06/12/2008

Algumas considerações sobre o significado de “Imaculada Conceição”


Penso que é necessário reflectir adequadamente sobre este dogma da Igreja Católica, em vez de estarmos imersos em ideias pré-concebidas sobre estes temas. Para isso recorri a alguns teólogos que oferecem uma excelente reflexão. 

O Padre Alfredo Dinis, concebe que "a crença na imaculada Conceição – que Maria a mãe de Jesus foi concebida sem pecado original - corresponde a uma reflexão, por assim dizer retrospectiva, da comunidade cristã. O pecado original tem tido várias interpretações, e hoje não é certamente compreendido como o pecado cometido por Adão e Eva ao comerem a maçã da árvore do paraíso. O pecado original corresponde mais a uma situação que a uma acção, a situação de tendência da recusa radical, ou original, da humanidade em encontrar, não em Deus mas em si mesma, o sentido último da sua existência, de procurar esse sentido de costas voltadas para Deus até ao ponto de o negar. É essa aliás a mensagem subjacente à metáfora do pecado de Adão e Eva. A mãe de Jesus foi sempre vista pelos cristãos como alguém cuja existência se tornou uma só com a do seu filho e, por conseguinte, seria absurdo pensar que ela alguma vez pudesse não encontrar nele o sentido radical da sua vida. Para quem acredita que a vida humana não se divide em 'fases', mas é uma existência continuada desde o momento da concepção, faz sentido para os cristãos a afirmação de que Maria teve, desde a sua concepção, isto é, em toda a sua vida, uma relação de adesão definitiva e radical a Deus na pessoa de Cristo"[1].

Neste horizonte, o Padre Juan Messiá refere que "María es el símbolo de la "Purísima Gratitud". Hay que superar los malentendidos originados desde los días de Agustín de Hipona, por culpa del pseudoconcepto de "pecado original", dejar de leer literalmente (en vez de simbólicamente) la narración de Adán y Eva y pasar al baúl de los recuerdos los temas agustinianos de culpa heredada, sexualidad contaminante, nacimiento pecaminoso y bautizo como detergente. Hay que reinterpretar y redescubrir la riqueza de la simbología mariana en el imaginario cristiano, a la luz del tema de la "Purísima gratuidad y gratitud", buena noticia para toda madre y padre, cuyas criaturas también nacen de Espíritu Santo"[2].

Do mesmo modo, o Padre Anselmo Borges, advoga que "podemos então compreender, como dizia o teólogo Karl Rahner, que, nestes domínios, por exemplo, da virgindade de Maria, não se trata de biologia. Referindo-se à narrativa do Evangelho de São Mateus sobre a geração de Jesus por obra do Espírito Santo, escreveu o exegeta Jean Radermakers: "Tomando imagens das mitologias pagãs, depuradas pela reflexão judaica, Mateus não se situa num plano de fisiologia, medicina, ginecologia ou sexologia, mas no de uma realidade mais profunda. Deveríamos reler a nossa experiência do dar à luz e da responsabilidade parental a partir do nascimento de Jesus. Toda a criatura recém-nascida vem de Deus. Assumir uma maternidade e paternidade humanas é deixar que Deus se revele na criatura nascida. A missão de todo o varão e toda a mulher que se unem é dar lugar a que apareça no mundo a realidade do Emanuel, Deus connosco""[3].

--

[1] - http://dererummundi.blogspot.com/2007/12/porqu-deus-se-tenho-cincia-i.html

[2] - http://blogs.periodistadigital.com/vivirypensarenlafrontera.php/2008/11/26/diciembre-8-la-gracia-original

[3] - http://dn.sapo.pt/2008/12/06/opiniao/a_imaculada_conceicao.html



Gostou deste artigo? Receba outros por e-mail, assine a nossa newsletter. Digite aqui o seu e-mail:

Este artigo, com comentários, encontra-se no seguinte tema:
5 Domingos Faria: Algumas considerações sobre o significado de “Imaculada Conceição” Penso que é necessário reflectir adequadamente sobre este dogma da Igreja Católica, em vez de estarmos imersos em ideias pré-concebidas sobr...
< >