar um exemplo concreto. Baseando-nos na Grécia antiga tentaremos sinteticamente analisar como se deu a passagem da religião primitiva ao estado, e o importante contributo filosófico dessa transição.

Por último, vamos desenvolver um comentário pessoal como tentativa de resolução deste problema.

Este trabalho enquadra-se principalmente no âmbito da disciplina de “Filosofia Social e Política”, sendo um elemento para avaliação final. É um trabalho que tem outra finalidade: a aplicação prática das regras metodológicas, no contexto da disciplina de “Metodologias e Práticas de Investigação”.

2. A religião primitiva

2.1 Caos e Cosmos

O homem religioso primitivo tende sempre por ir ao encontro do cosmos, o mundo ordenado, temendo consequentemente o caos, o estado de indefinição e confusão.

O caos é o estado primordial, primitivo do mundo. Era uma matéria que existia desde sempre, sob uma forma vaga, indefinível, indescritível, na qual se confundiam os princípios de todos os seres particulares. Numa forma lata, caos significa abertura, fenda abissal, vazio tenebroso. Foi o estádio primordial, anterior a tudo e do qual tudo proveio, mesmo os deuses[2].

É importante salientar que as sociedades tradicionais religiosas também entendiam o caos como o espaço desconhecido e indeterminado que as cercam. Deste modo, o caos é considerado um espaço estrangeiro, caótico, povoado de espectros, de demónios, de “estranhos”[3].

Por outro lado, o cosmos significa ordem, é o universo como sistema unitário, bem ordenado[4]. Para as sociedades primitivas, cosmos é o território habitado e organizado, pois, foi consagrado previamente, é obra dos deuses ou está em comunicação com o mundo dos deuses. O mundo habitado, o cosmos, é um universo no interior do qual o sagrado se manifestou desde sempre. O homem ocupando, instalando-se num território desconhecido transforma-o simbolicamente em cosmos; esse mundo é tornado possível ao homem pela possibilidade de repetição da cosmogonia[5]. Assim, o sagrado revela a realidade absoluta, torna possível a orientação. O sagrado funda o mundo, fixando limites e por consequência estabelece a ordem cósmica[6].

Mas se o território a ocupar já estava habitado por outros seres humanos, há igualmente a necessidade de repetir a cosmogonia, pois, segundo a concepção das sociedades arcaicas tudo o que não é nosso mundo não é ainda um mundo. Portanto, não se deve fazer nosso um território senão criando-o de novo[7], isto é, consagrando-o[8].

Em suma, a experiência do sagrado torna possível a “fundação do mundo”, e onde o sagrado se manifesta no espaço, o real descobre-se, o mundo vem à existência. Todo o mundo é obra dos deuses, pois, foi criado directamente pelos deuses. Os homens apenas reactualizam ritualmente o acto exemplar da criação. Consequentemente, o homem religioso só pode viver num mundo sagrado, porque somente um mundo assim participa do ser, isto é, existe realmente. Assim, o homem religioso é sedento de ser, tendo terror ao caos, que corresponde ao seu terror diante do nada. O caos para o homem religioso é o espaço desconhecido, não consagrado, representando o não ser absoluto[9].

Portanto, o cosmos é importante para o homem religioso primitivo, afim de se sentir em paz e em segurança. Do mesmo modo, começamos a constatar que a religião primitiva possui fundamento e explicação para a vida humana.

2.2 Mitos de soberania

Veemente a religião explica o inexplicável, para o homem encontrar sentido para a sua vida. Esta explicação de tudo quanto existe é realizada através do mito.

Mito é considerado um conceito complexo, obscuro e difícil. No poema “Ulysses” de Fernando Pessoa podemos ver o seguinte verso: “O mytho é o nada que é tudo”[10], demonstra uma certa ideia de complexidade, obscuridade e dificuldade.

O mito conta uma história sagrada, um acontecimento primordial que teve lugar no começo do tempo. Equivale a revelar um mistério, onde as personagens são deuses e heróis. Esta narração descreve aquilo que os deuses e os seres divinos fizeram no começo do tempo. Assim, dizer mito é proclamar o que se passou na origem; uma vez dito, torna-se verdade absoluta, “é assim, porque foi dito que é assim”. Deduzimos, deste modo, que o mito é uma narração da criação; proclama a aparição de uma nova situação cósmica ou de um acontecimento primordial. Conta como qualquer coisa foi efectuada, começou a ser. Fala das realidades, do que aconteceu realmente, do que se manifestou plenamente[11].

A actividade criadora, que vem narrada no mito, torna-se modelo exemplar de todas as actividades humanas. Pois, o mito tem a função importante de fixar os modelos exemplares de todos os ritos e de todas as actividades humanas significativas. O homem tem ânsia de se configurar com as acções dos deuses, deseja imitar os gestos exemplares deles. Porque, o homem só se reconhece verdadeiramente homem na medida em que imita os deuses, os heróis civilizados ou os antepassados míticos, só se torna verdadeiramente homem conformando-se aos exemplos dos deuses[12]. Esta imitação não é vã, possui vários sentidos, em primeiro lugar o homem imitando os deuses mantém-se no sagrado, na realidade; por conseguinte, devido à imitação ininterrupta dos gestos divinos exemplares, o mundo é santificado.

Esta actividade criadora, que oferece o modelo exemplar de todas as actividades humanas, deve-se a uma manifestação vitoriosa de uma plenitude de ser. Logo, a designação de mitos de soberania. Mitos de soberania, porque “exaltam o poder de um deus que reina em todo o universo; contam o seu nascimento, as suas lutas, o seu triunfo”[13]. A vitória desse deus soberano originará, consequentemente, a ordem, ou seja, o cosmos. Havendo, então, uma ordem instaurada no mundo, a supremacia do deus fica assegurada para sempre, sem que alguma coisa possa por em causa tal supremacia[14].

Esta ordem ou cosmos originária da vitória do deus soberano “não é ainda encarada de modo abstracto, em si mesma e para si mesma, nem no corpo humano nem no universo. Para existir, precisa de ser instituída, para durar precisa de ser mantida; pressupõe sempre um agente ordenador, uma força criadora susceptível de a promover”[15].

Em suma: o cosmos, o universo ordenado, é uma hierarquia de forças, isto é, constituído por relações de domínio e submissão. Estas relações originaram, como já salientamos, a ordem. Contudo, é uma ordem que foi instituída de forma dramática pela acção de um agente. Este agente revela-se o ser único e privilegiado, estando numa esfera superior a todos os outros deuses. O mito projecta esse agente como soberano para o cume da pirâmide hierárquica de todo o cosmos. O seu domínio permite a aquisição de ordem e relações de equilíbrio entre as forças que constituem o cosmos[16].

Existindo um soberano e um mundo dos deuses, que permitem a ordem do universo, tudo o resto se submete a essas forças superiores, devendo a elas tudo quanto existe. O homem religioso sente-se profundamente em dívida para com os deuses.

2.3 Dívida do sentido

Os seres humanos na sociedade primitiva vivem na dívida do sentido, do Além. Esta dívida é “aquilo que durante milénios os homens reconheceram dever aos deuses, o que as sociedades, mais ou menos desde sempre, acreditaram dever às determinações dos outros, aos decretos do Além ou às vontades do invisível”[17].

É aos deuses que o homem religioso primitivo deve aquilo que é. Ele nega totalmente a actividade criadora e criativa do homem. “Foram os antepassados, os heróis dos tempos de origem, os deuses, e nunca homens como nós, que criaram, decidiram, modificaram o mundo em que vivemos e a maneira como nele vivemos”[18]. Está aqui patente uma fé inquestionável na alteridade, o que permite à sociedade primitiva evadir-se do poder, projectando-o para um nível superior, os deuses. Assim, a sociedade primitiva organiza-se projectando para fora o sentido, colocando o seu próprio fundamento fora de si[19].

Deste modo, surge uma estrutura de separação e uma relação de heteronomia entre o nível profano e o nível sagrado. O nível profano é constituído pela sociedade de iguais, devendo aos deuses tudo o que o homem é. Por outro lado, o nível sagrado é formado pelo mundo dos deuses, detentores de todo o poder. Este estratagema idealizado pelo homem, mas aos olhos do homem oblado pelos deuses, tem a finalidade de desapossar o poder do interior da sociedade primitiva, ou seja, da tribo. Ninguém domina no interior da tribo. Para assim, não existir uma divisão interna, o caos originário[20].

A sociedade primitiva considera que os chefes não são verdadeiras fontes de poder. Os chefes apenas têm a missão de transmitir ordens, regras que não foram criadas por eles; do mesmo modo, não podem sequer alterar nada. Pois, a lei vem sempre do Além, dos deuses. Não podendo se utilizar a lei para seu próprio beneficio. O feiticeiro da tribo segue a mesma lógica, ele não inventa, nem cria nada de novo. Não pode alterar nada. Apenas transmite aquelas fórmulas criadas na génese. Transmite encantamentos que foram dádiva dos deuses[21].

Constatamos, então, que a sociedade primitiva pensa-se na dependência do seu exterior; “pensa-se pensando que um outro a pensa”[22]. Pois, para o homem primitivo a dívida do sentido é um meio de se ser o que é[23].

Não será este pensamento, do homem primitivo, uma ilusão? A religião não será instituída e criada pelo homem?

2.4 Religião primitiva – instituída ou não?

Uma interpretação plausível quanto à origem do factor religioso, deve-se ao facto do homem primitivo não perceber a realidade envolvente, e sente-se um ente frágil e vulnerável no mundo. Assim, a religião passa a ser encarada como a única saída para o homem.

Por outro lado, Durkeim considera que o fenómeno religioso não tem a sua origem nem no “afundamento nas trevas da psique, nem da resposta antecipadamente ditada pela angústia do fraco perante as forças imensas que o cercam”[24]. O sagrado deve-se apenas à consciência colectiva, à “necessidade que uma sociedade sente de assegurar a sua identidade comunal”[25]. A vida religiosa é, assim, invenção social, “mas criação que se confunde em última instância, como o acontecimento da própria sociedade”[26]. Os seres humanos não tinham escolha, a religião era o único caminho a traçar. Era uma necessidade, para o homem primitivo encontrar sentido. Segundo Durkeim era impossível não existir religião[27].

Podemos deduzir, deste modo, que o homem inventa o sagrado; contudo, ele nega essa criação. Feuerbach defende que toda a religião é alienação, ou seja, toda a religião torna-se estranha a si mesma. Por conseguinte, ao criar este mundo de deuses o homem deixa de acreditar nele próprio e passa a acreditar numa imagem sua (que é estranha a ele próprio) elevada ao infinito[28].

Com o exposto não conseguimos chegar a uma conclusão clara sobre a instituição ou não da religião primitiva; pois, podemos questionarmo-nos se a religião será simplesmente uma criação. Não terá havido nenhum momento de experiência religiosa? Se o homem da sociedade primitiva é livre e possui livre criação, porque razão criara sempre a religião?

3. A origem do estado

3.1 A religião contra o estado

Poderemos deduzir facilmente dos tópicos anteriores que as sociedades primitivas são contra o tempo. Têm medo da mudança. Por isso mesmo, constatamos com uma religião, uma sociedade que não quer mudar, que está contra o estado. O homem primitivo apenas se importa com a repetição dos arquétipos formulados pelos deuses. “Tudo o que ele faz já foi feito. A sua vida é uma repetição ininterrupta de gestos inaugurados por outros”[29]. O mundo que o rodeia só é válido pelo protótipo sagrado que lhe serviu de modelo. Portanto, “o homem constrói-se segundo um arquétipo”[30].

Este medo de mudar das sociedades primitivas deve-se à aversão que têm de voltar ao caos, ao mundo desordenado. A mudança era vista pelo homem das sociedades primitivas como desgraça, que trás consigo coisas más e só cria a instabilidade[31]. A sociedade era vista como transitória, com carências, limites, vista ao nível de dependência. Foi necessário a comunidade projectar-se para a realidade superior para encontrar um sentido e ordem, que é adquirido na medida em que se imita ou repete um arquétipo[32].

Deste modo, as sociedades primitivas são sociedades para a conservação. Trazer a divisão e a mudança para dentro da sociedade era pô-la em risco[33].

O elemento de conservação, para evitar o aparecimento do estado, poderá efectuar-se de vários modos.

Pierre Clastres concebe o elemento de conservação das sociedades primitivas através das guerras. O facto de existir guerra era uma garantia para manter as coisas como estão. A guerra também era considerada uma troca negativa[34].

Por outro lado, M. Mauss considera que as sociedades humanas são sociedades para a troca positiva quando estabelecem relações positivas. Contudo, ficou estupefacto com a «Potlatch», que consiste numa festa na qual o chefe da tribo convida a tribo vizinha, e são destruídos os bens, as posses. Aquela tribo ficava em plena miséria e os convidados eram incentivados a fazerem o mesmo[35]. Podemos constatar nesta prática, do mesmo modo, um elemento de conservação. Uma vez destruídos todos os bens, posses da tribo era uma meio para ela não mudar ou evoluir.

Um outro meio de conservação é efectuado pela repetição da cosmogonia. Mircea Eliade vê o homem primitivo como tendo uma visão cíclica do tempo. Não existe a ideia de mudança, apenas de repetição. Assim, “a criação do mundo repete-se, pois, todos os anos. Esta repetição eterna do acto cosmogónico” transforma cada Ano Novo na inauguração de uma Era[36]. O sagrado está numa temporalidade diferente para ser repetido para sempre; é aquilo que se respeita, não é permitido mudar nada, apenas se obedece[37]. Portanto, é preciso obedecer, pois, as regras são dadas para sempre. Caso haja um desrespeito dessa ordem, regras do sagrado, há lugar para o castigo e a violência.

Em suma, é muito fácil verificar que a sociedade está contra o estado, ou seja, “contra aquilo que nela constituiu a raiz da separação do estado”. Mas, também é importante salientar que as sociedades primitivas só são contra o estado “no sentido em que uma obscura presciência do futuro as adverte de que se devem pôr em guarda contra o que bem poderá ser o seu destino fatal”[38].

3.2 Factor religioso, a raiz do estado

No tópico anterior podemos constatar que na sociedade primitiva não existia estado; contudo, existia a sua possibilidade, e por isso mesmo, a sociedade primitiva esforça-se por afastar essa ideia de mudança[39] realizando algumas estruturas de conservação que enumeramos atrás.

Se existia a possibilidade de surgir o estado na sociedade primitiva imbuída de religiosidade, então, deve-se a ela os fundamentos do estado, ou seja, as raízes que permitiram o aparecimento do estado.

O estado não surgiu a partir do nada. “Se o estado foi possível, deveu-se isso a que já preexistia esse misterioso imperativo para a sociedade de se ler em coisa diferente dela, de conceber o seu significado sob o signo da dívida”[40]. Se não existisse já uma primeira separação, entre um fora e um dentro, entre o mundo dos deuses e a sociedade primitiva, não teria sentido o aparecimento do estado.

Deste modo, o estado apoderou-se de uma estrutura já criada, devendo a esse esquema a sua origem. Com o aparecimento do estado apenas existiu uma pequena variação na divisão do poder[41].

Portanto, foi a partir de uma divisão primeira (realizada através da religião) que permitiu o surgimento de outras divisões (dando origem ao estado). Assim, “a religião foi historicamente a condição de possibilidade do estado”[42].

Não poderíamos deixar de destacar que “o fundamento do estado é igual ao da religião”[43], pois, toda a sociedade primitiva tem necessidade de projectar-se para algo. “Não existe uma sociedade sem uma separação em relação ao seu princípio de existência. Não existe sociedade espontaneamente una e naturalmente indivisa”[44].

3.3 Transmigração do poder

Apesar de tudo, de todos os esforços que a sociedade primitiva estruturou para a sua conservação, o estado aparece. “O nascimento do Estado corresponde a uma inversão na utilização da dimensão de exterioridade do fundamento social”[45]. O poder que estava fora é transferido para dentro da sociedade, ficando concentrado nas mãos de alguns[46]. Podemos constatar, consequentemente, uma mistura do elemento sobrenatural com o humano.

Assim, “a instauração do estado corresponde não à produção duma dimensão social absolutamente inédita, mas à transformação de uma dimensão já presente no seio da sociedade. (…) O estado é a nova face de uma separação que já penetrava a sociedade”[47]. Mas, por outro lado, “o estado é inovador na forma claramente aberta que confere à divisão da sociedade, na alteridade que transporta para o interior da comunidade dos homens até leva-los a pensarem-se duma natureza diferente consoante dirigem ou se submetem”[48].

Ninguém admite que o estado seja uma criação, mas sempre uma necessidade[49]. Portanto, o estado surgiu por uma necessidade da sociedade. Assim, o estado aparece como substituto da religião. Da acepção religião contra o estado surge uma nova: estado contra a religião[50]. Como expõe uma fórmula célebre: “lá onde havia Deus, é a vez do estado surgir”[51].

Porém, desta nova concepção, de sociedade enquanto estado, poderá dar origem a alguns dilemas: Porque existem senhores e escravos? Uns que mandam e outros que obedecem? Como aceder ao poder? Quais as razões desta estrutura?[52]

4. O fenómeno grego

4.1 Preâmbulo

Para elucidar com um nível a salutar o nosso problema, no que concerne à religião primitiva e à origem do estado, decidimos estudar o fenómeno grego. Não foi uma escolha ao acaso, bem poderíamos escolher outra grande civilização. O exemplo grego, porque marcou profundamente a nossa historia ocidental; mas, sobretudo por ser uma civilização que nos deixou a filosofia. Como afirma Heidegger: “A palavra «filosofia» agora fala em grego (…) a «filosofia» é grega em sua essência”[53].

Pretendemos estudar, fundamentalmente, de que modo surgiu a cidade-estado e como se deu a passagem do pensamento mitológico ao pensamento racional.

Contudo, começaremos por apresentar os primórdios da civilização grega, uma vez que a religião e a mitologia da Grécia clássica têm as suas raízes directas no passado micénico. Salientaremos, também, como foi abolida a imagem do rei divino da concepção micénica, devido às invasões dóricas.

O desaparecimento da percepção do rei divino prepara o surgimento da polis, e consequentemente, um pensamento do tipo racional, o que garante o aparecimento da filosofia[54].

4.2 As origens da civilização grega

Os primórdios da civilização grega remontam ao neolítico (ano 6500 e 3000 a. C.) onde surgem comunidades agrícolas da Tessália e do Peloponeso[55].

O minóico antigo surge quando a ilha de Creta se começou a desenvolver, por volta do ano 2500 a. C. Este povo criou novos estilos de cerâmica, novos costumes, e a tecnologia do bronze[56].

No continente grego, por volta do ano 2300 a. C., com a chegada dos indo-europeus, imprimiram-se novos rumos à evolução cultural das comunidades que aí viviam[57]. Os indo-europeus eram semi-nómadas do oriente da Europa (zona da Ucrânia). Essas primeiras sociedades eram holistas[58], o todo era mais importante que o elemento que as constitui.

Entre 2000 a. C. e 1550 a. C. surgem os mínios, são a mistura dos indo-europeus que chegaram à península balcânica durante os últimos séculos do Heládico Antigo com as populações locais. Surge, então, a cultura miniana, a qual poderemos considerar a mais antiga cultura grega[59].

Contudo, quem prosperou no continente grego foram os minóicos. Foi uma civilização existente nas ilhas do Mar Egeu entre 2200 a. C. e 1400 a. C. O seu ponto principal foi a ilha de Creta. Esta civilização surgiu devido à fusão dos habitantes de Creta com populações indo-europeus que se fixaram nesta ilha. A sua actividade principal era o comércio. Do mesmo modo, possuíam grandes palácios e centros administrativos. Destacamos que já conheciam a escrita (linear A)[60].

A partir de 1400 a civilização micénica no Egeu sucedeu à hegemonia minóica[61].

4.3 Os Micénicos

Os micénicos foram uma civilização que floresceu entre 1600 e 1200 a. C. As suas principais actividades foram o comércio, a guerra e a caça.

Os minóicos influenciaram em grande parte esta nova civilização, principalmente ao nível da cultura. À semelhança dos minóicos o centro político encontrava-se nos palácios[62]. Mas, o palácio além de ser um centro político, para os micénicos assumia um papel simultaneamente religioso, político, militar, administrativo e económico. Assim, a vida social surge centrada em torno do palácio[63].

Neste sistema palaciano surge a imagem do rei, que “concentra e unifica na sua pessoa todos os elementos do poder, todos os aspectos da soberania (…) ele controla e regulamenta minuciosamente todos os sectores da vida económica, todos os domínios da actividade social”[64]. No todo da organização social o rei tem o título de anax. “Podemos concluir que se o poder real se exerce assim em todos os domínios é porque o soberano, enquanto tal, se encontra numa relação especial com o mundo religioso, associado a uma classe sacerdotal que se revela numerosa e poderosa”[65]. Portanto, o rei é encarado como um ser divino[66].

Facilmente constatamos que os micénicos estão muito imbuídos na religião. Já não é bem a religião primitiva inicial. Pois, já não existe aquela unidade originária em que todos são vistos como iguais. Nos micénicos está patente uma sociedade estratificada. Contudo, o rei tem um papel divino, participa no mundo dos deuses. Deste modo, ainda não se deu aquela rotura significativa com a religião primitiva.

Apesar da hegemonia micénica deu-se, consequentemente, a sua queda e destruição, devido às invasões dóricas.

4.4 A nova imagem da Grécia

Por volta do ano 1100 a. C., depois do fim da civilização micénica, as comunidades no continente grego diminuíram, empobreceram, isolaram-se. Perdeu-se, até mesmo, o conhecimento da escrita, que foi adquirida mais tarde no século VIII a. C.

Após alguns séculos de estagnação, as comunidades começaram a crescer, inaugurando uma nova era de prosperidade da civilização grega[67].

Esta nova época deu origem a várias inovações. Vamos salientar aquelas que mais correspondem ao nosso problema.

Findo um período de trevas e esquecimento do passado, os homens tomaram consciência de um passado (idade do bronze, heróis) diferente e que contrasta com o presente (idade do ferro)[68].

Do mesmo modo, deu-se uma rotura com a religião primitiva, desaparecendo a personagem do rei divino[69], isto devido a uma distanciação criada entre os homens e os deuses. Contudo, o homem para explicar o mundo que o rodeia ainda se baseia muito nos mitos (nas cosmogonias míticas)[70]; o próprio estado (cidade, polis) desenvolveu a sua religião oficial tendo por base a mitologia. A grande cisão com o mito efectuou-se apenas com o nascimento da filosofia.

Neste período áureo, o rei não mudou somente de nome, mas também de natureza. Assistimos, consequentemente, a uma derrocada da soberania. Como já referimos, o rei já não é aquela personagem quase divina, cujo poder se manifesta em todos os planos. “A imagem do rei senhor de todos os poderes é substituída pela ideia de funções sociais especializadas, diferentes umas das outras, e cuja coordenação coloca difíceis problemas de equilíbrio”[71]. O que interessa, nesta nova era, é a multiplicidade de funções. É deixada de parte a possibilidade de uma única pessoa dominar a vida social.

Surge, deste modo, o estado como uma questão que a todos diz respeito. A comunidade não se centra no palácio real, mas na ágora, espaço comum, onde são debatidas as questões de interesse geral[72].

É importante referir que neste período surge a primeira forma de sabedoria, devido à procura de equilíbrio entre as forças opostas que a derrocada do sistema palaciano produziu. Esta sabedoria corresponde a reflexões morais e especulações políticas[73].

4.5 A Polis

Na Grécia, entre os séculos VIII e VII a polis marca o início de uma nova concepção de poder, organização.

O poder já não está fora da estrutura da sociedade, no Além, no inacessível; mas, pelo contrário, está ao alcance de todos. Contudo, é um poder que precisa de ser conquistado, através do exercício da palavra (que consiste na arte da oratória, retórica, dialéctica, arte de bem falar, argumentar de modo convincente). Este uso da palavra revela os melhores (aristoi) na arête (virtude).

Portanto, surge a ideia de polis muito relacionada com a arte política. Esta arte é um exercício do pensamento, uma forma superior de pensar e filosofar, uma vez que a filosofia trás a polis e a polis a filosofia[74].

Assim, podemos constatar que a polis oferece um grande sentido de participação democrática no exercício do poder, do governo e da administração da cidade-estado.

4.6 Do mito ao logos

Como já referimos anteriormente, o homem grego para explicar o mundo que o rodeia ainda se baseia muito nos mitos (nas cosmogonias míticas); o próprio estado (cidade, polis) desenvolveu a sua religião oficial tendo por base a mitologia.

Os mitos teogónicos e cosmogónicos gregos são sobretudo “narrações que explicam a hierarquização e a estruturação das forças sobrenaturais, a génese do cosmos e das forças da natureza, no seio de um processo que, geralmente, não é pacífico mas dramático”[75]. A finalidade destas narrações consiste em tentar encontrar respostas para as interrogações daquilo que está oculto, inacessível aos olhos do homem; é uma tentativa de clarificação dos enigmas do universo e da existência humana. Contudo, é uma procura de respostas muito ao nível da imaginação e da ficção. Portanto, estas narrativas “são fruto de uma elaboração colectiva, onde funciona um esquema de representação fantástica, mágica e poética, diferente da explicação lógica e racional; nelas, jogam um papel determinante as analogias sugeridas pela experiência da vida humana e social, a observação empírica e directa da realidade”[76].

Apesar da preponderância do pensamento mítico na sociedade grega, no início do século VI, na cidade jónica de Mileto surge um novo tipo de pensamento, liberto de toda a imagem mítica das teogonias e cosmogonias. Este novo tipo de pensamento, designado por racional, marca o nascimento da filosofia, fazendo desaparecer a antiga concepção mítica. Assim, devido a este pensamento racional, desaparecem as grandes figuras das forças primordiais, já não há agentes sobrenaturais e não há alusão aos deuses. O principal objecto de estudo é a natureza. “Não há nada que exista que não seja natureza, physis”. Deste modo, efectuou-se uma mudança de registo e a utilização de um vocabulário profano. Há uma nova atitude mental, um clima intelectual diferente. Portanto, o logos separa-se do mito.

Os principais precursores do pensamento racional foram Tales, Anaximandro e Anaxímenes. As especulações destes três filósofos pouco se afastam do pensamento mítico quanto aos temas que abordam. A sua grande inovação está na atitude e no modo como o fazem. Apresentam uma visão de conjunto (theoria). Introduziram um novo tipo de reflexão relativamente à natureza, que passa a ser objecto de uma investigação sistemática e desinteressada. Em suma, começam por transpor para uma forma dessacralizada, material ou abstracta, as ideias sobre o cosmos e a sua origem criadas pela religião, separando desta forma o mundo físico do seu fundo mítico[77].

5. Comentário pessoal

Voltemos à questão central: “será a religião primitiva um impedimento para o surgimento do estado?”

Após leitura e análise dos tópicos anteriores, podemos responder com um “sim” e um “não” simultâneo a esta questão. A religião primitiva é um impedimento para o surgimento do estado, na medida em que a sociedade primitiva se esforça por ser tal como é, ou seja, uma sociedade contra o tempo, com medo de mudança. Por outro lado, a religião primitiva não é um impedimento para o surgimento do estado, pois, está no factor religioso a raiz do estado; a religião foi a condição de aparecimento do estado. Então, sem existir a religião, muito possivelmente, também não existiria o estado.

Contudo, o mais importante, a nosso ver, é o facto de que sem a religião e consequentemente sem a origem do estado não existiria certamente uma nova forma eloquente de pensar, isto é, a filosofia. Pensamos e achamos que todo aquele esquema mítico criado pela religião, e as primeiras tentativas de abolir com esse mundo mítico com a origem do estado, foram sem dúvida etapas fundamentais para o surgimento da filosofia. E sem filosofia não teríamos certamente tudo aquilo que possuímos e todo o desenvolvimento que até agora conhecemos.

Portanto, sem religião não existiria a realidade tal como hoje a conhecemos. A religião foi a condição para o que existe. Assim, achamos que a religião tem um papel primordial na nossa existência.

Só nos resta um problema: “foi a religião instituída ou não?” Existem autores que defendem que a religião é somente uma criação humana. No entanto, como podemos constatar no ponto 2.4 deste trabalho, não conseguimos chegar a uma ilação clara. A religião foi simplesmente uma criação? Porque é que o homem, sendo livre, teve sempre inclinação para o que é religioso, sobrenatural, transcendente? Será que não houve nenhum momento de experiência religiosa?

Religião instituída pela imaginação do homem ou devido a alguma experiência religiosa, o que nos interessa veemente salientar é o contributo que ela deu ao mundo em que vivemos.

6. Conclusão

Na primeira parte do trabalho penso que ficamos bem elucidados no que concerne às características e certos pormenores da religião primitiva. Começamos pelas definições de caos e cosmos, e a explicar o porquê do homem religioso estar inclinado para o cosmos, isto é, para o mundo ordenado que foi obra dos deuses. Consequentemente, expusemos a definição de mito e mitos de soberania. Pois, é no mito que está narrada a forma como os deuses ordenaram o mundo, mas abrange muitos outros aspectos. Mitos de soberania porque o mundo ordenado deve-se às relações de domínio e submissão das forças do Além. Portanto, o homem está constantemente em dívida para com esse Além que ordenou o mundo em que vive. Contudo, ao findar esta parte deparamo-nos com um problema. Todo este esquema da religião primitiva não será um fruto da imaginação do homem? Não conseguimos chegar a uma ilação.

Na segunda parte preocupamo-nos com a origem do estado. Em primeiro lugar explicitamos de que forma a religião primitiva foi contra o estado. Salientamos principalmente o facto do homem ter medo à mudança, que poderia originar o fim do mundo ordenado. Mas, por outro lado, reconhecemos que a própria religião primitiva serviu de raiz para a origem do estado. O estado surgiu de uma estrutura preconcebida pela religião. Assim, apesar de todos os esforços causados pela religião primitiva surge o estado; havendo uma transmigração de poder de fora (do Além) para dentro da própria sociedade.

Como referimos na introdução, para melhor elucidar o problema do impedimento ou não da religião primitiva na origem do estado, expusemos o exemplo da Grécia antiga. Iniciamos pelas origens da civilização grega que remontam ao neolítico, dando algum destaque aos micénicos, onde encontramos muitos aspectos relacionados com a religião primitiva. Consequentemente, destacamos como se deu a primeira rotura com as concepções da religião primitiva, surgindo por conseguinte a polis (cidade-estado). Por fim, expusemos a grande cisão grega com a religião primitiva e com os mitos, devido ao nascimento da filosofia. Passa, então, a existir um pensamento racional face ao pensamento mítico da religião primitiva.

Podemos dizer que o objectivo central foi cumprido. Chegamos à conclusão que por um lado a religião primitiva foi um impedimento para a origem do estado, mas por outro lado não, como está patente no nosso comentário pessoal.

Do mesmo modo, achamos que foi um trabalho proveitoso, na medida em que nos ajudou a resolver o dilema que nos surgiu inicialmente, mas sobretudo por nos dar uma visão global sobre o que é a religião primitiva e como se originou o estado, matérias que até então não estavam muito aprofundadas e cientes. É de salientar o facto de chegarmos a outros problemas e conclusões que não prevemos no início, como é o exemplo do papel predominante que a religião primitiva impulsionou para as nossas vidas[78]. Será ousado demais dizer que a religião primitiva funcionou quase como primeira causa do que existe (em grande parte) na nossa vida actual!?

Este trabalho também nos trouxe problemas que não achamos solução, não ficou tudo resolvido. A religião primitiva é somente uma criação devido à imaginação do homem ou terá havido alguma experiência religiosa? Um problema que ficará em aberto connosco até a uma possível segunda tentativa.

Foi de facto um trabalho aliciante, que deu um gozo fantástico, para quem gosta destas temáticas relacionadas com o transcendente, o estado, e obviamente a filosofia.

Bibliografia

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CADERNO pessoal de apontamentos da disciplina de “Filosofia Social e Política” no primeiro semestre do ano lectivo 2006/07.

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[1] PESSOA, Fernando – “Ulysses”. In: IDEM – Mensagem: Poemas esotéricos. Edição crítica de José Augusto Seabra (coord.). Espanha, C. S. I. C., 1993, p. 17

[2] Cf. CABRAL, R – “Caos”. In: Logos – Enc. Luso-Brasileira de Filos. Vol. 1. Lisboa: Verbo, 1989, col. 830-831.

[3] Cf. ELIADE, Mircea – O Sagrado e o Profano. Trad. de Rogério Fernandes. Lisboa: Livros do Brasil, s. d.,

p. 33

[4] Cf. ALVES, V. de Sousa – “Cosmos”. In: Logos – Enc. Luso-Brasileira de Filos. Vol. 1. Lisboa: Verbo, 1989, col. 1198.

[5] Iremos tratar pormenorizadamente sobre esta perspectiva no ponto 3.1

[6] Cf. ELIADE, Mircea, op. cit., pp. 33-34

[7] Cf. ELIADE, Mircea, op. cit., p. 35

[8] O rito primitivo de consagração das terras desconhecidas prolongou-se até aos tempos modernos. Por exemplo: os conquistadores portugueses quando descobriram e conquistavam um território faziam a erecção da Cruz significando a consagração da região, ou seja, “um novo nascimento”. Cf. ELIADE, Mircea, op. cit., p. 35.

[9] Cf. ELIADE, Mircea, op. cit., pp. 58-60

[10] Ver anexo 1

[11] Cf. ELIADE, Mircea, op. cit., pp. 81-82

[12] Cf. ELIADE, Mircea, op. cit., pp. 84-85

[13] VERNANT, Jean-Pierre – Origens do pensamento grego. Trad. de Manuela Torres. Lisboa: Teorema, 1987, p. 124

[14] Cf. VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., p. 124

[15] VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., p. 128

[16] Cf. VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., p. 132

[17] GAUCHET, Marcel – “A dívida do sentido e as raízes do estado”. In: CALASTRES, Pierre, et al. – Guerra, Religião, Poder. Trad. de João Afonso dos Santos. Lisboa: Edições 70, 1980, p. 51

[18] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 64

[19] Ideias retiradas do caderno pessoal de apontamentos da disciplina de “Filosofia Social e Política” no primeiro semestre do ano lectivo 2006/07. Ver anexo 2 – apenas o esquema da religião primitiva.

[20] Ibidem

[21] Ibidem

[22] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 75

[23] Cf. GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 75

[24] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 56

[25] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 56

[26] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 57

[27] Cf. GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 57

[28] Ideias retiradas do caderno pessoal de apontamentos da disciplina de “Filosofia Social e Política” no primeiro semestre do ano lectivo 2006/07.

[29] ELIADE, Mircea – O mito do eterno retorno. Trad. de Manuela Torres. Lisboa: Edições 70, 1978, p. 19

[30] ELIADE, Mircea, op. cit., p. 24

[31] Ideias retiradas do caderno pessoal de apontamentos da disciplina de “Filosofia Social e Política” no primeiro semestre do ano lectivo 2006/07.

[32] Cf. ELIADE, Mircea, op. cit., p. 49

[33] Ideias retiradas do caderno pessoal de apontamentos da disciplina de “Filosofia Social e Política” no primeiro semestre do ano lectivo 2006/07.

[34] Ibidem

[35] Ibidem

[36] Cf. ELIADE, Mircea, op. cit., p. 76

[37] Ideias retiradas do caderno pessoal de apontamentos da disciplina de “Filosofia Social e Política” no primeiro semestre do ano lectivo 2006/07.

[38] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 72

[39] Cf. GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 73

[40] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 54

[41] Analisaremos este pormenor mais aprofundadamente no próximo tópico. Ver anexo 2.

[42] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 69

[43] Ibidem

[44] Ibidem

[45] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 68

[46] Ver anexo 2

[47] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 52

[48] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 53

[49] Ideias retiradas do caderno pessoal de apontamentos da disciplina de “Filosofia Social e Política” no primeiro semestre do ano lectivo 2006/07.

[50] Cf. GAUCHET, Marcel, op. cit., pp. 66-67

[51] GAUCHET, Marcel, op. cit., p. 85

[52] Cf. GAUCHET, Marcel, op. cit., pp. 87-88

[53] HEIDEGGER, M. – Que é isto, a filosofia? Trad., introd., e notas de José Henriques Santos. Belo Horizonte: s. e., 1962, p. 33

[54] Cf. VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., pp. 7-10

[55] Cf. RIBEIRO, Wilson – “Introdução à pré-história e à história”. In: IDEM – Graecia Antiqua. http://www.greciantiga.org/his/his00.asp – Acedido em 11 de Dezembro de 2006, às 17:00.

[56] Cf. RIBEIRO, Wilson – “Bronze Antigo - I”. In: IDEM – Graecia Antiqua. http://www.greciantiga.org/his/his04-1b.asp – Acedido em 11 de Dezembro de 2006, às 17:00.

[57] Cf. RIBEIRO, Wilson – “Bronze Antigo - III”. In: IDEM – Graecia Antiqua. http://www.greciantiga.org/his/his04-1c.asp – Acedido em 11 de Dezembro de 2006, às 17:00.

[58] Ideias retiradas do caderno pessoal de apontamentos da disciplina de “Filosofia Social e Política” no primeiro semestre do ano lectivo 2006/07.

[59] Cf. RIBEIRO, Wilson – “Bronze Médio - II”. In: IDEM – Graecia Antiqua. http://www.greciantiga.org/his/his04-2c.asp – Acedido em 11 de Dezembro de 2006, às 17:00.

[60] Cf. ANÓNIMO – “Grécia Antiga”. In: IDEM - Wikipédia, a enciclopédia livre. http://pt.wikipedia.org/wiki/Grécia_Antiga.htm – Acedido em 11 de Dezembro de 2006, às 17:30.

[61] Cf. RIBEIRO, Wilson – “Bronze Recente - II”. In: IDEM – Graecia Antiqua. http://www.greciantiga.org/his/his04-3b.asp – Acedido em 11 de Dezembro de 2006, às 17:00.

[62] Cf. ANÓNIMO – “Grécia Antiga”. In: IDEM - Wikipédia, a enciclopédia livre. http://pt.wikipedia.org/wiki/Grécia_Antiga.htm – Acedido em 11 de Dezembro de 2006, às 17:30.

[63] Cf. VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., p. 24

[64] VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., p. 24

[65] VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., p. 30

[66] Cf. VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., pp. 30-31

[67] Cf. RIBEIRO, Wilson – “Introdução à idade das trevas”. In: IDEM – Graecia Antiqua. http://www.greciantiga.org/his/his05.asp – Acedido em 11 de Dezembro de 2006, às 17:00.

[68] Cf. VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., p. 44

[69] Ibidem

[70] Iremos tratar pormenorizadamente sobre esta perspectiva no ponto 4.6

[71] VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., p. 48

[72] Cf. VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., pp. 47-54

[73] Cf. VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., p. 45

[74] Ideias retiradas do caderno pessoal de apontamentos da disciplina de “História da Filosofia Antiga” no primeiro semestre do ano lectivo 2006/07.

[75] MORAIS, Carlos – História da Filosofia Antiga – Ano lectivo 2006-2007/IºSemestre – Caderno de apoio da matéria do programa. Braga: s. e., 2006, p. 12

[76] Ibidem

[77] Cf. VERNANT, Jean-Pierre, op. cit., pp. 117-124

[78] Cf. Comentário pessoal – ponto 5



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