08/07/2009

As Relações Humanas na Pós-Modernidade


Hoje, o que fundamenta a noção de “indivíduo” não é já o sujeito filosófico ou o sujeito crítico da História, é uma molécula perfeitamente operacional deixada entregue a si mesma e disposta ela própria a assumir-se[1].

1. Introdução

Das diversas temáticas que marcam os movimentos do pensamento contemporâneo decidimos debruçarmo-nos sobre as relações humanas e a sua consistência. Deste modo, a questão principal que procuraremos responder será: que tipo de relações humanas existem na pós-modernidade? Para analisar este problema requeremos a ajuda do pensamento de Jean Baudrillard que prefigura-se com acuidade na investigação da pós-modernidade.

Para o estudo das relações humanas na contemporaneidade vamos analisar essencialmente alguns conteúdos que consideramos importantes na obra de Baudrillard. Começaremos com a questão das simulações, simulacros e hiper-realidade, dando enfoque às transformações que as novas tecnologias e os “mass media” operaram no ser humano. Do mesmo modo, o primado da economia e o paradigma do consumo parecem marcar profundamente a concepção do humano e as suas relações. Finalizaremos com a averiguação das novas concepções de sexualidade, que são reflexo da situação das relações humanas. Haverá também oportunidade para o nosso comentário pessoal e avaliação do pensamento de Baudrillard.

2. Ser humano imerso por simulações e simulacros

Para Jean Baudrillard a pós-modernidade é constituída por simulações, novas formas de tecnologia e de organização cultural e social[2]. Uma das “palavras de ordem” que melhor caracteriza a pós-modernidade é o “simulacro” ou “simulação”. Assim, na pós-modernidade entramos na era da simulação, informação, governada por modelos, códigos, cibernética. Neste contexto, simulação não é simulação de um território, referencial ou substância; mas, “é a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real”[3]. Com a simulação desaparece o imaginário da representação, o projecto dos cartógrafos, de correlação entre território e mapa. Aliás, Baudrillard refere que esta era da simulação inicia-se com uma liquidação de todos os referenciais (territórios). Tudo “é produzido a partir de células miniaturizadas, de matrizes e de memórias, de modelos de comando. (…) Já não tem de ser racional, pois já não se compara com nenhuma instância”[4]. Em suma, o que existe é o hiper-real[5], que não deixa lugar “senão à recorrência orbital dos modelos à geração simulada das diferenças”[6]. Esta sociedade governada pela hiper-realidade é a condição pela qual modelos substituem e determinam o real; isto é patente, por exemplo, “in such phenomena as the ideal home in women’s or lifestyle magazines, ideal sex as portrayed in sex manuals or relationship books, ideal fashion as exemplified in ads or fashion shows, ideal computer skills as set forth in computer manuals, and so on”[7].

Do mesmo modo, é preciso atender que simular não se resume ao mero fingir, pois, o acto de fingir ainda deixa intacto o princípio de realidade; a diferença (entre real e imaginário, etc) continua clara apesar de disfarçada. Pelo contrário, a simulação “põe em causa a diferença do «verdadeiro» e do «falso», do «real» e do «imaginário»”[8]. Portanto, nos simulacros e simulações há uma implosão, em que as fronteiras entre real e virtual se vão diluindo. Segundo Baudrillard, um filme que retrata bem estas ideias é o “Truman Show”[9], i.e., um mundo totalmente artificial, onde tudo funciona melhor e mais perfeito que o real; um lugar onde o modelo, o cenário e as situações simuladas são totalmente reais. Um outro exemplo de hiper-realidade e simulação é a “Disneylândia”. Como refere Baudrillard, “a Disneylândia é um modelo perfeito de todos os tipos de simulacros confundidos”[10], que existe para fazer crer que mundo lá fora é real, quando de facto o mundo já é dominado pela hiper-realidade e simulação, tratando-se “de esconder que o real já não é real e portanto de salvaguardar o princípio de realidade”[11]. O modelo da Disneylândia também serve para Baudrillard expor uma outra ideia da pós-modernidade: a regeneração ou reciclagem. Assim, perdem os sonhos, e vão à Disneylândia regenerar o imaginário. “As pessoas não se olham, mas existem institutos para isso. Já não se tocam, mas existe a contactoterapia. Já não andam, mas fazem jogging, etc. Por toda a parte se reciclam as faculdades perdidas, ou o corpo perdido, ou a sociabilidade perdida”[12].

No nosso ponto de vista, muita desta sociabilidade, contacto, ou olhar perdido pode dever-se ao facto do humano estar mergulhado na hiper-realidade, simulação da vida, ou realidade virtual. Mas, atendendo primeiro à conceptualização, para Baudrillard, a “expressão de «realidade virtual» é de facto um autêntico oxímoro. Não estamos já nessa antiga acepção filosófica em que o virtual era o que estava destinado a ser actual e onde se instaurava uma dialéctica entre as duas noções. O virtual é agora o que se afirma como real, é a solução final na medida em que ao mesmo tempo completa o mundo na sua realidade definitiva e lhe aponta a sua dissolução”[13]. Grande parte desta simulação e virtualidade deve-se à informatização, à era dos computadores, a partir do qual construímos a realidade. Um exemplo paradigmático desta realidade virtual é o “Second Life”[14]. Este tipo de plataformas pode ser muito positivo (nomeadamente no que se refere ao e-learning[15]). No entanto, consideramos que pode existir o perigo da alienação e fuga da realidade, onde as relações humanas são totalmente substituídas por meras relações virtuais. Do mesmo modo, as novas tecnologias proporcionaram novas formas de associação, como o Myspace, Hi5, Facebook, entre outros. Estas novas formas de comunicação podem ajudar. No entanto, pensamos que estes novos modelos de comunidade também podem aparecer como problema se levarem a prescindir do encontro inter-pessoal do face-a-face e da presença, tornando-se assim num meio de alienação do verdadeiro encontro doador de ser.

Concomitante ao advento das novas tecnologias da informação e comunicação[16], com toda a hiper-realidade e simulação, encontra-se o fenómeno da televisão. Baudrillard faz alusão aos programas de TV de grande popularidade que simulam situações da vida real; i.e., os “reality-shows” em que a vida privada é exposta e se apela às emoções do público. Estes “reality-shows” não podem estritamente incluir-se dentro das categorias de realidade ou de ficção, mas manifestam uma nova forma de ser – hiper-realidade televisiva – havendo uma implosão entre o mundo da TV e da realidade. O alucinante é filmar um conjunto de pessoas como se a TV lá não estivesse; “o triunfo do realizador era dizer: «Eles viveram como se nós lá não estivéssemos». Fórmula absurda, paradoxal – nem verdadeira, nem falsa: utópica”[17]. Aqui, onde o “insignificante é exaltado pela filmagem”[18], parece-nos que existe manipulação das relações humanas[19], bem como um claro estímulo de desenvolvimento do voyeurismo[20].

Perspectivando estes fenómenos da TV, Baudrillard declara o fim do sistema panóptico. Enquanto que Foucault ainda denuncia as estâncias de dominação, punição e vigilância do modelo panóptico de Bentham (em que quem estivesse na torre central poderia ver – sem ser visto – todos os que estavam na periferia)[21], Baudrillard constata “uma viragem do dispositivo panóptico de vigilância (vigiar e punir) para um sistema de dissuasão onde é abolida a distinção entre o passivo e o activo”[22]. Deste modo, torna-se “impossível localizar uma instância do modelo, do poder, do olhar (…). Já não há sujeito, nem ponto focal, já não há centro nem periferia: pura flexão ou inflexão circular. Já não há violência nem vigilância: apenas a «informação», virulência secreta, reacção em cadeia, implosão lenta e simulacros de espaços onde o efeito de real ainda vem jogar”[23]. Todo este fenómeno do “reality-show” apresenta uma dissolução da televisão na vida e dissolução da vida na televisão; a ponto da televisão se infiltrar na nossa vida e nos manipular[24]. E perante isto “os cidadãos não tomam em consciência a decisão de olhar a televisão. Fazem-no por uma espécie de atracção, de vertigem”[25].

Consideramos que tudo isto revela, em suma, uma sociedade do espectáculo[26], em que até a própria informação é espectáculo e entretenimento. Por exemplo, as notícias e documentários assumem cada vez mais a forma de entretenimento, usando códigos dramáticos e melodramáticos… Portanto, vive-se um “infotainment”, em que há colapso de fronteiras entre informação e entretenimento[27]. Porém, Baudrillard averigua que apesar do crescimento da informação, há cada vez menos sentido; esta informação “em vez de produzir sentido, esgota-se na encenação do sentido”[28]. Pois é, do mesmo modo, uma informação que transmite o vírus; os media “são o vírus, exercendo assim um extraordinário fascínio através de tudo quanto diz respeito a catástrofes, acidentes, violência, etc. A magia negra é a mais popular”[29].

A manipulação que a televisão pode assumir também é notada por nós na publicidade. Segundo Baudrillard, aqui há o “triunfo da forma superficial, mínimo dominador comum de todos os significados, triunfo da entropia sobre todos os tropos possíveis”[30]. Mas, com peripécias de propaganda, marketing, a publicidade fascina, destrói intensidades e acelera a inércia, impondo produtos e necessidades simuladas (muitas vezes supérfluas). Entramos, assim, na sedutora sociedade do consumo.

3. O paradigma do consumismo

No mundo pós-moderno existe uma evidente aceleração do consumo e da abundância[31]. Há agora uma multiplicação dos objectos, serviços, bens materiais, entre outros. Todo este âmbito, segundo Baudrillard, origina uma categoria que passa a caracterizar fundamentalmente as relações humanas: o consumo. Deste modo, “para falar com propriedade, os homens da opulência não se encontram rodeados, como sempre acontecera, por outros homens, mas mais por objectos[32]. Constata-se, portanto, uma mutação nas relações sociais, que já não são tanto um “laço” com os semelhantes, mas são mais padronizadas pelo consumo[33]. Começa-se a viver menos na proximidade, presença, encontro, discurso com outros seres humanos, para ilusoriamente se nutrir mais do “olhar mudo de objectos obedientes e alucinantes que nos repetem sempre o mesmo discurso – isto é, o do nosso poder medusado, da nossa abundância virtual, da ausência mútua de uns aos outros”[34]. Assim, de acordo com Baudrillard, vivemos o tempo dos objectos.

O problema, a nosso ver, está na apologia pós-moderna do primado dos objectos, de não restar senão proliferação de objectos, de estarmos reduzidos e constrangidos à inércia do consumismo[35], onde somos praticamente coagidos a comprar algo[36]. Consequentemente, há a morte do sujeito, pois, o ser humano torna-se um joguete, objecto, cada vez mais coisa ou Isso. E pode-se até dizer que o consumidor suplantou o cidadão. É também interessante salientar que face a todo este valor de uso e valor de troca (que são os fundamentos da produção e do mercado), Baudrillard apela à redescoberta da troca simbólica, que ultrapassa o domínio meramente utilitarista. Assim, com a troca simbólica passa a existir “uma circulação simbólica das coisas em que nenhuma tem qualquer individualidade separada, em que todas operam numa espécie de cumplicidade universal de formas inseparáveis”[37].

Para o sucesso do paradigma consumista certamente contribui em grande parte o aparecimento do «shopping-center» e do «hipermercado». Por todo o lado vemos setas que nos vão “espicaçando em direcção a estes grandes centro de triagem que são os hipermercados, em direcção a este hiperespaço da mercadoria onde se elabora, sob muitos aspectos, uma nova socialidade”[38]. São espaços hiper-cativantes, com jogos publicitários e de símbolos, impedindo a perda do olhar nas exposições de mercadoria. São estes centros de atracção que provocam aglomeração; a cidade já não atrai ou absorve; é o hipermercado “que estabelece a órbita sobre a que se move a aglomeração. Serve de implante aos novos agregados como o fazem também por vezes a universidade ou ainda a fábrica”[39]. Na nossa perspectiva, esta aglomeração vai substituindo as relações personalizantes (de encontro com o próximo, o vizinho, etc) para dar cada vez mais lugar a uma massa amorfa em que as pessoas não se conhecem realmente umas às outras. Baudrillard acrescenta que o hipermercado e o shopping “são pólos de simulação em torno dos quais se elabora (…) uma hiper-realidade, uma simultaneidade de todas as funções, sem passado, sem futuro, uma operacionalidade em todas as direcções”[40]. Concomitante a este universo de simulação integram-se sistemas de repressão, patente nos circuitos de vigilância que fazem também eles próprios parte do cenário de simulacro. Somos vigiados constantemente nestes centros de aglomeração, até pelo aviso dos cartazes (sorria está a ser filmado!)[41].

Este modelo de consumismo que num crescendo gradual pauta a sociedade pós-moderna chega a tal ponto que invade toda a vida, talvez por uma simulada promessa de felicidade. Como refere Baudrillard “o miraculado do consumo serve-se de todo um dispositivo de objectos simulacros e de sinais característicos da felicidade, esperando em seguida (no desespero, diria um moralista) que a felicidade ali venha poisar-se”[42]. De facto, parece que a felicidade constitui a referência absoluta da sociedade de consumo, aparecendo como que uma espécie de salvação. No entanto será preciso questionar primeiro que felicidade é esta, que assedia com tanta força ideológica a civilização. Baudrillard salienta que o conceito de “felicidade como fruição total e interior, felicidade independente de signos que poderiam manifestá-la aos olhos dos outros e de nós mesmo, sem necessidade de provas, encontra-se desde já excluída do ideal de consumo”[43]. Então, se analisarmos bem, o conceito de felicidade na sociedade de consumo parece-nos bastante redutor, pois, há aqui uma proposta de felicidade apenas num sentido do mensurável por objectos e signos, de excitação de necessidades que nunca dão realmente satisfação[44], sempre com critérios visíveis e por princípios individualistas.

Consideramos que todo este fenómeno do consumismo está intimamente relacionado com outro elemento que caracteriza a pós-modernidade: o individualismo. Aliás, Baudrillard também faz esta ligação advogando que “como consumidor, o homem torna-se solitário ou celular, quando muito gregário (a TV em família, o público do estádio ou do cinema, etc)”[45]. Parece-nos que numa sociedade de consumo há uma predisposição para olhar para as necessidades próprias e reflectir narcisicamente na própria imagem, podendo conduzir à “refracção de traços colectivos”[46]. É neste horizonte que aparece o indivíduo ready-made, que “é uma espécie de partícula, um corpúsculo, uma molécula, um electrão livre, uma mónada”, e simultaneamente “torna-se de novo num indivíduo em luta com a sua própria sombra [identidade] ou alguém que definitivamente a perdeu”[47]. Em suma, esta forma de vida narcisista não conhece limites entre ela mesma e o mundo que exige a gratificação imediata dos seus desejos

Pensamos que correlacionado com a rede conceptual do consumismo e individualismo também se encontra um outro fenómeno que não poderemos deixar de evidenciar: o “desperdício”. Uma sociedade que cada vez tem mais objectos e que não cessa de criar necessidades supérfluas, acaba por não conseguir suportar tal abundância. Deste modo, a estimulação de efémeras necessidades e consumos desenfreados origina o fenómeno de lançar fora os bens segundo os caprichos ou a moda[48]. Neste contexto, Baudrillard refere que “a sociedade do consumo precisa dos seus objectos para existir e sente sobretudo necessidade de os destruir[49]; pois, é com a destruição (ou desperdício) que se pode continuar a consumir e a criar necessidades[50]. Do mesmo modo, todo este fenómeno do desperdício pode-nos fazer lembrar o «potlatch» – destruição competitiva de bens preciosos. Pensamos que será necessário questionar a legitimidade deste sistema de desperdício; uma vez que sabemos da existência de muitos seres humanos que vivem sem condições mínimas, não terá mais fundamento uma apologia da solidariedade em vez do infindável desperdício?

Como já salientamos, o paradigma consumista invade toda a vida, até mesmo o horizonte relacional mais profundo de comunhão e encontro entre dois seres parece muitas vezes suplantado por este modelo mercantil. De facto pensamos que é importante reflectir sobre as transformações profundas que a concepção da sexualidade tem sofrido desde o início da pós-modernidade, pois também é reflexo do estado das relações humanas.

4. Novas concepções da sexualidade

Ainda em ligação com o ponto anterior, Baudrillard elucida que “na panóplia do consumo, o mais belo, precioso e resplandecente de todos os objectos (…) é o CORPO”[51]. O que interessa agora é vestir realmente o corpo. Isto parece a continuação do dualismo tradicional, mas reformulado. Se antes a alma envolvia o corpo, hoje é a pele que o circunda – “não a pele como irrupção da nudez (…), mas como vestido de prestígio e residência secundária, como signo e como referência de moda”[52]. «Vestido» este que é imposto por princípios normativos “do prazer e da rentabilidade hedonista, segundo a coação de instrumentalidade directamente indexada pelo código e pelas normas da sociedade de produção e de consumo dirigido”[53]. E como este vestido ou corpo é o mais belo dos objectos que se possuem, manipulam e consomem psiquicamente, então, surge aqui uma relação narcísica[54] com o próprio corpo, de modo a satisfazer (?) as necessidades constantemente criadas e impostas. Assim, constatamos que todo o mistério que o corpo pode ter fica reduzido a meros investimentos económicos, com objectivos capitalista, ao ponto de se administrar e regular um corpo como um património. São incessantemente impingidos modelos de beleza (como o exemplo da obsessão pela magreza ou o padrão da “Barbie”) e monopolizam-se todas as afectividades, certamente num possível desdém de um melhor enriquecimento das relações interpessoais, para enquadrar o corpo nestas modas e formas.

Consideramos que relacionado com esta temática é importante referir que vários intelectuais, como Lipovetsky[55], ao estudar o corpo sexual relacionaram a era do consumo com a tendente redução das diferenças tradicionalmente instituídas entre os sexos. De facto, parece aparecer como uma das muitas características da pós-modernidade a confusão entre masculino e feminino que perdem as suas nítidas características de outrora. Consequentemente, todas as sexualidades são admitidas e formam combinações inéditas. Nesta linha Baudrillard salienta que “a própria sexualidade, que flutua hoje numa estranha dimensão intersticial, não é masculina nem feminina mas algo entre as duas: 1,2 / 1,7. Acabou-se a definição sexual, e portanto já não há diferença sexual propriamente dita. O princípio de incerteza encontra-se no próprio âmago da vida sexual, como no de todos os sistemas de valores”[56].

Baudrillard perspectiva ainda que “a sexualidade, justamente com a beleza que acabamos de definir, é que orienta hoje por toda a parte a «redescoberta» e o consumo do corpo”[57]. Esta mercantilização do corpo, muitas vezes até inconsciente, conduz a uma vivência da sexualidade onde “já não nasce da intimidade e do sensual, mas da significação sexual calculada”[58]. Assentir com esta lógica calculista, de apropriação, de compra e venda, significa tornar tudo um objecto (inclusive os outros seres humanos com quem se relaciona), onde tudo é material de troca, regido por processos económicos de rendibilidade. Do mesmo modo, concomitante a toda a sociedade da simulação, do espectáculo e do consumo, Baudrillard refere que “a sexualidade deixou de ser festa – tornou-se festival erótico com tudo o que isso implica de organização. No quadro de semelhante festival, tudo se tenta para ressuscitar a sexualidade «polimorfa e perversa». Veja-se a Primeira Feira Mundial da Pornografia em Copenhaga”[59].

Pensamos que o crescente aumento da pornografia também está pautado pela ideologia consumista, do espectáculo, e da simulação, onde toda a “obscenidade, os corpos, os órgãos sexuais, não são já brutalmente «postos em cena», mas de imediato dados a ver, ou seja, a devorar-se, porque são absorvidos e reabsorvidos ao mesmo tempo”[60]. Baudrillard menciona que “alguns filmes não são mais que ruído visceral num grande plano coital: até o corpo desaparece, disperso nos exorbitantes objectos parciais”[61]. Estes simulacros apagam tudo na espectacularidade única do sexo. Deste modo, percebe-se que “qualquer rosto é inconveniente, pois quebra a obscenidade e restitui sentido aí onde tudo visa a eliminá-lo no excesso de sexo e na vertigem da nulidade”[62]. Nesta perspectiva toda a actividade sexual, bem como as relações humanas implícitas, são produzidas[63] ou simulados, perdendo todo o elemento de mistério, e onde há dissuasão do real para o hiper-real, do corpo para a sua materialização forçada. Percepcionamos que num mundo assim, já não existe comunicação nem sequer comunhão, mas apenas manipulação, aviltamento, niilismo. Isto é igualmente o que expressa o conceito de promiscuidade, onde tudo está aí, de imediato, sem distância, sem encanto ou mistério e, pior ainda, sem autêntico prazer[64].

5. Comentário pessoal e Conclusão

Pensamos que Baudrillard assume um papel relevante ao chamar atenção para os simulacros, simulações e vivencia de hiper-realidade na pós-modernidade, que alteram notoriamente as relações humanas. Constata e denuncia as novas formas de alienação e sujeição a poderes que ultrapassam os indivíduos e as consciências, como são o exemplo as novas tecnologias, os “mass media”, o primado da economia, entre outros. As novas tecnologias, a informática, permitem a criação de um novo mundo – uma realidade virtual – porém, há uma perda do olhar e contacto directo (ou seja, do face-a-face); e, desta forma, passamos de relações humanas para relações virtuais e simuladas. Do mesmo modo, estas tecnologias permitem ao ser humano cada vez mais contactos; mas, não há uma séria fundamentação dessas relações, havendo assim uma certa despersonalização, superficialidade e efemeridade nas relações. Baudrillard advoga igualmente que a comunicação de massas (como a massificação da televisão) é um veículo do poder, impõe modelos, manipula relações humanas (com “reality-shows” e programas similares), estimulando assim de maneira vertiginosa uma sociedade do espectáculo (uma espécie de substituição do circo romano). Uma outra forma de sujeição saliente na pós-modernidade que acaba por marcar negativamente as relações humanas é o discurso e primado da economia, sendo então tudo visto em termos mercantis. Esta sujeição conduz a uma crescente sociedade do consumo em que o ser humano e as relações humanas são aviltados em objectos e em relações baseadas na lógica consumista. É patente a esta sociedade o primado dos objectos, a aglomeração, desperdício, o individualismo e narcisismo. Simultaneamente deixamos de ser corpóreos, para ter um corpo e o objectualizar. Parece que é uma sociedade que estagnou no estádio estético kierkegaardiano. Mesmo as mais profundas relações humanas, como o exemplo da sexualidade, tendem a reger-se por critérios consumistas e calculistas, não havendo verdadeiramente comunicação.

Toda esta panóplia de características da pós-modernidade, que Baudrillard nos ajudou a reflectir, faz-nos recordar o aviso buberiano da ameaça do “crescimento progressivo do mundo do Isso”[65], onde se pretende reduzir toda a existência ao Isso, recusando o verdadeiro encontro personalizante. Este ingresso pelo caminho da degeneração, desumanização, egotismo, e perda de vivificantes relações humanas pode explicar certamente a diminuição do sentido na pós-modernidade ou, como lhe chama Lipovetsky, a vivência de uma era do vazio. De facto, se o encontro verdadeiro e profundo do Eu com o Tu é fundamentador da existência (como advoga Buber), então, todo o caminho de uma sociedade que apenas apela ao “ter” em detrimento do “ser”, onde o humano subsiste em dessubstancialização, narcisismo, desunificação e fragmentação do seu self, em que se objectualiza a si mesmo e aos outros, apenas conduz a uma forma degrada de existência. Ou como salienta Buber: “aquele que vive somente com o Isso não é homem”[66].

No entanto, face a estes elementos negativos da pós-modernidade Baudrillard parece não oferecer uma alternativa suficientemente sólida, acabando muitas vezes por exagerar, generalizar e contradizer-se. Por exemplo, diz para esquecermos Foucault e a questão central do poder, defendendo que já não faz sentido criticar o poder, pois, o poder está morto, já não existe; o que existe é dissimulação[67]. Mas, será que não existem novas constelações de poder, como as novas tecnologias? Talvez Baudrillard exagera quando declara o fim do poder, da história, da arte, etc… uma vez que todas as possibilidades estão exaustas. Mas, será que não há mais nenhum elemento de surpresa? Quanto a alternativas, Baudrillard ainda parece tender para um regresso às culturas passadas, mas predomina uma atitude de desânimo perante a fenomenologia que traçou, onde a última questão é tentar sobreviver, jogar com os fragmentos que sobram; ou seja, assume uma atitude de inércia[68]. Com isto, consideramos que uma das grandes críticas que se podem fazer a Baudrillard é a falta de uma teoria séria de intervenção social e política. Examinamos também que o pensamento de Baudrillard é bastante disperso, fragmentado, paradoxal, irónico, com uma escrita muitas vezes obscura, o que torna difícil qualquer sistematização do seu pensamento.

Apesar de alguns exageros, extrapolações abusivas, contradições e generalizações, consideramos pessoalmente que Baudrillard fez uma boa análise fenomenológica da sociedade pós-moderna, principalmente no âmbito do exame e consequências das novas tecnologias e da sociedade de consumo, mas quanto às alternativas construtoras achamos que são mais positivas as de Buber, Lévinas ou Ricoeur.

Bibliografia

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[1] BAUDRILLARD, Jean – Palavras de ordem. Porto: Campo das Letras, 2001, p. 51.

[2] Cf. BEST, Steven; KELLNER, Douglas – Postmodern Theory: critical interrogations. London: Macmillan, 1991, p. 118.

[3] Pensamos que a questão do “modelo” é importante para compreender o conceito de “simulação”. Pois, os modelos tornam-se determinantes da experiencia social. Baudrillard refere que agora o território já não precede o mapa (ou modelo); é o mapa (ou modelo) que precede o território. BAUDRILLARD, Jean – Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio d'Água, 1991, p. 8.

[4] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 8.

[5] A hiper-realidade aponta para a redução das distinções entre o real e o irreal, no que o prefixo “hiper” significa mais real que o real, no qual o real é produzido de acordo com um modelo. Cf. BEST, Steven; KELLNER, Douglas, Op. Cit., p. 119.

[6] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 9.

[7] BEST, Steven; KELLNER, Dougla, Op. Cit., p. 119.

[8] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., pp. 9-10.

[9] Baudrillard prefere o “Truman Show” ao “Matrix”, pois, a diferença entre real e virtual é menos evidente. Cf. Entrevista da Revista “Época” a Jean Baudrillard. http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT550009-1666,00.html .

[10] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 20.

[11] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 21.

[12] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 22.

[13] BAUDRILLARD, Jean – Palavras de ordem. Porto: Campo das Letras, 2001, pp. 35-36.

[14] Parece-nos que Second Life é um exemplo evidente de hiper-realidade. É um jogo on-line onde a nosso ver as fronteiras entre virtual e real não são muito claras. Então, que tipo de relações humanas temos aqui: reais ou virtuais? Ou antes hiper-reais? Como dizem alguns estudos “no SL é possível trabalhar, o que poderá render alguns Linden Dollars. Para isso, o melhor é procurar nos classificados. Pode-se ir a um club dançar, sozinho ou acompanhado (…). Também é possível namorar, (…) fazer compras”, etc... ZAGALO, Nelson; PEREIRA, Luís – “Ambientes Virtuais e Second Life”. In: Manual de Ferramentas da Web 2.0 para Professores. Ministério da Educação e DGIDC, 2008, p. 154.

[15] Estudos advogam que “o SL, ao proporcionar suportes audiovisuais e multimédia, aliados à dimensão prática e interactiva, eleva a percentagem de retenção da aprendizagem que é diminuta no ensino formal por não utilizar combinações dos sentidos para exercitar o cérebro”. Ibidem, p.160.

[16] É importante salientar que parece também haver uma implosão entre o ser humano e as novas tecnologias. De facto, estas tecnologias começam a invadir o humano de tal maneira que tornam-se próteses.

[17] BAUDRILLARD, Jean – Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio d'Água, 1991, p. 40.

[18] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 41.

[19] O filme “Truman Show” evidencia bem a manipulação que pode existir no “reality-show”. Este filme apresenta um jovem protagonista que vive, desde que nasceu, numa simulação, onde é inconscientemente manipulado por todos o que o rodeiam (inclusive por amigos e esposa).

[20] Já não é só um que vê ou vigia várias pessoas (como nos sistemas de disciplina – prisões, escolas, fabricas, etc), são agora multidões de pessoas “bombardeadas” por programas de “reality-show” para observarem com prazer a vida intima de um pequeno grupo de pessoas.

[21] Cf. FOUCAULT, Michel – Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1999, pp.162-187.

[22] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 42.

[23] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 43.

[24] Cf. BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 45.

[25] BAUDRILLARD, Jean – O paroxista indiferente: conversas com Philippe Petit. Lisboa: Edições 70, 1998, p. 46.

[26] Telegraficamente uma sociedade do espectáculo pode ser caracterizada pelo excesso de imagens, entusiasmo passageiro, império do efémero, entre outros…

[27] Cf. BEST, Steven; KELLNER, Dougla, Op. Cit., p. 120.

[28] BAUDRILLARD, Jean – Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio d'Água, 1991, p. 105.

[29] BAUDRILLARD, Jean – O paroxista indiferente. Lisboa: Edições 70, 1998, p. 46.

[30] BAUDRILLARD, Jean – Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio d'Água, 1991, p. 113.

[31] Esta ideia é corroborada na seguinte afirmação eloquente de Baudrillard: “perante o ultimato económico do poder, até no cérebro reptiliano do consumista mais básico se tornou claro o seguinte: «Consumir! Consumir, senão a máquina pára!». Os consumidores transformaram-se em reféns, em cobaias. Após a mobilização geral do trabalhador, do soldado, seguida da do cidadão no caso do sufrágio universal («Votem! Não importa em quê, mas votem!»), eis que chega a do consumidor”. BAUDRILLARD, Jean – O paroxista indiferente. Lisboa: Edições 70, 1998, p. 76.

[32] BAUDRILLARD, Jean – A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1981, p. 15.

[33] Pensamos que se toda a vida é pautada por um crescente consumo e relações mercantis, então pode significar uma expressiva diminuição das relações interpessoais sem fins lucrativos. Seria uma perda do valor da gratuidade e do encontro personalizante com o Tu.

[34] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 15.

[35] Atendendo a estas ideias, Baudrillard advoga que perante o consumismo “somos todos gansos engordados à força (se bem que os animais nunca comam em demasia). E se as pessoas não quiserem continuar a consumir? (…) Tudo isto é reaccionário, politicamente incorrecto”. BAUDRILLARD, Jean – O paroxista indiferente. Lisboa: Edições 70, 1998, p. 79.

[36] “El individuo se ve obligado a elegir permanentemente, a tomar la iniciativa, a informarse, a probarse, a permanecer joven, a deliberar acerca de los actos más sencillos: qué automóvil comprar, qué película ver, qué libro leer, qué régimen o terapia seguir. El consumo obliga a hacerse cargo de sí mismo, nos hace “responsables”, se trata así de un sistema de participación ineludible”. VÁSQUEZ ROCCA, Adolfo – Baudrillard: Cultura, simulacro y régimen de mortandad en el Sistema de los objetos. In: http://www.filosofia.net/materiales/articulos/a_baudrillard_vasquez.html .

[37] BAUDRILLARD, Jean – Palavras de ordem. Porto: Campo das Letras, 2001, p. 20.

[38] BAUDRILLARD, Jean – Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio d'Água, 1991, p. 97.

[39] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 100.

[40] Ibidem.

[41] Cf. BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 98.

[42] BAUDRILLARD, Jean – A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1981, p. 22.

[43] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., pp. 51-52.

[44] Sobre esta questão Baudrillard salienta que “todo o discurso, profano ou científico, acerca do consumo se articula na sequência mitológica de um conto: um Homem, «dotado» de necessidades que o «impelem» para objectos, «fontes» da sua satisfação. Mas, como homem nunca se sente satisfeito (aliás, é censurado por isso), a história recomeça sempre indefinidamente, com a evidência defunta das velhas fábulas”. BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., pp. 76-77.

[45] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 98.

[46] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 110.

[47] BAUDRILLARD, Jean – O paroxista indiferente. Lisboa: Edições 70, 1998, pp. 63-64.

[48] A publicidade poderá ter também um grande papel na causa do desperdício ao estimular os objectos ao valor da moda e da renovação acelerada.

[49] BAUDRILLARD, Jean – A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1981, p. 46.

[50] Para compreender melhor esta ideia Baudrillard salienta que “a destruição permanece como alternativa fundamental da produção: o consumo não passa de termo intermediário entre as duas. No consumo, existe a tendência profunda para se ultrapassar, para se transfigurar na destruição. Só assim adquire sentido. Na quotidianidade actual, quase sempre permanece subordinado, como consumptibilidade dirigida, à ordem da produtividade”. BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 47.

[51] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 157.

[52] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 158.

[53] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 160.

[54] “O que tem interesse é a sugestão de involuir no próprio corpo e de o investir narcisisticamente «a partir do interior», não para o conhecer em profundidade, mas antes, de acordo com uma lógica inteiramente feiticista e espectacular, para o constituir, na dimensão exterior, como objecto mais polido, mais perfeito e mais funcional”. BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 159.

[55] Cf. LIPOVETSKY, Gilles – A era do vazio. Lisboa: Relógio D’Água, 1989, pp. 101-102.

[56] BAUDRILLARD, Jean – O paroxista indiferente. Lisboa: Edições 70, 1998, p. 93.

[57] BAUDRILLARD, Jean – A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1981, p. 163.

[58] Ibidem.

[59] BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 168.

[60] BAUDRILLARD, Jean – Palavras de ordem. Porto: Campo das Letras, 2001, p. 27.

[61] BAUDRILLARD, Jean – Da sedução. São Paulo: Papirus, 1991, p. 42.

[62] Ibidem.

[63] Para Baudrillard “produzir é materializar à força o que é de uma outra ordem, da ordem do segredo e da sedução. A sedução é sempre e em todo o lugar o que se opõe à produção. A sedução retira alguma coisa da ordem do visível; a produção erige tudo em evidência, trata-se de um objecto, de um algarismo ou de um conceito”. BAUDRILLARD, Jean, Op. Cit., p. 43.

[64] Cf. VÁSQUEZ ROCCA, Adolfo – Baudrillard; de la metástasis de la imagen a la incautación de lo real. In: http://www.revistadefilosofia.com/11-02.pdf , p. 58.

[65] BUBER, M. – Eu e Tu. São Paulo: Centauro Editora, 1977, p. 43.

[66] BUBER, M., Op. Cit., p. 39.

[67] Cf. BEST, Steven; KELLNER, Dougla, Op. Cit., p. 123.

[68] Cf. BEST, Steven; KELLNER, Dougla, Op. Cit., pp. 134-135.



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